• Tecnologia & Meio ambiente
  • | Edição: 2204
  • | 03.Fev.12 - 21:00
  • | Atualizado em 23.Out.14 - 13:24

Testemunha do aquecimento

Fotógrafo brasileiro registra ambientes ameaçados pela ação do homem e mostra o resultado em exposição e livro que fazem um alerta sobre o futuro do planeta

André Julião

Assista à reportagem sobre as tribos mais preservadas da África :


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DEGELO 
Pesquisador dinamarquês observa os efeitos do aquecimento na
Groenlândia. Abaixo, no detalhe, o fotógrafo mineiro Érico Hiller

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Faz calor na Groenlândia, um dos poucos territórios habitados do Ártico. Deitados sobre uma pedra, turistas dinamarqueses observam incontáveis blocos de gelo flutuando no mar. Ao avistar um fotógrafo clicando a cena, uma das mulheres do grupo pergunta de onde ele é. “Brasil”, responde. A europeia então arremata: “Isto aqui está igual a Copacabana, não?” A situação, vivenciada pelo fotógrafo Érico Hiller, demonstra de forma sutil como o planeta está esquentando. Revela também a posição privilegiada em que ele se encontrava para realizar as imagens de “Ameaçados – Lugares em Risco no Século 21”, exposição em cartaz entre os dias 8 de fevereiro e 25 de março no Museu da Casa Brasileira (São Paulo).

Além da Groenlândia, Hiller esteve no vale do rio Omo, na Etiópia, subiu duas vezes o Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, visitou as Ilhas Maldivas, no Oceano Índico, e percorreu diversos pontos do Brasil para registrar as ameaças à Mata Atlântica. Todas as expedições foram realizadas entre março e dezembro do ano passado. “Queria ver de perto o que eu só ouvia falar a respeito”, diz o mineiro radicado em São Paulo, que em 2008 lançou “Emergentes”, livro no qual registra as mudanças sociais causadas pelo crescimento econômico de China, Índia, México, Argentina, Rússia e, claro, Brasil.

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Uma das revelações que o fotógrafo traz na exposição de 45 imagens (e em um livro, a ser lançado em março) é o testemunho das pessoas que vivem nos lugares que estão sendo alterados por conta do aquecimento global e de outras ações humanas. “Os moradores normalmente não percebem. São mudanças muito sutis”, diz. “É como perguntar para um brasileiro que vive nos domínios da Mata Atlântica se ele sabe o tamanho da ameaça que sofre esse bioma”, diz. “Pouquíssima gente tem real noção do problema”, completa. A ideia de Hiller, que contou com patrocínio privado para realizar o projeto, era fazer um inventário de um planeta minguante. “Ficaria muito feliz se esse trabalho fosse o início de uma discussão séria sobre os temas retratados. Tentei fazer a minha parte”, afirma o fotógrafo.  

 

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