Batalha aérea
PF compra aviões não tripulados e irrita militares. FAB ameaça interceptar os voos se não tiver controle das operações
Claudio Dantas Sequeira
Antes de sair de férias, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, recebeu em seu gabinete o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, para uma reunião a portas fechadas. Na pauta da conversa, uma crise entre a PF e a Aeronáutica que está ameaçando a utilização das estratégicas aeronaves não tripuladas para vigilância da fronteira e combate ao crime no Brasil. Os policiais federais receberão três Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants) que encomendaram de Israel e querem colocá-los em operação imediatamente. A FAB, sem pressa, exige antes o cumprimento de uma série de exigências. Oficiais ouvidos por ISTOÉ disseram que o comandante da FAB, Juniti Saito, ameaçou derrubar os Vants da PF, caso levantem voo sem autorização. Na conversa com Corrêa, Jobim deu razão à FAB e pediu ao diretor da PF que não alimentasse mais a polêmica. Oficialmente, ninguém fala da confusão. Mas a queda de braço segue nos bastidores. Desde 2004 os militares tentam desenvolver um Vant brasileiro para o controle das fronteiras. Como ainda não há avanço, a PF decidiu comprar as três aeronaves israelenses, de um total de 14 que planeja adquirir, ao custo de R$ 8 milhões cada uma. Assim acabou provocando ciúme nos militares que, paralelamente, testavam modelos diferentes. A FAB alega que tem prerrogativa na defesa do espaço aéreo e que as aeronaves da PF não foram integradas ao Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro, colocando em risco voos comerciais. “Lógico que ninguém quer derrubar o Vant. Mas sem conhecimento do plano de voo, a FAB pode estragar uma operação da PF”, diz um oficial. Ele afirma que, por voar na mesma altitude de aviões comerciais, os Vants poderiam até causar uma colisão. No início do ano, Saito ligou para Corrêa propondo uma parceria. O diálogo não avançou, e a PF acabou não sendo convidada sequer para a apresentação do programa de Vants da FAB, no dia 10 de maio. “Qualquer desconforto que tenha havido foi individual, de algumas pessoas, não entre as instituições”, pondera o diretor da PF. Na tentativa de encontrar uma solução para a guerra aérea, Jobim propõe o uso compartilhado dos Vants, pois considera que a PF não teria condições de operar sozinha o complexo sistema de voo remoto. De qualquer modo, a FAB tende a perder espaço na defesa aérea das fronteiras, alerta o analista militar Nelson During, do site Defesanet. “É bom os militares se acostumarem, pois não serão mais os únicos geradores de informações estratégicas”, diz ele.

Douglas
EM 03/08/2010 11:58:15
Deve-se satisfazer as vaidades da FAB ou colocar logo em funcionamento aqui no Brasil uma ferramenta que já se comprovou extremamente eficaz para os EUA no monitoramento das fronteiras do Afeganistão? Quem manda neste país? Não tem mediador responsável pra essa briga? Cada um faz o que quer?
Douglas
EM 03/08/2010 11:48:35
Deve-se satisfazer as vaidades da FAB ou colocar logo em funcionamento aqui no Brasil uma ferramenta que já se comprovou extremamente eficaz para os EUA no monitoramento das fronteiras do Afeganistão? Quem manda neste país? Não tem mediador responsável pra essa briga? Cada um faz o que quer?
Cézar Pedrosa
EM 24/07/2010 15:12:23
A crise de identidade no atual governo não para. Onde é que já se viu polícia fazer ou querer fazer papel de Forças Armadas? Até quando vão tratar o Brasil como republiqueta centro-sul americana? Já não nos bastam Venezuela e Cuba tratadas como grandes Estados pelo PT? Brasileiros, instrui-vos!
Vandécio
EM 23/07/2010 11:53:22
E nesse conflito de interesses quem se beneficia é o narcotráfico. O Brasil é um país continental , não há a possibilidade de seer vigiado por homens. Ferramentas como o VANT , são altamente necessárias. Cade o Governo para acabar com essa picuinha?
Uriel Borges
EM 20/07/2010 08:29:43
A PF vem nos últimos anos num processo acelerado de modernização e reaparelhamento. Ora, se for esperar o movimento da massa em repuso de alguns Órgãos que estão deitados eternamente em berço esplendido, o crime organizado agradece.
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