Um novo olhar estrangeiro sobre o Brasil
O País volta a despertar o interesse de pesquisadores, professores e estudantes de universidades internacionais
Yan Boechat e Cláudio Dantas Sequeira
O Brasil sempre despertou a curiosidade do mundo. Seja por seu exotismo natural, seja pelas suas dimensões continentais ou pelo caldeirão cultural formado por uma das sociedades mais miscigenadas do planeta. Nos últimos anos, no entanto, o interesse internacional pelas coisas brasileiras andava um tanto quanto arrefecido, principalmente pelo fato de a agenda geopolítica mundial estar voltada para o Oriente Médio. Mas agora, com a ascensão do País a um papel de protagonista, ainda que emergente, no cenário mundial, acadêmicos de todo o mundo, em especial os americanos, começam a voltar seus olhos novamente para o Brasil. Só nos Estados Unidos estima-se que quase mil pesquisadores em diversas universidades estejam dedicados exclusivamente a estudar assuntos tão diversos quanto a poluição da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, a história do Plano Real. Ao mesmo tempo, cerca de dez mil estudantes universitários estão matriculados em cursos para aprender português. “Há um interesse crescente pelo Brasil, por várias razões, desde as econômicas até o fato de termos mais brasileiros vivendo nos Estados Unidos”, diz o professor de História do Brasil da universidade americana de Brown, James Green, integrante da Associação Norte-Americana de Estudos Brasileiros, que conta com cerca de 1,2 mil sócios. A história desse interesse acadêmico pelo Brasil não é nova. Desde os anos 50, quando o Brasil iniciou um rápido processo de industrialização, pesquisadores estrangeiros passaram a colocar o País em suas pautas. Esse movimento cresceu nos anos 60 e 70 com a intensificação da Guerra Fria. Nessa época, o governo dos Estados Unidos começou a financiar estudantes interessados em estudar o Brasil, um país com informações sobre seu tecido social tão escassas quanto a Cuba tomada por Fidel e Che Guevara. Mas, desde o fim da década de 90, tanto o Brasil quanto a América Latina deixaram de atrair a atenção internacional, monopolizada pelo déjà vu: a batalha entre Ocidente e Oriente encarnada nas guerras do Iraque e do Afeganistão. “O desempenho econômico do Brasil durante a crise e as conquistas sociais do País voltaram a despertar o interesse acadêmico”, diz Joseph Love, diretor do Instituto Lemann, voltado exclusivamente para financiar estudantes brasileiros ou americanos interessados no Brasil. Love, como outros brasilianistas, está percebendo uma mudança importante no perfil dos pesquisadores de agora em relação aos de décadas passadas. “Antes o interesse era quase exclusivamente antropológico. Questões como raça e gênero sempre cativaram os pesquisadores. Agora o que vemos é uma curiosidade crescente por temas relacionados à economia, experiências no sentido de diminuir o abismo social e questões ambientais”, diz ele. O interesse crescente pelo Brasil fez com que a Universidade de Harvard instalasse um escritório para fomentar o intercâmbio acadêmico entre os dois países. “O Brasil mudou. As instituições democráticas brasileiras ganharam força e o País tem outra imagem no Exterior por conta disso”, diz o historiador Kenneth Maxwell, do Centro de Estudos Brasileiros em Harvard. Assim como o pintor francês Jean-Baptiste Debret, que imortalizou o Brasil imperial em suas telas, esses novos pesquisadores lançam um olhar estrangeiro – e novo – sobre o País.
RETRATO
As telas de Debret foram um dos primeiros registros do cotidiano brasileiro a ganhar o mundo
RICK
EM 08/04/2011 18:56:42
Brasil Coração do Mundo? Não me faça rir. Aquilo é mera propaganda febiana, com adulterações...Não corresponde em nada a nossa História, que não é tão "bunitinha" como está pintado no livro...Os gringos, não vem se evangelizar, eles querem nos explorar!
Duga
EM 07/09/2010 17:04:50
Observem bem a forma do mapa geográfico que forma o Brasil e que o faz ser chamado de "coração do mundo e alma do evangelho" num dos livros de André Luiz, o mesmo que agora do filme "Nosso Lar", psicografados pelo medium desencarnado Chico Chavier. Eis aí o motivo deste grande interesse!!
Roberto
EM 07/09/2010 16:05:46
Claro Claudemir, mas, isso é diferente do que as empresas brasileiras estao fazendo na america latina e africa (equador, bolivia, venezuela, angola, mocambique...)? Claro que nao, sao investidores e querem é ter retorno por seu investimento, assim sao os americanos, brasileiros, chineses...só nao vc
Rob
EM 07/09/2010 15:59:44
Calma, Genaro pra que tanta raiva....nao vá se tornar escravo da guerra tamben!
Genaro
EM 06/09/2010 01:44:59
Os EUA são "dependentes do petróleo" e "parasitas da guerra". A saída do Iraque muito provavelmente significará apenas a entrada em novo conflito. Que com certeza eles consideram "menos problemático". Resta saber quem será o próximo candidato...
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