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M A N I F E S T A Ç Ã O
Os sem-terra chegam à fazenda de FHC
A queda-de-braço entre os sem-terra e o governo federal deu-se dessa vez na fazenda da maior autoridade do País: FHC. Cerca de 200 manifestantes acamparam em frente à propriedade que fica na região da cidade mineira de Buritis – e aí começou o jogo do invade-não-invade. Quando recebeu as primeiras notícias, FHC, ainda em Cuba (Conferência Ibero-Americana), declarou: “Devem estar lá para me felicitar, ninguém desapropriou mais terras do que eu.” A partir da quinta-feira 18 a temperatura subiu em Buritis. O ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, teve de antecipar com urgência a sua volta da Itália (onde estava com FHC). Pisou o Brasil e avisou que será liberado um empréstimo de R$ 3 milhões aos agricultores, tão logo eles apresentem um projeto de produção agrícola. Depois criticou: “Os sem-terra foram além da conta. A fazenda do presidente é intocável.” A propriedade de FHC é produtiva e por isso a pressão dos manifestantes é puramente um ato político (é como uma passeata de funcionários públicos diante de sua repartição). O presidente da República em exercício, Marco Maciel, determinou o deslocamento para Buritis de 250 homens do Exército (100 PMs já guardavam a área, mas isso não impediu que os sem-terra num ato de vandalismo saqueassem um caminhão que saíra da fazenda carregado de adubo e sementes de soja).
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