Comportamento
|  N° Edição:  2123 |  16.Jul.10 - 21:00 |  Atualizado em 25.Mai.12 - 07:21

Por que os Beatles acabaram

Livro recém-lançado nos EUA diz que imaturidade, egos inflados e má gestão selaram o fim da banda

Patrícia Diguê

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GRUPO
Da esq. para a dir.: George, John, Paul e Ringo

Quarenta anos depois do fim da banda mais famosa da história da música, os fãs dos Beatles continuam tentando entender quais motivos levaram o quarteto britânico a se separar, tão precocemente, e no auge da fama, em 1970. Uma obra recém-lançada nos Estados Unidos e sem previsão de chegada ao Brasil, “You Never Give me your Money: The Beatles after the Breakup” (Você nunca me dá seu dinheiro: os Beatles após o rompimento, na tradução literal), ajuda a engrossar o caldo de suposições. Nela, o autor, Peter Doggett, exime de culpa a vilã preferencial Yoko Ono, companheira de John Lennon, que o teria afastado dos parceiros, e atribui a cisão a um erro de gestão. Ou melhor, ao pior erro de gestão da história da indústria do entretenimento, segundo ele. Que, para desespero dos beatlemaníacos que sonham com as canções que poderiam ter sido feitas, tinha chance de ser evitado.

Para justificar sua tese, o americano Doggett, jornalista especializado em música e também autor de “The Art and Music of John Lennon” (sobre a criação dos Beatles), lança luzes sobre as duas grandes teorias acerca da tensão que se criou entre John Lennon e Paul McCartney e o fim dos Beatles. A primeira, e consagrada, coloca a presença ostensiva de Yoko Ono entre eles como responsável pelos conflitos. E a segunda culpa a ganância do advogado americano Allen Klein, que representava os Rolling Stones e substituiu o empresário de confiança do grupo Brian Epstein, morto em 1967.

Na opinião de Doggett, tanto Yoko quanto Linda Eastman, a então namorada e futura esposa de Paul, eram mulheres fortes, que apenas queriam ficar perto dos homens que amavam. O advogado Klein não tem uma avaliação tão simpática. É considerado um canalha e responsável por batalhas épicas entre os integrantes da banda. O americano que substituiu Epstein articulou uma aliança de John, Ringo Starr e George Harrison contra Paul, porque ele preferia que o pai de sua noiva, o empresário Lee Eastman, cuidasse dos negócios do grupo. A partir daí, criou-se uma grande distância entre Paul e o resto do grupo.

Para Doggett, as brigas sem motivo entre aqueles garotos de vinte e poucos anos poderiam ter sido controladas com a presença de uma pessoa sensata que conseguisse mostrar o óbvio: que a banda era muito maior do que os talentos individuais de seus integrantes. Segundo o autor, as pessoas mais maduras que auxiliavam o quarteto tiveram pouca utilidade, como o produtor George Martin, “amável demais”, e o responsável pela gravadora deles, a Apple, Neil Aspinall, que apenas se ocupava dos negócios e permaneceu alheio à batalha de egos que tomou conta do grupo. Em sua opinião, ninguém envolvido na gestão da banda foi inteligente o suficiente ou teve coragem o bastante para forçar dois jovens imaturos (leia-se Paul e John), dos quais todo aquele império musical dependia, a procurar terapia.

O livro começa com o assassinato de John em Nova York, em 1980, e logo depois se volta para o final dos anos 60, quando “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, o oitavo álbum, considerado por muitos o melhor de todos, foi lançado, em 1967. O autor conta que Paul e John usavam até músicas para se provocar – caso da canção que dá título ao livro, “You Never Give me your Money”, de Paul McCartney, do álbum “Abbey Road”. Doggett critica tanto as atitudes arrogantes de Paul, que queria ser o líder da banda, quanto a mesquinhez de John, que se opunha a qualquer tentativa de reconciliação. “É surpreendente que ele seja lembrado como um mártir amante da paz”, afirma.

O autor especula, ainda, que pode ter sido justamente a abundância de dinheiro que fez com que os quatro não se esforçassem para se manter juntos. Antes da morte de John, eles recebiam seguidas propostas para retomar o grupo em troca de US$ 30 milhões. Mas o dinheiro foi um instrumento fraco de convencimento. Como se sabe, a tão esperada reconciliação nunca houve. Mas, no imaginário dos beatlemaníacos, a banda permanece unida, assim como no rádio, na televisão, na internet, em filmes e videogames. Para os fãs daquela época, de hoje e provavelmente das próximas gerações, John, Paul, Ringo e George nunca se separaram.

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Luciana

EM 11/08/2010 13:34:00

Quanto aos motivos da dissolução da banda, concordo com o comentário do Miguel aí embaixo...tiveram muitos fatores (que talvez nunca iremos conhecer) que resultaram em um "esgotamento natural de uma relação tão intensa". O autor só apresenta mais uns...


Marcelo Cortez

EM 03/08/2010 09:32:52

Brilhante resenha!!! Olha, vejo que esse autor está dominado por babaquices da área da gestão corporativa. Faltou pouco para ele dizer que os Beatles não foram assertivos ou pro ativos. Ou então, faltou um departamento de RH mais competente na Apple; Já sei!Uma palestra do Peter Druker resolveria!


miguel

EM 19/07/2010 15:05:22

Não existe uma, duas ou três razões para o fim daquela que foi a maior banda de todos os tempos. Uma série de fatores além de um esgotamento natural de uma relação tão intensa explicam o fim dos BEATLES. Contudo, nada tira deles a genialidade dos maiores músicos da história!


Edino Fernandes

EM 19/07/2010 10:59:27

A FOTOMONTAGEM É DE MUITO MAU GOSTO. COLOCAR ARMAS NAS MÃOS DE GEORGE, UM ESPIRITUALISTA/PACIFISTA, CHEGA A SER OFENSIVO, ALÉM DE REVELAR A EXTREMA MEDIOCRIDADE DE QUEM REALIZOU TAL TRABALHO.





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