Música
|  N° Edição:  2127 |  13.Ago.10 - 21:00 |  Atualizado em 25.Mai.12 - 07:49

MPB em ritmo de tango

O músico Victor Biglione regrava clássicos da música brasileira na toada argentina. O casamento deu certo

Eliane Lobato


Ouça a releitura de Victor Biglione da canção "Trocando em Miúdos"

 

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ALQUIMIA
Biglione dá uma definição original de seu trabalho:
nem tango brasileiro nem MPB argentina

Ao ouvir o CD “Tangos Tropicais”, de Victor Biglione, é inevitável se perguntar: por que ninguém fez isso antes? O “isso”, em questão, é simplesmente a recriação de canções da MPB que já carregam o DNA do tango – por serem dramáticas e extremamente sensuais – no ritmo sincopado argentino que nasceu nos subúrbios de Buenos Aires. Mas Biglione não fez aquela releitura básica que consiste apenas em transmutar arranjos. “As Canções que Você Fez Pra Mim”, de Roberto e Erasmo Carlos, por exemplo, foi misturada com “Volver”, do ídolo Carlos Gardel (1890-1935). “Roberto Carlos autorizou na hora”, diz Biglione. O músico também inovou na parte de percussão. “Fui exótico ao acrescentar castanholas, pandeiro, moringa, tabla e cajon aos instrumentos.”

O CD abre com a bela “Trocando em Miúdos”, de Chico Buarque e Francis Hime, e continua com Chico em mais três canções. Nascido em Buenos Aires e “carioca” desde os 5 anos, Biglione recorreu à alma portenha para não cometer abusos ao relembrar o clima do bandeonista Astor Piazolla (1921-1992) e de Gardel, e tampouco descaracterizar os clássicos da MPB que escolheu, como “Esse Cara”, de Caetano Veloso, ou “Se Eu Quiser Falar com Deus”, de Gilberto Gil, entre outros. Claro que não podia faltar Tom Jobim, presente em “Retrato em Branco e Preto” e em “Angela”.

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Da mesma forma, Biglione passou longe da tendência eletrônica usada nas belas releituras de tangos por grupos como Bajofondo ou Gotan Project. “Muy loco” por tango e também por MPB, o produtor do CD, Nelson Motta, afirma que os fãs de tango vão apreciar essa nova linguagem dramática – estejam eles em “Buenos Aires ou no Rio de Janeiro”. Para Biglione, o acasalamento dos ritmos “flui tão bem” porque ele não se preocupou em fazer tango brasileiro ou MPB argentina. Agora, o músico e arranjador parte para a temporada de shows: o primeiro será no dia 3 de setembro na Sala Funarte, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, a data e o local ainda não foram definidos.

VALDIMIR DE CASTRO

EM 15/08/2010 12:19:11

Elegante! Bonito! Envolvente! É uma simbiose tão perfeita que não sei dizer se é música brasileira com toque argentino; ou música portenha com pitada de Brasil... Muito bom! Rebueno!





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