Brasil
|  N° Edição:  2077 |  02.Set.09 - 10:00 |  Atualizado em 25.Mai.12 - 15:48

Jobim vai à guerra

O ministro da Defesa reduz cargos, autonomia e poder político de militares e compra briga com o alto comando

Hugo Marques

i138938.jpg

AVANTE Jobim diante das resistências: “Não tenho problema de enfrentamento”

A o anunciar a nova estrutura das Forças Armadas, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, declarou guerra à caserna. Além de subordinar ainda mais os militares ao poder civil, o projeto prevê a redução de postos de comando, transfere o controle sobre as compras de materiais das três Forças e alija os militares de todas as decisões políticas. Se custaram a digerir a criação do próprio Ministério da Defesa há dez anos, os oficiais do Exército, da Aeronáutica e da Marinha agora terão de engolir uma pílula ainda mais amarga. Na opinião de generais ouvidos por ISTOÉ, o abalo maior atingirá o Exército. Um deles, com posto de chefia no comando do Exército, afirma que as mudanças impostas por Jobim serão funestas para os quartéis. “O foco dessa reorganização é a retirada de poder das Forças Armadas. Militar vai virar enfeite”, revolta-se.

i138939.jpg

SEM FORÇA
Saito, Peri e o almirante Julio Soares não puderam reagir às mudanças

Uma das medidas que tiram o sono dos militares é a criação da Secretaria de Compras do Ministério da Defesa, que vai acabar de vez com a independência das três Forças de adquirir seus respectivos materiais. O principal argumento de Jobim é que a unificação permitirá ganho de escala.

Mas, para os generais, cada Força tem suas necessidades específicas. Outro projeto que assusta os quartéis é a fusão dos comandos do Exército com os distritos da Marinha e os comandos da Aeronáutica. A fusão das três Forças em “Estados-Maiores Regionais” é encarada como uma pulverização do poder militar, que terá como resultado a redução de cargos de chefia.

A cúpula teme o aparelhamento das Forças Armadas por civis e sindicalistas, como ocorreu em diversas estatais e autarquias controladas pelo PT e o PMDB. No pacote de medidas que o ministro enviará nas próximas semanas ao Congresso estão o projeto de lei para a transferência da sede da Escola Superior de Guerra do Rio para Brasília e outro para a criação de cargos de direção e assessoramento superior na ESG. Trata-se de cargos passíveis de indicação política. Para o presidente do Clube Militar, o general da reserva Gilberto de Figueiredo, certos setores exercem função de Estado. “Estão politizando o que não deve ser politizado. A Receita Federal, por exemplo, funcionava bem”, compara.

Na Aeronáutica, a preocupação é com a ideia de Jobim de transformar o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) em órgão civil. Estima-se na Aeronáutica que toda a estrutura de prevenção e investigação de acidentes no País comporte 250 cargos, grande parte DAS 8 e 9, ou seja, os maiores salários, e outros 60 de segundo escalão. Em maio, Jobim disse ao comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, que a nova política segue orientação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

O brigadeiro argumentou que o Cenipa é 100% militar e que não há mão de obra civil para assumir as atividades de investigação de acidentes aéreos. “Será uma transição traumática”, disse Saito. E desabafou com auxiliares: “A batalha está perdida.”

Para os militares, Jobim é pródigo em ideias, mas não resolve o problema crônico das Forças Armadas de falta de recursos. “O orçamento é pequeno e temos 30% contingenciados”, disse à ISTOÉ o comandante do Exército, Enzo Peri. Segundo um general-de-brigada, o Exército não será contemplado com nenhum dos grandes projetos a serem assinados no dia 7 de setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu colega francês Nicolas Sarkozy. Enquanto a Aeronáutica se prepara para ganhar novos caças e a Marinha, modernos submarinos, o Exército deve se contentar com alguns helicópteros. “Os projetos da Aeronáutica e da Marinha já estavam em andamento há muito tempo”, justifica o general Peri, para apaziguar os seus comandados. Ele ressalta também que há em andamento um projeto de novos blindados.

i138940.jpg

O ministro já pôs gente de sua total confiança na direção da Agência Nacional de Aviação Civil, na Infraero e nos principais escalões do ministério. E certamente fará o mesmo ao preencher os cargos na nova estrutura das Forças Armadas. Jobim garante que está preparado para a batalha interna.

“Os generais reclamam que queremos reduzir suas autonomias. Isso é verdadeiro, nas atividades que não são exclusivas de militares”, avisou, quando começava a desenhar as novas medidas. “Não tenho problema de enfrentamento”, banca o ministro.

Colaborou Claudio Dantas Sequeira

Henrique

EM 15/09/2010 15:55:28

Esse revanchismo não prejudica os militares, que com sua dedicação com certeza têm condições de progredir na vida por outros meios, o revanchismo prejudica o Brasil. E os militares que estão lendo sabem do que digo, afinal todos ouviram aquela frase: "Se quer a paz, esteja pronto para a guerra".


Henrique

EM 15/09/2010 15:54:37

Isso não se resume em revanchismo político, até por que eu e a maioria dos meus irmãos de turma nem pensávamos em nascer nos tempos do Governo Militar.


Henrique

EM 15/09/2010 15:53:42

JUNIOR COSTA, meus colegas da Infantaria não se metem na Selva Amazonica em busca de ouro, não passam meses em cursos apanhando e sem dormir por diversão, os da Busca, não diferenciam os que iam à França dos que se atolam na lama em SC, por que todos servem a pátria.


Henrique

EM 15/09/2010 15:42:21

Bom, observei várias opinioes, e não teria escrito nada se nao tivesse lido o que segue abaixo: "Muito bem feito pois quem esteve em baixa no sistema nunca pode opinar. Agora é a vez deles sentirem na pele e pelo Amor de Deus, que nao pare aí." Então digo, esse tipo de pensamento é repugnante.


Cansado de lenga lenga

EM 15/09/2010 15:10:08

Os oficiais estão todos preocupadinhos pq vão perder cargos importantes mas quando o governo prejudicou a classe dos graduados ninguem teve pulso pra falar nada. tomara que vire uma secretariazinha mesmo. No Brasil não tem guerra. Contrata civil





publicidade
índice de matérias edições anteriores edições especiais assine a revista

© Copyright 1996-2011 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.