Em busca de um candidato
Pela primeira vez os movimentos sociais vão divididos para uma eleição e alguns até defendem voto nulo
Hugo Marques e Sérgio Pardellas
Desde 1989, era fácil para os movimentos sociais escolherem um candidato a presidente. O nome de Luiz Inácio Lula da Silva reunia todas as expectativas daqueles que defendem as bandeiras socialistas ou lutam por questões caras às minorias. Depois de dois mandatos, porém, o PT – pela primeira vez na história do País – já não forma mais o consenso justamente entre aqueles que, há 30 anos, desenharam o mapa de seu DNA. Se algum dado pode mitigar esse desgaste da legenda, lá vai: nemo PT nem qualquer outro partido. Os movimentos sociais iniciam a campanha de 2010 divididos. Dirigentes de várias organizações ouvidos por ISTOÉ reclamam de falta de diálogo em torno de propostas para o País e do distanciamento dos candidatos ao Palácio do Planalto. “Muita gente está defendendo o voto nulo”, revela dom Tomás Balduíno, representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) – entidade que, desde sua origem, é quase um sinônimo de PT. Dom Tomás é avesso aos projetos do PSDB de José Serra, mas também não vê sentido em se alinhar à candidatura da ministra Dilma Rousseff. “A posição do pessoal é não votar na candidata do Lula, pois não há diferença com o governo do Fernando Henrique Cardoso”, diz. Além da decepção por assistir Lula sustentar o que consideram o mesmo programa econômico “neoliberal” de FHC, os movimentos sociais têm pouca identificação com Dilma – coisa que com Lula ocorria de forma natural. No Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), muitos que sempre estiveram abraçados a Lula não têm nenhum diálogo com Dilma. “Não conheço a Dilma pessoalmente”, diz Gilmar Mauro, um dos principais ideólogos do MST. “Nas reuniões com o Lula, ela nunca participava.” O coordenador nacional, João Pedro Stédile, deve participar da elaboração de uma pauta única de reivindicações dos movimentos sociais e das centrais para ser entregue aos candidatos. Entre alguns militantes do MST, há muitos que votam em Marina Silva. O descontentamento na CPT, no MST e no Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) tem origem nas obras do PAC, principalmente nas hidrelétricas, que segundo eles expulsam ribeirinhos, índios e sem-terra. A autorização para a construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu, por exemplo, foi comparada nos sites do MST e do MAB a “mais um presente” do governo Lula para as construtoras. O MST também reclama do pouco avanço da reforma agrária e da disseminação dos transgênicos. Nas centrais sindicais, o quadro é semelhante. No dia 27 de janeiro, Lula reuniu-se com a cúpula do PDT e ouviu reclamações. “Dilma, você não é o Lula, você tem que se aproximar dos trabalhadores, você está distante dos trabalhadores, dos movimentos sociais”, pediu o deputado Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, que reúne 12 milhões de trabalhadores. “Mas eu já fui à Força Sindical”, respondeu Dilma. “Pôxa, já faz mais de um ano.” A ministra fez um mea-culpa: “Eu estou longe do movimento social mesmo.” Ela prometeu que após o Carnaval vai visitar as centrais e as sedes dos movimentos sociais. Há dificuldade de unificar a Força porque o vice-presidente, Melquíades de Araújo, é ligado ao tucano Geraldo Alckmin e defende o apoio a Serra. Na União Geral dos Trabalhadores, o presidente Ricardo Patah, que no passado chegou a ser vaiado entre os pares por apoiar Lula abertamente, agora prega uma consulta a todos os candidatos. “Vamos conversar com o Serra e a Dilma, em torno de um projeto de inclusão social e uma revolução na educação”, diz Patah. “Queremos discutir política de salário mínimo, terceirização e lucro de resultados.” A única central que defende voto só em Dilma abertamente é a Central Única dos Trabalhadores (CUT), com sete milhões de filiados. “Sabemos quem não queremos de volta”, diz o presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos. Com a intenção de atrair seus tradicionais aliados, o governo abriu o saco de bondades. O Incra fechou convênio com a Confederação de Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil, investigada por desvio de recursos públicos. O vencimento do convênio é só em 2012. O Ministério da Saúde presenteou o MST com uma participação no Grupo da Terra, para formular políticas para o campo. Detalhe: mesmo sem CNPJ, o MST está na portaria publicada em dezembro no “Diário Oficial da União”.
NOVO RUMO
MST já não marcha mais unânime a favor do PT




Marcia
EM 06/02/2010 14:13:28
Em breve, caso Dilma Apagão ganhe a eleição, este e outros movimentos de gente desocupada e arruaceira, terão todas as mordomias aumentadas e, certamente um candidato à sucessão da pistoleira.
Edmundo
EM 06/02/2010 14:11:45
O MST, ou quelquer movimento dos sem terra, há muito não possuem mais carater social, hoje, eles possuem identidade de verdadeiros terroristas, esculhachando com o direito de propriedade privada e a qual o governo Lula finge "não ver nada"para não perder seus preciosos votos.
isabel
EM 06/02/2010 14:04:27
Movimento só se for da luta armada! Eles tem candidata sim que a Dilma, que trouxe o exemplo para essa turma de baderneiros, não existem oficialmente, mas agem como um bando de ladrões acobertados pelo poder central. Roubam terras, e permanecem impunes perante a leniência desse desgoverno que está a
nair
EM 06/02/2010 14:00:41
Mas o candidato do MST não é o Lulla? Sempre acobertou toda violência e safadeza desse movimento, inclusive usou até o uniforme deles, que é o boné! Movimento Sem Terra, não, são uma gangu de vagabundos que só querem anarquizar as terras e as fazendas.
Clovis Roberto
EM 06/02/2010 13:28:49
Esses movimentos....alguns não são nem reconhecidos pela Justiça,e não respodem pelo seus atos absurdos, agora querem eleger candidatos, coisas de pessoas que se dizem educados, cultos, etc,etc,...voto nulo, voto em branco nada representa neste pais, e eles são eleitos com a minoria dos votos.......
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