Vale tudo
Celebridades e quase celebridades invadem o horário eleitoral apostando que o eleitor já não suporta os políticos tradicionais
Fabiana Guedes
Assista abaixo os melhores momentos do debate entre os candidatos realizado nos estúdios de IstoÉ Eles estão em busca de novos palcos. Alguns já encerraram suas carreiras. Outros constatam, tristemente, que jamais serão populares como nos áureos tempos. Também há aqueles que mal chegaram a disputar um posto de celebridade e se depararam com sinais inequívocos de que o caminho para o estrelato foi tão curto quanto será efêmero. Em todo ano eleitoral a história se repete: um batalhão de ex-famosos e de quase famosos surge nos horários políticos batalhando pelo voto do eleitor brasileiro. É inerente à democracia que qualquer cidadão tem direito de postular um cargo eletivo, mas a profusão de inusitadas candidaturas acaba passando a ideia de absoluta falta de critérios. “É do jogo”, ensina o cientista político Gaudêncio Torquato: “As candidaturas são legítimas, mesmo que acabem funcionando como anzóis para os interesses partidários.” O cardápio de opções deste ano parece mais amplo. Para eventuais saudosos do boneco Fofão, tem a ex-“Balão Mágico” Simony (PP), candidata a deputada estadual por São Paulo. Aos que não abrem mão da tradição, Sérgio Reis (PR) pode ser opção para a Câmara Federal. Myrian Rios (PDT) avisa aos navegantes que já não responde como atriz e quer distância daquela imagem estampada em revistas masculinas. Ela é missionária e concorre a deputada estadual. A categoria “Mulher Fruta”, a novidade deste pleito, é representada pelas funkeiras Suelem Mendes Silva (PTN), a Mulher Pêra, e Cristina Batista (PHS), a Mulher Melão, ambas candidatas a deputada federal. Entre um sem-número de esportistas surge o ex-boxeador Maguila, que espera receber “votos de gratidão”. “Como não têm mais espaço na tevê, as ex-celebridades buscam na política uma nova forma de estar em contato com o público”, nota Torquato. As motivações declaradas para estrear na política são variadas. A Mulher Pêra, por exemplo, diz que sempre gostou de “ajudar os outros” e que, por isso, decidiu investir na política. “Durante meus shows a gente perguntava se as pessoas tinham candidato e elas nunca sabiam em quem iam votar. Então o presidente do partido me convidou e eu topei”, explica. A Mulher Pêra acredita que seu papel será o de “fazer leis para o governo”. O costureiro Ronaldo Ésper (PTC), que concorre a vaga para deputado federal e promete “agulhar os políticos em Brasília”, não quer ser considerado “uma figura folclórica”. “Tenho projetos consistentes. Não quero que pensem que sou oportunista nem que me comparem a personagens, como um Tiririca”, avisa. Mas nem Tiririca quer ser comparado a Tiririca. O humorista já avisou que, no Congresso, será conhecido apenas como “Everardo”, seu verdadeiro nome. “Vou ter o voto dos que gostam do meu trabalho e o voto de protesto também. As pessoas estão de saco cheio da política”, acredita Tiririca, que não se despe do personagem para fazer campanha. A lógica de Tiririca faz sentido, segundo os cientistas políticos. “A política é tão desacreditada e os partidos são tão iguais que as pessoas acabam votando por simpatia”, diz Torquato. A fórmula só não é garantia de sucesso, como comprovam os resultados das eleições passadas. Em meio a um mar de celebridades, apenas o cantor Frank Aguiar, o estilista Clodovil Hernandez, falecido no ano passado, e o filho do apresentador do SBT, Ratinho Júnior, conseguiram uma vaga na Câmara dos Deputados. 
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NICHOS
O humorista Batoré, a funkeira Mulher Pêra, o cantor
Juca Chaves e o estilista Ronaldo Ésper: atrás do voto

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