Cinema
|  N° Edição:  2088 |  24.Nov.09 - 17:35 |  Atualizado em 25.Mai.12 - 05:45

Diversos Almodóvar

Autobiográfico, dramático, polêmico e intimista. Assim é o novo filme do cineasta espanhol, "Abraços Partidos"

Natália Rangel

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Volver Almodóvar e Penélope Cruz:
ele fez questão de tê-lano papel da
protagonista Lena

Após trabalharem juntos em quatro filmes, entre eles “Volver” e “Tudo Sobre Minha Mãe”, o diretor espanhol Pedro Almodóvar e a atriz Penélope Cruz comemoram uma nova parceria na produção “Abraços Partidos”, que estreia no Brasil na sexta-feira 20.

É o primeiro trabalho de Penélope depois de sua consagração ao ganhar este ano o Oscar de melhor atriz por sua atuação em “Vicky Cristina Barcelona”. O enredo do novo filme de Almodóvar é denso, dramático e um pouco confuso: um diretor de cinema perde a visão e o amor de sua vida num acidente de carro, tragédia que é o desfecho de um triângulo amoroso envolvendo o cineasta Mateo Blanco (Lluís Homar), a atriz Lena (Penélope Cruz) e um magnata espanhol com quem ela era casada.

A trama se revela umadeclaração de paixão pela arte de filmar, já que boa parte dela gira em torno de uma história que se passa dentro de outro filme – o próprio “Abraços Partidos”. A história acontece em dois planos, antes do acidente que transformou a vida dos envolvidos e 14 anos depois, quando os fatos obscurecidos do passado começam a vir à tona.

Aos poucos, o espectador vai sendo introduzido na história de vida do protagonista Mateo Blanco e se revelam os segredos, o sentimento
de vingança, a traição, as perdas irreversíveis, a troca de identidade e as misérias cotidianas da solidão e do desamparo – temas que Almodóvar aborda com a intensidade das tragédias, mas sem o exagero e o rebuscamento estético que sempre lhe foi peculiar.

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ALTER EGO O ator Lluís Homar
interpreta o cineasta Mateo
Blanco em dois momentos do
filme: na paixão e na cegueira

Orçado em US$ 18 milhões, o filme está sendo avaliado por alguns críticos como uma rendição do cineasta a um formato mais convencional. Mesmo assim, ainda falta uma dose de clareza para esse diretor.

Crítica semelhante em relação às suas soluções que tentam ser fáceis para seduzir o mercado lhe foi feita quando ele vendeu os direitos de seu filme “Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos” para um canal de tevê que o está transformando num seriado.

Como se tivesse transformado esse seu trabalho em uma franquia, ele também o negociou com a Broadway: vai virar musical estrelado pela atriz Salma Hayek. Há quem o elogie e considere “Abraços Partidos” como o marco de uma nova fase na sua carreira, na qual ganha espaço a complexidade do universo psicológico masculino.

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Penélope Cruz: no papel de Lena

De fato, a escolha de um alter ego que é um diretor apaixonado pela profissão não foi gratuita e a trajetória do personagem não é óbvia –a rigor, cria surpresas do começo ao fim. Também não passa despercebido o fato de Mateo Blanco ser um personagem atormentado, ou  seja, uma projeção do próprio estado de espírito atual do diretor.

“Filmei ‘Abraços Partidos’ sob violentas enxaquecas”, diz ele.




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