Rédeas do cinismo
Wesley Duke Lee/ Pinakotheke Cultural, RJ/ até 2/10
Nina Gazire
A inauguração da Rex Gallery & Sons, em junho de 1966, e seu encerramento, em maio de 1967, foram dois grandes happenings que chacoalharam a até então pacata vida cultural paulistana. Uma abertura com direito a cordões carnavalescos e a distribuição gratuita de trabalhos no fechamento são os dois marcos da breve, porém intensa, existência do Grupo Rex, que será lembrado em uma sala da 29ª Bienal de São Paulo. Seu mentor intelectual, Wesley Duke Lee, ganha também uma retrospectiva de sua obra no Rio de Janeiro. A exposição na Pinakotheke Cultural dedica quatro salas para a exibição de 60 obras realizadas entre os anos 50 e 90. A mostra é uma oportunidade para visualizar uma trajetória que parte do desenho e da pintura, passa pela publicidade, pela performance e chega em obras Já a personalidade performática e controvertida do artista é lembrada em texto de Nelson Leirner, publicado no livro que acompanha a mostra. “Vejo Wesley como um visionário. Ele atuava como uma espécie de comandante”, escreve o parceiro do Grupo Rex. “Foi o Wesley quem escreveu praticamente todos os dez mandamentos do Grupo Rex. Era ele quem tomava as rédeas do cinismo”, aponta Leirner.
que podem ser definidas como pintura-instalação. Entre os destaques da mostra, algumas aquarelas da “Série das Ligas”, de 1960, feitas em homenagem a Lydia Chamis, seu primeiro grande amor, e a instalação “A Zona: Considerações. Retrato de Assis Chateaubriand” (1968) (foto). Seu pioneirismo no campo da performance está representado em uma obra rara e inédita: um making of fotográfico de performance realizada pelo artista pelas ruas do centro de São Paulo, filmada por Otto Stupakoff. O filme desapareceu, mas a sequência fotográfica foi transformada em uma apresentação audiovisual para a mostra.
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