Comportamento
|  N° Edição:  2130 |  03.Set.10 - 21:00 |  Atualizado em 10.Fev.12 - 21:53

Viciados em smartphone

Fascinados pela chance de ler e-mails e entrar em sites pelo celular, jovens criam dependência similar à do uso de drogas

Luciani Gomes

chamada.jpg
INSTANTÂNEO
As amigas Maria Eduarda, Jessica e Giovanna: mensagens trocadas até durante a aula da faculdade

Quem tem smartphones como BlackBerry e iPhone sabe como é difícil resistir a duas tentações acopladas em um mesmo produto: o telefone e o computador. Aos poucos, os brasileiros repetem o que já acontece em países desenvolvidos: trocam o convívio real com pessoas em bares, restaurantes, reuniões de trabalho, salas de aula e até festas pelo contato virtual em celulares, nos quais podem ler e-mails, entrar em sites, mandar torpedos. Quem está de fora geralmente reclama, com razão. Psicólogos e cientistas alertam para o novo fenômeno de massa, a escravidão virtual. E, não por acaso, esses usuários estão começando a ser chamados de “Geração CrackBerry”, numa alusão à droga crack e ao smartphone mais vendido no mundo, o BlackBerry.

O empresário carioca Marcelo Magalhães, 32 anos, sabe o que é isso. Ele tem um iPhone e um BlackBerry. Magalhães mal acorda e confere suas mensagens. Claudia Mello, 37 anos, promoter no Rio de Janeiro, até já desenvolveu uma estratégia: em lugares públicos, foge para o banheiro para atualizar sua caixa de entrada em paz. “Fico nervosa com aquele vermelhinho de e-mail piscando”, diz, referindo-se à luz vermelha que avisa a chegada de uma nova mensagem. Uma nova pesquisa da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, comprovou a dependência desse equipamento. Dos jovens entrevistados, 69% disseram ser mais provável esquecer a carteira do que o celular, 75% já tinham adormecido com o iPhone na cama, 71% disseram já ter usado o aparelho para evitar fazer contato visual e 36% admitiram que ouviram reclamações pelo uso excessivo do smartphone. Um estudo de 2006 da Rutgers University, de Nova Jersey, revelou que um terço dos usuários de BlackBerry mostrava sinais de vício similares aos de alcoólatras.

Criados para otimizar o tempo e diminuir a dependência de um escritório fixo, os smartphones são símbolo de uma era em que “fazer-tudo-ao-mesmo-tempo-agora” é necessário para dar conta das muitas obrigações pessoais e profissionais. Mas o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Hospital das Clínicas de São Paulo, alerta para o fato de que o cérebro precisa de momentos de relaxamento. “A superestimulação pode gerar um quadro semelhante ao de estresse”, diz ele. Engana-se quem pensa que joguinhos, Twitter e sites de relacionamento configuram descanso. Nada disso relaxa, diz Abreu, que compara o fascínio pelo cigarro das gerações passadas ao vício em celulares atualmente.

G_smartphone.jpg

Os smartphones ainda não são utilizados em massa no Brasil, mas em apenas um ano as vendas cresceram 69,2%, segundo dados da consultoria Gartner. As amigas Maria Eduarda Souza, 20 anos, Jessica Resnick, 19, e Giovanna Nadruz, 20, trocam mensagens entre si durante as aulas na faculdade. Jessica usa seu smartphone como despertador, passa-tempo, computador etc. “É viciante mesmo”, admite. O estudante Roberto Neto, 20 anos, não acredita que vá ficar dependente de seu BlackBerry como seu amigo Bernardo Zerkowski, da mesma idade, que “surta” sem seu iPhone. “Tenho o aparelho há dois anos e hoje não me adaptaria a um celular normal”, diz Bernardo. Quem estiver em dúvida sobre quão grave é seu caso, pode baixar o aplicativo I Love BlackBerry, que calcula quantas horas o usuário deste aparelho gasta com ele. E descobrir se pertence à “Geração CrackBerry.”

img.jpg
CONEXÃO
Roberto tem  BlackBerry e Bernardo um iPhone: geração criada com smartphone

Lucio

EM 12/09/2010 00:23:27

No momento ando usando bastante para acessar notícias, twitter (apesar de não ter um cadastro) e blogs sobre eleições.Passada essa fase - com Dilma eleita, espero - não terá muita utilidade nesse aspecto.O que fica são livros,textos sobre temas variados,história,etc. sempre ao alcance das mãos.


Marcio Candiani

EM 09/09/2010 23:03:23

Nem tenho um smartphone, mas assustou-me a reportagem pelo tempo que deixamos de ficar com a família, amigos e colegas para ficar na internet - com smarthpnones, pelo notebook, netbook ou qualquer outro.


George Rocha

EM 09/09/2010 06:52:01

Eduardo. A verdade é, NÃO há necessidade de ser comprado um iPhone ou BlackBerry. Minha filha e esposa tem estes citados, mas na hora de ver filmes, pedem meu MOto Q11 emprestado, porque eu instalei o DivX Player e a resolução é melhor do que a dos concorrentes.


George Rocha

EM 09/09/2010 06:45:20

André. Há solução mais barata e independente. Com apenas 600 reais consegui resolver o problema. Sou piloto de avião e não tenho tempo para aulas presenciais. Estudo no meu smartphone Motorola Q11, com videos de aulas de Física e Inglês, 29 filmes, 144 músicas preferidas, manuais, etc..


George Rocha

EM 09/09/2010 06:24:43

http://www.youtube.com/watch?v=g7_mOdi3O5E&feature=player_embedded para os que estão viciados em smartphones, a cura nem passa pelas fabricantes de celulares. Veja no link acima o que já em fase de teste para 2014.





publicidade
índice de matérias edições anteriores edições especiais assine a revista

© Copyright 1996-2011 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.