A ONU recomenda: coma insetos
Pode parecer absurdo, mas a entidade assegura que eles são mais nutritivos e baratos - e ainda podem ser a solução para a crescente demanda por carne
André Julião
O futuro da alimentação pode estar nas mãos – ou melhor, nas patas e asas – dos insetos. Esses invertebrados, normalmente associados à sujeira e ao lixo, têm agora a chancela para consumo da FAO, organização para alimentação e agricultura da ONU. O órgão já realizou um encontro sobre o tema em 2008, na Tailândia, e planeja um novo congresso, mais amplo, em 2013. O motivo é simples e urgente. As criações de bois, porcos e cabras ocupam dois terços das terras que podem produzir alimento no mundo. Além disso, o gado é responsável pela emissão de 20% dos gases do efeito estufa. Segundo estimativas, em 20 anos o consumo anual de carne vai saltar de 50 para 80 quilos por pessoa. “Insetos são muito mais eficientes do que gado”, disse à ISTOÉ Arnold van Huis, autor do estudo chancelado pela FAO e especialista em insetos da Universidade Wageningen (Holanda). Ele explica que, enquanto são necessários dez quilos de grãos para obter um de carne de vaca, a mesma quantidade de insetos demanda apenas 1,5 quilo de ração. Vários estudos indicam ainda que os pequenos animais contêm os mesmos nutrientes encontrados na carne de boi, porco, aves e peixes. “A diferença é que alguns insetos têm o dobro de proteínas”, afirma Eraldo Medeiros Costa Neto, pesquisador da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia. Segundo o brasileiro, o hábito de comer insetos é comum em mais de 120 países. Grilos, gafanhotos e larvas de diversas espécies são iguarias em países asiáticos e da África. Em restaurantes de Londres, Paris e Tóquio, eles compõem pratos sofisticados. No Brasil, vários grupos consomem larvas e bichos adultos. No semiárido baiano, por exemplo, a farofa de tanajuras fritas é um prato típico. Como qualquer alimento, os insetos exigem certos cuidados. Nem todos podem ser comidos, pois são venenosos ou contêm outras substâncias tóxicas. Mesmo assim, 1,5 mil espécies comestíveis existem no mundo. Afinal, eles não são tão estranhos assim. Basta lembrar que Marco Polo comeu gafanhotos em sua viagem à China.
Confira a reportagem em vídeo no player acima


EXTREMOS
Enquanto o chinês devora espeto de gafanhotos, outros
insetos viram iguaria em restaurantes estrelados (acima)
Anderson Felipe
EM 13/09/2010 22:27:18
Bem enteresante o artigo, não é tão absurdo o fato de comer insetos, se a china que tem um dos maiores indices de pessoas com 100 anos, uma de suas especiarias são baratas, escorpiões, dar até pra levar em conta o fato que esses pequenos seres vivos podem nos alimentar.
Rogaciano
EM 13/09/2010 13:18:34
E porque não uma alimentação vegetariana? não é mais simples e saudável?
Carlos Costa
EM 01/09/2010 21:14:09
Quando se anuncia a escasses dos recursos naturais, quer seja pela degradação das fontes de geração, quer seja pela demanda cada vez maior, a busca de alternativas se apresenta como uma opção em prol da sobrevivência da espécie humana.
Brenda
EM 31/08/2010 10:12:43
É sempre assim! Quando algo está saindo do controle, a maioria da população pobre que tome as medidas amenizadores enquanto os ricos continuam aproveitando.
Brenda
EM 31/08/2010 10:11:28
Isso é mais um papo para que os pobres sigam e os ricos se beneficiem! Enquanto os pobres vão encher o bucho de gafanhoto, os ricos vão sempre se deliciar com uma bela picanha. Ou alguém tem a ilusão de que o consumo de carne vai parar?
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