Preso, mas livre de carbono
Alto custo econômico e ambiental dos presídios torna construção de novas unidades e cuidado com os presos cada vez menos agressivos ao planeta
André Julião
O custo de manter milhares de criminosos presos não é alto apenas para os cofres públicos, mas também para o ambiente. No Brasil, cada encarcerado custa em média R$ 1,2 mil por mês aos contribuintes. Embora o preço para o planeta ainda não tenha sido calculado, é de se imaginar que os gastos com eletricidade, água e alimentação, além da emissão de carbono, gerem um impacto ambiental tremendo. Segundo dados recentes do Departamento Penitenciário Nacional, a população carcerária do País é de 473.626 pessoas. Enquanto por aqui começam os primeiros movimentos para reduzir essa grande despesa econômica e ambiental, nos EUA e em outros países as prisões “verdes” são uma realidade. O Estado americano de Washington deu um importante passo nesse sentido em 2002. O governador à época, Gary Locke, determinou que as prisões deveriam aumentar a economia de energia e água, limitar a produção de lixo, aumentar a reciclagem e, por fim, só construir novos presídios de acordo com práticas sustentáveis. Além disso, graças a um acordo com a faculdade estadual Evergreen, os presos de Washington têm cursos profissionalizantes para realizar empreendimentos sustentáveis, fazem compostagem de lixo e ainda colaboram em projetos científicos, como o de repovoação de áreas naturais com espécies ameaçadas. Outros países, como Noruega e Eslováquia, também possuem presídios que se aproximam desse modelo, mas nos EUA as práticas estão se tornando sistemáticas. Em 2005, por exemplo, a cidade de Butner, na Carolina do Norte, inaugurou o primeiro edifício com a certificação Leed, uma das mais importantes tratando-se de construções com baixo impacto ambiental. As autoridades garantem que todos os novos presídios federais serão certificados. Só no Estado de Washington já são mais de 30. O Brasil apenas engatinha nesse processo. Em julho, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul firmou com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural um convênio para a capacitação de presos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira. O projeto, chamado Vida Nova, vai proporcionar o cultivo de uma horta orgânica dentro do presídio, com mão de obra dos internos. De tudo que for produzido, 80% serão comercializados e a renda será revertida em remuneração dos cerca de 100 presos que trabalharão na horta. Os americanos dizem que o objetivo não é apenas reduzir os custos, embora esse seja um fator de peso. “Não queremos apenas economizar dinheiro do contribuinte e recursos naturais, mas também ajudar os criminosos a reconstruir suas vidas – o que é bom para todos”, diz um comunicado oficial do departamento prisional de Washington. Se o objetivo é que não haja reincidência de atos criminosos, que se incluam entre esses os crimes ambientais.
A FAVOR DO PLANETA
A rotina dos presos do Estado americano de Washington inclui o plantio de orgânicos
TRABALHO VERDE
Os cortadores de grama do presídio Monroe, nos EUA,
são manuais e não cospem CO2 na atmosfera terrestre
Claudio Renato zamora Costa
EM 06/09/2011 15:26:42
Chegaremos lá, com determinação e projetos realistas, com idealismo e participação da sociedade e dos gestores, nós que trabalhamos no sistema prisional temos a certeza que nossa luta não será em vão.
Marcelo Venturi
EM 04/09/2010 11:53:33
Isto é fantástico e é o começo para o tratamento dos presos com dignidade. A partir do momento que os mesmos sejam obrigados a produzir e sua renda retorne para suas famílias, além de serem obrigados a "pagar" sua estadia na prisão, o sistema prisional funcionará e os presos serão educados!
Rafael
EM 18/08/2010 15:27:13
No Brasil não conseguimos nem tratar os presos com certa dignidade, quem dirá se preocupar com questões de sustentabilidade. Ficamos na esperança de uma reforma no sistema penitenciário, tributário, agrário...
Rafael
EM 18/08/2010 15:26:46
No Brasil não conseguimos nem tratar os presos com certa dignidade, quem dirá se preocupar com questões de sustentabilidade. Ficamos na esperança de uma reforma no sistema penitenciário, tributário, agrário...
milla
EM 15/08/2010 16:01:17
Na verdade ,são exemplos que devem ser seguidos por todos nós.Toda vez que construirmos algo novo que seja pensando verde.
Ultimas Notícias
publicidade
"Como sanitarista, eu tenho de dizer que é uma questão de saúde pública, não uma questão ideológica"
Eleonora Menicucci, ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, defendendo o direito ao aborto"Em caso de frio intenso, recomendo aos sem-teto que evitem sair de casa"
Nora Berra, secretária de Estado de Saúde da França"Meu marido não pode arremessar a droga da bola e agarrá-la ao mesmo tempo. Não consigo acreditar que eles a deixaram escapar tantas vezes"
Gisele Bündchen, culpando os jogadores do Patriots, time no qual joga seu marido, Tom Brady, pela derrota no Super Bowl
