Segurança na ponta dos dedos
Entenda como a leitura da impressão digital na hora do voto ajudará a minimizar o risco de fraudes nas eleições deste ano
Larissa Veloso
Nas eleições deste ano, um milhão de eleitores usará a impressão digital para se identificar na hora do voto. A biometria, tecnologia que usa medidas e características do corpo para identificar um indivíduo, está sendo testada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 60 cidades para evitar fraudes e erros. “O processo se torna mais confiável à medida que diminuímos a intervenção humana. Já aposentamos boa parte do processo manual, mas a identificação do eleitor ainda é feita pelo homem. O mesário tem de receber o título e digitar o número, ficando sujeito a falhas”, explica o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino. No ano passado, 45 mil brasileiros usaram o sistema biométrico para votar. A aceitação foi natural, já que a biometria está cada vez mais presente em nossas vidas, seja em caixas eletrônicos ou para acionar sistemas de segurança. A expectativa do governo é levar a tecnologia a todo o País até o pleito de 2018, quando seremos 150 milhões de eleitores. De acordo com o TSE, o sistema de leitura da impressão digital foi escolhido por estar na média: tem um bom grau de confiabilidade e seu preço é competitivo. Aparelhos mais seguros, como os que se baseiam no reconhecimento da íris, são mais caros. O motivo é simples: enquanto o desenho dos olhos permanece o mesmo ao longo da vida, as impressões digitais se desgastam com o tempo. “Esse sistema reconhece a pessoa pelo desenho das linhas dos dedos. Com a idade, elas podem enfraquecer, dificultando o processo”, explica Fábio Leto Biolo, diretor da empresa de segurança biométrica Smartsec. Segundo o coordenador de logística do projeto da urna biométrica, Rafael Azevedo, o sistema que está sendo implantado no Brasil é sofisticado o bastante para driblar digitais desgastadas. “Nosso desafio foi encontrar um sistema capaz de reconhecer tanto os dedos de um acadêmico quanto os de um trabalhador rural. Alcançamos 99% de acerto”, argumenta. O uso da tecnologia no processo eleitoral já é comum em países como Japão, Holanda, Bélgica e Austrália. Porém, o Brasil é pioneiro no uso da biometria. “A tecnologia que usamos nas eleições foi desenvolvida para nossas necessidades”, afirma Giuseppe Janino, do TSE. Ainda segundo a assessoria do órgão, 200 mil urnas biométricas foram encomendadas, ao custo de quase R$ 243 milhões. Um valor alto, mas extremamente pequeno quando o que está em jogo é a segurança do processo eleitoral.
FUTURO
Eleição de 2018 poderá ser 100% biométrica
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