Brasil
|  N° Edição:  2126 |  06.Ago.10 - 21:00 |  Atualizado em 25.Mai.12 - 13:13

Recaída autoritária

O ex-presidente Fernando Collor ocupa a tribuna do Senado para agredir jornalista de ISTOÉ e entidades reagem contra o que chamam de atentado à liberdade de expressão

Mário Simas Filho

chamada.jpg
TERÇA-FEIRA 3
Na tribuna do Senado, Collor ofende repórter de IstoÉ

Às vésperas de deixar a Presidência da República pela porta dos fundos depois de um rumoroso processo de impeachment, o ex-presidente Fernando Collor de Mello exibiu para todo o País uma camiseta com a seguinte mensagem: “O tempo é o senhor da razão.” De lá para cá se passaram 18 anos, os cabelos do ex-presidente ficaram grisalhos, mas a razão parece não ter chegado ao hoje senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Na terça-feira 3, ele ocupou a tribuna do Senado para dizer que obtivera autorização do TRE alagoano para disputar o governo do Estado e, sem a menor preocupação com o decoro parlamentar, passou a ofender o repórter Hugo Marques, de ISTOÉ, que há duas semanas revelara os questionamentos feitos contra a candidatura do senador em razão de problemas com a Justiça. “Trata-se de um verdadeiro ficha suja da imprensa brasileira”, afirmou Collor, referindo-se ao repórter com a mesma agressividade que mostrava na época do Collorgate. “Ele não se vende à verdade; ele se aluga. Ele carece de total credibilidade e recorrentemente mancha a honra do bom jornalismo.” O senador ainda usou outros adjetivos ofensivos, como apedeuta, sicofanta (mentiroso, velhaco) e cáften da mentira, ao se referir ao jornalista. Um discurso que, além de fazer da tribuna do Senado um ringue privado, é covarde, pois usa a imunidade assegurada ao parlamentar para exercer a livre opinião para uma agressão pessoal. “O Senado antigamente era um lugar muito respeitável, onde as palavras eram medidas. O comportamento do ex-presidente é condenável”, afirmou o presidente da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), Roberto Muy­laert. De acordo com ele, “Collor demonstrou que não mudou nada em relação ao comportamento que exibia antes do impeachment”.

O destempero de Collor no plenário do Senado não surpreendeu. Na quinta-feira 29, o senador já havia telefonado para a redação de ISTOÉ em Brasília e ameaçado o jornalista. “Quando eu lhe encontrar vai ser para enfiar a mão na sua cara, seu filho da p...”, disse Collor a Hugo Marques. “Essas são atitudes condenáveis, ainda mais em se tratando de um cidadão que já exerceu os mais altos postos da República”, afirma Júlio César Mesquita, responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão e vice-presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ). “É inadmissível que qualquer candidato a cargo público manifeste tamanho desconhecimento do papel da imprensa nas sociedades democráticas.” Em nota oficial, a ANJ avalia que o comportamento do ex-presidente atenta contra o espírito democrático, o decoro e o respeito às instituições e às liberdades. A entidade “insiste junto às autoridades competentes para que assegurem a plena vigência dos princípios constitucionais de liberdade de expressão e promovam a imediata apuração dos eventuais abusos”.

img.jpg

img1.jpg

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também condenaram a atitude do senador. “Trata-se de uma expressão do coronelismo político. O senador se comporta dessa forma absurda porque tem a certeza da impunidade”, avalia Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Fenaj. “Nada justifica um homem público tentar intimidar e desqualificar o trabalho da imprensa, sem o qual a liberdade de expressão perde o sentido”, disse o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante. Segundo ele, a imprensa desempenha uma função social atuando como consciência crítica da sociedade.

Como defende a ANJ e as demais entidades da sociedade civil, é imperativo que as autoridades competentes, inclusive o próprio Senado, se comprometam a colocar um basta em reações destemperadas como as verificadas na última semana, principalmente em um ano eleitoral. “Discursos como o feito por Collor apenas incitam a violência”, adverte o advogado Adriano Argolo, coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. Um país efetivamente democrático só se constrói com plena liberdade de expressão. A reação do senador Collor a uma reportagem que não lhe era conveniente se assemelha às reações do presidente Collor em 1992, quando estudantes de todo o País pintaram o rosto e ocuparam as ruas pedindo o fim prematuro de seu governo. Em Alagoas, no dia 11, os estudantes voltarão a pintar os rostos em um protesto contra a volta da virulência na política. Como se observa, o tempo é de fato o senhor da razão; pena que não para todos.

celso

EM 25/08/2010 12:34:40

Concordo com o Renan,nós é que colocamos estas pessoinhas la no Congresso, em outubro temos a faca e o queijo na mão para mudar tudo isso, eu vou fazer a minha parte e sinceramente eu espero que muitos eleitores faça a sua parte, porque do jeito que está não pode ficar


Renan

EM 13/08/2010 07:57:53

A gente merece a política que a gente tem hoje nesse país. Não adianta nada ficar criticando as autoridades, pq quem colocam eles lá naquelas cadeira do Congresso somos nós. A política hoje no Brasil é a famosa A Política Do Pão E Circo que acontecia na Roma Antiga.


Jose tadeu

EM 12/08/2010 13:53:09

Seguindo exemplos maiores de outros "SICOFANTAS" APEDEUTAS ele prova que está pronto para ser eleito por um povo não menos comprometido com os atos de políticos desta laia! Alias queria perguntar se o Pedro Simon já digeriu a sopa de letrinhas que o Collorido lhe deu?


goianovip

EM 11/08/2010 13:13:48

Os eleitores alagoanos são um bando de cagões, que ainda elegem um fascínora como esse.


Zé Grilo

EM 10/08/2010 23:57:57

O Collor é um cagão igual todo mundo. Mais cagão é quem votou nele para ficar falando merda no Senado.





publicidade
índice de matérias edições anteriores edições especiais assine a revista

© Copyright 1996-2011 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.