centenário
|  ISTOÉ Online |  01.Set.10 - 12:11 |  Atualizado em 11.Fev.12 - 11:05

Corinthians: o time do povo completa 100 anos

Confira detalhes sobre a história, os títulos e os ídolos da fiel

AE

04034943.jpg 

O Corinthians é o primeiro grande clube da capital paulista a completar 100 anos. E não deixa de ser simbólico o fato de justamente o mais popular integrante do Trio de Ferro atingir essa marca antes que os rivais Palmeiras e São Paulo. O Corinthians nasceu como a expressão do proletariado. Na noite de 1.º de setembro de 1910, cinco operários, descendentes de italianos e espanhóis, reuniram-se na esquina das ruas José Paulino e Cônego Martins e decidiram criar um time de futebol. O nome sugerido foi Corinthians, inspirado nas exibições do Corinthian Team, melhor equipe amadora da Inglaterra, que excursionou pelo Brasil um mês antes. Por falta de papel, a primeira ata teria sido registrada no alto de uma palheta, à luz de um lampião. Nada mais corintiano. O primeiro presidente, Miguel Bataglia, previu, entusiasmado: "O Corinthians é o time do povo, e é o povo que vai fazer o time". Não podia estar mais correto.

100 anos de história
O primeiro jogo aconteceu dez dias depois: derrota por 1 a 0 para o União da Lapa, um dos principais times da várzea na época. O primeiro gol veio em 14 de setembro, marcado por Luiz Fabbi, na vitória por 2 a 0 sobre o Estrela Polar. De jogo em jogo na várzea, o Corinthians foi crescendo e ganhando cada vez mais ambição. Para disputar os campeonatos oficiais, a equipe teve que disputar dois jogos eliminatórios. Ganhou os dois e foi admitido na Liga Paulista de Futebol em 1913. O primeiro título veio no ano seguinte: o do Campeonato Paulista, com dez vitórias em dez jogos. Começava ali o reinado estadual. O Corinthians é, 97 anos depois de sua primeira taça, o maior vencedor do Campeonato Paulista, com 26 conquistas.

Anos 40
Em 1940, o time "ganhou" uma nova casa, o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, maior e mais confortável que sua residência oficial, o Alfredo Schurig, no Parque São Jorge. E foi ali que o Corinthians experimentou seu primeiro período de vacas magras, ficando dez anos, de 1941 a 1951, sem conquistar o Paulista. Em 1950, o presidente Alfredo Ignácio Trindade exigiu a renovação da equipe, que passou a contar com vários garotos da base revelados na várzea paulistana. Com craques como Gilmar, Luizinho, Cláudio, Baltazar e Carbone, o Corinthians virou o jogo e viveu uma época de glórias, com três títulos paulistas (o terceiro deles valendo a taça do IV Centenário da cidade de São Paulo, em 1954), três do Rio-São Paulo, o da pequena Taça do Mundo, na Venezuela, e duas Taça dos Invictos.

Anos 50 e 60
Diz o ditado que "alegria de pobre dura pouco", e uma nova carga de sofrimento testaria os corintianos. A partir do meio dos anos 50, o Corinthians atravessou mais de duas décadas de tormentas, jejum de títulos e freguesia para os rivais, especialmente o Santos, de Pelé. Com uma coleção de fiascos, o time ganhou em 1961 o apelido de "Faz me rir", título de um bolero da cantora Edith Veiga. As duas únicas alegrias dos anos 60 foram o surgimento do meia Rivellino, considerado por muitos até hoje o maior jogador da história do clube, e a quebra do tabu de 13 anos sem vitórias sobre o Santos, no Paulista de 1968.

Anos 70
O sofrimento perdurou por boa parte da década de 70, com direito a dois "quase": o time perdeu as finais do Paulista de 1974, para o rival Palmeiras, e do Brasileiro de 1976, para o Internacional. Já era clássica a gozação dos rivais sobre a falta de títulos. Diversas paredes de botecos eram preenchidas com cartazes provocativos: "Fiado, só quando o Corinthians for campeão". E o tão sonhado dia chegou depois de 22 anos, oito meses e sete dias. Na noite de 13 de outubro de 1977, o meia Basílio aproveitou um rebote da zaga da Ponte Preta e, de bate-pronto, estufou a rede do gol do Morumbi. O apito final do árbitro Dulcídio Wanderley Boschilla deu início a uma explosão festiva sem precedentes: o "Time do Povo" voltava a fazer o corintiano sorrir.

Anos 80
O gigante acordou e mergulhou logo em seguida numa experiência única e vanguardista. Em 1981, em plena ditadura militar, os jogadores e a diretoria, presidida por Waldemar Pires, articularam um movimento que pregava maior participação dos atletas nas decisões referente ao futebol. Foi abolida a concentração para os solteiros, e até mesmo a agenda de treinos e o esquema tático do time eram escolhidos através da maioria de votos. Comandada por craques como Sócrates, Casagrande e Wladimir, a revolução democrática foi coroada com um bicampeonato paulista. O período ficou conhecido como "Democracia Corintiana".

Anos 90
O Corinthians já era hegemônico em São Paulo, mas faltava conquistar o Brasil - a ausência de títulos nacionais era a nova fonte de gozação dos rivais. O jejum foi quebrado em 1990, com a conquista do inédito Campeonato Brasileiro com um time comandado pelo meia Neto. Começou ali a década mais vitoriosa da história do clube, coincidindo, também, com a gestão de Alberto Dualib, que assumiu a presidência em 1993. O time foi três vezes campeão do Paulista, três do Brasileiro, uma da Copa do Brasil e ainda ganhou o primeiro Mundial de Clubes oficialmente organizado pela Fifa, em 2000, no Brasil.

Anos 2000
As conquistas, no entanto, afloraram a vaidade de Dualib, que se manteve no cargo por 14 anos e amarrou o clube a parceiros de moral duvidosa, como a MSI (Media Sports Investiment). Representado pelo iraniano Kia Joorabchian, esse grupo firmou em dezembro de 2004 o arrendamento do departamento de futebol profissional corintiano, em troca da promessa de investimento constante para formação de grandes times. Como cartão de boas vindas, a MSI executou a contratação mais cara de todos os tempos do futebol brasileiro: cerca de US$ 20 milhões para trazer do Boca Juniors o atacante Carlitos Tevez. O argentino adaptou-se rapidamente ao Corinthians e logo de cara caiu no gosto da Fiel. Sob sua batuta, o time conquistou mais um Brasileiro, o de 2005.

Mas, em meio às vitórias no campo, nos bastidores houve um choque de ideias entre Dualib e Kia, que resultou na saída da MSI, dois anos mais tarde. O presidente também renunciou ao cargo depois de levar o clube às páginas policiais: foi descoberta uma verdadeira indústria de notas frias no Parque São Jorge. O reflexo da turbulência foi o rebaixamento para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, algo antes inimaginável pela força do clube.

Em outubro de 2007, o ex-diretor de futebol de Dualib, Andrés Sanchez, assumiu a presidência do Corinthians e mudou o estatuto do clube, ordenando o fim das reeleições e a escolha do mandatário pelos sócios. Numa manobra ousada, o cartola contratou em dezembro de 2008 o atacante Ronaldo, maior artilheiro da história da Copa do Mundo, que se recuperava da nova cirurgia no joelho. As atenções de todo o mundo se voltaram para o time, que conquistou mais um Paulista e sua segunda Copa do Brasil. Mas ainda faltam dois sonhos corintianos virarem realidade: a conquista da Libertadores e a construção de um estádio próprio. Capítulos para um segundo centenário.

Títulos
São mais de 100 títulos, segundo o site oficial do clube. Alguns de maior expressão, outros que, provavelmente, até os jogadores que participaram da conquista não se lembram. Não importa. Em 100 anos de história, a torcida do Corinthians ficou conhecida por comemorar cada uma das conquistas como se fosse a mais importante.

Tanto é verdade, que um clube que possui título mundial e brasileiro tem como seu êxito mais marcante para boa parte dos torcedores um Campeonato Paulista, o de 1977. Depois de quase 23 anos, os corintianos puderam, finalmente, voltar a gritar "é campeão".

Foram 26 títulos paulistas ao todo, com três tricampeonatos (1922/23/24, 1928/29/30, 1937/38/39), tornando-se recordista de conquistas estaduais.

Apesar das inúmeras conquistas estaduais, o primeiro título nacional veio apenas em 1990. E quando menos se esperava. Após uma fraca performance no Paulistão, o Corinthians fez uma campanha sofrível no Brasileirão, mas classificou-se na sétima colocação. Então, sob a batuta de Neto, foi avançando até chegar à final, contra o São Paulo, quando, com um gol de Tupãzinho, venceu a segunda partida por 1 a 0 e levou a taça para casa.

Os outros três títulos brasileiros tiveram roteiro parecido. Contando com elencos cheios de astros, o Corinthians sagrou-se campeão em 1998, 1999 e 2005. Nos dois primeiros, sob o comando de Marcelinho Carioca, o clube bateu Cruzeiro e Atlético-MG nas decisões, respectivamente. Já em 2005, em campeonato marcado pela anulação de jogos por conta do escândalo envolvendo o ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho, foi o argentino Tevez quem liderou a campanha vitoriosa.

Entre tantas conquistas, porém, está aquela que "ninguém quer ter". Com a queda para Série B do Brasileiro em 2007, o clube montou um projeto ousado, trouxe o já vitorioso técnico Mano Menezes e montou um elenco de Série A para disputar a segunda divisão. O resultado foi um título tranquilo, com quatro rodadas de antecedência.

Oito anos antes, o Corinthians conquistava seu título de maior expressão. Após passar por Raja Casablanca, por 2 a 0, empatar com Real Madrid, por 2 a 2, e vencer o Al-Nasr, também por 2 a 0, os corintianos chegaram à decisão do primeiro Mundial de Clubes organizado pela Fifa. Diante de mais de 73 mil pessoas no Maracanã, Edmundo errou o último pênalti para o Vasco, após empate por 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, e o troféu foi para o Parque São Jorge.

Ídolos
Talvez o primeiro a conquistar os corintianos por sua determinação tenha sido Idário. Apelidado de "Deus da Raça", o médio-direito atuou por dez anos com a camisa do clube e era um dos mais queridos pela Fiel nos anos 50. Zé Maria, alguns anos mais tarde, seguiu seu exemplo. Também atuando pelo lado direito do campo, o lateral ficou conhecido como "Super Zé", devido ao seu vigor físico.

Ainda durante a "Democracia Corintiana", no início dos anos 80, o meio-campista Biro-Biro se consagrou com seu estilo de pouca técnica, mas muita disposição, que conquistou a torcida. Sempre disposto a ajudar, o jogador chegou a atuar em todas as posições do campo, exceto no gol.
De baixo das traves corintianas, aliás, jogou Ronaldo. Titular do gol corintiano por dez anos, entre 1988 e 1997, ele viveu um caso de amor e ódio com a torcida, graças à suas grandes defesas, que contrastavam com seu temperamento explosivo.

Além de jogadores voluntariosos, a torcida corintiana sempre gostou daqueles que eram decisivos, que cresciam e apareciam nos momentos mais complicados. O que teria sido da história do clube se não fosse o gol de Basílio, que encerrou um jejum de títulos que durava quase 23 anos, na final do Paulista de 1977? O chute do jogador, que havia sido contratado para ser o substituto de Rivellino, libertou o grito de toda uma geração de corintianos.

Pouco mais de dez anos depois, outros dois atacantes ficaram marcados por terem feito gols decisivos. Em seu segundo jogo como profissional, Viola marcou o gol que deu o título paulista de 1988 ao clube. Já Tupãzinho estava na hora certa e no lugar certo para garantir a conquista do Brasileiro de 1990, primeiro da história corintiana.

Já na década de 50, um trio ofensivo caiu nas graças da torcida. Baltazar, o "Cabecinha de Ouro", Luizinho, o "Pequeno Polegar", e Cláudio, o maior artilheiro da história do Corinthians (306 gols), eram os pilares da equipe que conquistou o último título antes do longo jejum: o do Paulista de 1954.

Rivelino

No maior período de seca da história do clube surgiu aquele que talvez tenha sido o maior ídolo corintiano até hoje. Roberto Rivellino, campeão mundial com a seleção em 1970, nunca conquistou um título de expressão no Corinthians. Mesmo assim, é até hoje venerado pela Fiel, que reconhece a injustiça cometida em 1974, quando o responsabilizou pela perda do Paulista, para o Palmeiras, e fez com que o jogador se transferisse para o Fluminense.

No início da década de 80, apareceram diversos ídolos em um mesmo time. Zé Maria, Wladimir, Biro-Biro e Casagrande. Todos eram venerados pelo torcedor. No entanto, um deles sempre se sobressaiu. Sócrates era um dos líderes da "Democracia Corintiana". Inteligente dentro e fora de campo, foi determinante na conquista de dois títulos do Paulista, em 1982 e 1983.

No começo dos anos 90, o clube alçou voos mais altos, ao ganhar o título brasileiro. Mas a primeira conquista nacional corintiana não aconteceria se não fosse por Neto. O "Xodó da Fiel" foi decisivo com sua categoria e precisão nas bolas paradas. O desempenho naquele campeonato é lembrado até hoje e fez com que o jogador recebesse, em votação online realizada pela Câmara Municipal de São Paulo, o título de "Craque Inesquecível" do Corinthians.

Ao fim da "era Neto" foi contratado aquele que é o mais vitorioso jogador da história do Corinthians. Entre polêmicas dentro e fora de campo, Marcelinho Carioca conquistou a torcida com seus passes, chutes e lançamentos. Sempre demonstrando vontade de defender a camisa que, segundo ele, era sua "segunda pele", foi decisivo na conquista de dois títulos do Brasileiro, um da Copa do Brasil, quatro do Paulista e um do Mundial.

Com os jogadores permanecendo cada vez menos tempo em um mesmo clube, a relação entre ídolos e torcida mudou. Passaram a ser idolatrados não só aqueles que marcavam época, mas também os que se destacavam mesmo que fosse por um curto espaço de tempo.
Tevez e Ronaldo estão entre estes casos. O primeiro veio jovem, mas já consagrado, do Boca Juniors. Com muita raça, gols e polêmicas, o atacante argentino destacou-se no Brasileiro de 2005, quando foi campeão e caiu nas graças da Fiel. Logo depois, porém, foi embora para o futebol inglês.

Sem o preparo físico de antes, Ronaldo chegou ao clube com desconfiança. Mas, com muito poder de superação, surpreendeu a todos mais uma vez, levando o Corinthians aos títulos do Paulistão e da Copa do Brasil em 2009. Ele ainda conta com a confiança dos torcedores e, mesmo sem conseguir repetir as atuações do ano passado, é capaz de lotar o Pacaembu só com a sua presença em campo.


Festa para 100 mil
Superando todas as expectativas, o torcedor do Corinthians compareceu em massa para a festa da virada do centenário no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Segundo a Polícia Militar, mais de 100 mil pessoas estiveram no evento. Os organizadores esperavam 50 mil. E com a presença de grandes ídolos do clube, contaram os minutos até a meia-noite, quando a mudança no relógio marcou o centenário do Corinthians e iniciou uma grande queima de fogos de artifício.

Ronaldo foi o grande aplaudido da noite na comemoração popular. O Fenômeno entrou no palco por volta das 22 horas e recebeu o título de cidadão paulistano, concedido pela Câmara Municipal. Ao som da música feita pelo cantor Marcelo D2 em sua homenagem, ele foi apresentado pelo ex-jogador Neto. No telão, imagens de lances e gols do atacante com a camisa do Corinthians. A cada bola na rede que o vídeo mostrava, Neto soltava o grito de gol, chamando a torcida a fazer o mesmo junto com ele.

O ex-jogador, aliás, roubou a cena. Com uma camisa modelo retrô, preta com listras brancas, igual à usada pelo Corinthians na conquista do Campeonato Paulista de 1977, que marcou o fim do jejum de títulos, Neto fez de tudo. Comandou os artistas, exaltou ídolos do passado, comandou o público. "Aqui é Corinthians", gritava.

Tensão
Mas nem tudo foi festa no Anhangabaú. Horas antes do evento, a Polícia Militar recebeu uma denúncia de que uma possível bomba havia sido colocada na região, dentro de uma mochila. Mas o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) fez uma varredura no local e detectou que não havia nenhum artefato explosivo. Cerca de 400 policiais trabalharam na segurança.

Durante o show, um princípio de tumulto ocorreu quando Ronaldo apareceu. As pessoas próximas do palco tentaram invadir um espaço reservado à imprensa, mas foram contidas pela PM. Não houve feridos. A comemoração entrou pela madrugada.

Nesta quarta, dia do centenário, a festa continuará pelas ruas da cidade. O Corinthians convocou todos os torcedores a sair de casa com uma camisa do clube e colocar bandeiras nas janelas dos apartamentos. A partir das 18 horas haverá uma concentração na esquina da rua José Paulino com a rua Cônego Martins, no bairro do Bom Retiro, local onde ocorreu a reunião de fundação do clube. Pouco depois haverá um ato simbólico de revitalização do marco zero do Corinthians, com a presença de ídolos e jogadores.

Renan

EM 01/09/2010 20:07:23

Uma pessoa morta, vários pessoas feridas e carros apedrejado, isso que é festa de 100anos?


Mônica Santos

EM 01/09/2010 17:07:13

Credo, não sei porque fazer tamanha festa para um time que não tem nem uma influência boa ao Brasil, destruir patrimonio historicos com simbolos sem conteúdo nenhum.





publicidade
índice de matérias edições anteriores edições especiais assine a revista

© Copyright 1996-2011 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.