Comportamento
|  N° Edição:  2088 |  24.Nov.09 - 17:24 |  Atualizado em 25.Mai.12 - 11:36

Funeral VIP

Momento da despedida se torna um evento social caro e sofisticado

Verônica Mambrini

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DEDICAÇÃO Marta, da Funeral Home, cuida para que a família tenha atendimento 24 horas por dia

O luxo chegou ao mercado funerário. Método de rejuvenescimento póstumo, revoada de pombos, empertigados violinistas, carros importados. Tal qual nos Estados Unidos, o Brasil descobriu esse mercado e os profissionais do setor estão se desdobrando para oferecer serviços de alto nível, para que o momento da despedida seja compatível com o estilo de vida do falecido.

Tudo com o objetivo de fazer com que a última lembrança seja a melhor possível. Mesmo com a taxa de óbitos estável nos últimos anos e longevidade crescente do brasileiro, o setor funerário cresceu 15% nos últimos quatro anos. “Nossa alternativa foi oferecer novos serviços para atender a camada da população que busca um serviço de qualidade e pode pagar por ele”, diz Lourival Panhozzi, presidente da Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário. “De dez anos para cá, mudou muito a cultura de funerais no Brasil”.

Mudou mesmo. “Hoje, o funeral é o último grande evento social de uma pessoa”, afirma Nelson Pereira Neto, consultor de funerais especiais do grupo Bom Pastor. Entre os investimentos para atender o público de alto padrão está a aquisição de um Chrysler 300C, no valor de R$ 300 mil. “Em menos de um mês, já tivemos mais duas encomendas”, conta Kennedy Bacarin, da Procópio Limousines, que adaptou o veículo para servir como carro fúnebre.

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LUXO O aluguel do Chrysler 300C é de R$ 2,3 mil

Um dos serviços que mais se sofisticaram nos últimos anos foi a preparação de corpos. “Ninguém quer se apresentar para a sociedade em que viveu de forma pouco digna”, afirma Neto. O grupo tem uma equipe de 36 tanatólogos e 16 reconstrutores e reparadores faciais. A tanatopraxia, técnica para preparação de corpos, é capaz de eliminar odores, reduzir inchaços e melhorar a aparência da pele, eliminando hematomas e rugas. O tratamento é complementado por maquiagem, que elimina a palidez.

No caso de pessoas com olhos fundos ou que perderam muito peso, é possível fazer preenchimento com silicone. “É igual a uma cirurgia plástica. É o mesmo método, mas a pessoa está morta”, afirma Pedro Patussi, proprietário da Tanart. “Hoje em dia a estética na morte é tratada como em vida. O

tratamento do corpo deixa a pele acetinada, macia”, afirma. Há tratamentos também para cabelo e manicure. Dependendo dos serviços, o valor pode chegar a R$ 3,8 mil. As empresas do ramo cuidam de cada detalhe de cerimônias fúnebres mais sofisticadas. A Funeral Home, em São Paulo, oferece cerca de 50 serviços, 26 ambientes e seis salas de velório. “Trouxemos o conceito de ‘funeral home’, de Nova York”, explica a gerente Marta Alcione Pereira. Segundo ela, com a verticalização das cidades americanas, as pessoas deixaram de fazer o velório em casa.

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CERIMÔNIA AMERICANA Os padrões estrangeiros ditam tendências

Na Funeral Home, o valor das salas pode chegar a R$ 6 mil, por um período de 16 horas. “Oferecemos condições para prestar uma homenagem digna à pessoa que faleceu, dentro de um ambiente confortável e elegante.”

Há diversos pacotes de serviços, que podem incluir até a transmissão do velório pela internet. Entre as alternativas, é possível encomendar uma apresentação com fotos do homenageado ou uma revoada de pombos, com cerca de 30 a 40 aves brancas. Há diferenciais como o “bem-velado” (versão do bem-casado), botões de rosa ou velas de soja, ecologicamente corretas. “Essas transformações indicam uma mudança de cultura”, diz Marta. Outros serviços cada vez mais comuns são a contratação de músicos, em especial violinistas.

“Somos facilitadores desse processo de luto. Estamos sempre preparados para as diferentes reações e atitudes, para não julgar e dar atenção total”, afirma a gerente. Se contra a morte não há remédio, pelo menos que ela seja cercada de conforto.

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Douglas

EM 27/12/2011 10:45:29

Parabéns pela reportagem. A matéria diz a realidade. Nos estamos mudando a cultura do "ultimo" adeus!


Veima

EM 20/07/2011 07:40:18

Lamentável a maneira como se trata da essência da Vida. Lendo essa reportagem só me vem à mente o quanto alguns seres mercenários estão distantes da evolução e o pior, nem se dão conta disso.


Fernanda

EM 11/12/2009 18:19:34

Que vergonha!! Uma revista que diz ser tão importante, com jornalistas inteligentes, demonstra que não conhece nada do Serviço Social. Se informem melhor antes de escrever bobagens sobre outras profissões!


Nina

EM 11/12/2009 03:49:21

Esta matéria é lamentável!!! Temos tanta facilidade de acesso ás informações, e somos surpreendidos com a demonstração de total ignorância a respeito de uma profissão como é a do Assistente Social ser citada de forma tão "vulgarizada". Vamos se informar ou pesquisar antes de publicar tais aberrações


Márcia

EM 10/12/2009 21:20:36

Lamentável essa matéria, ao citar um profissional tão importante como o assistente social como mero trabalhador administrativo. A profissão de Serviço Social vai muito além disso, trabalha com a legitimação dos direitos do cidadão, muito diferente do que apenas agendar e avisar sobre velórios.





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