Ele é um monstro?
Com fortes indícios de participação no assassinato cruel de Eliza Samudio, o goleiro Bruno impressiona com sua frieza
Francisco Alves Filho e Wilson Aquino
Eu não aguento mais apanhar.” Esta teria sido a última frase dita por Eliza Samudio antes de ser estrangulada. Era um pedido de clemência, mas seu algoz, supostamente o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos – também conhecido por Neném, Bola ou Paulista –, respondeu apenas: “Você não vai mais apanhar. Você vai é morrer.” Em seguida, Santos teria amarrado as mãos dela e dado uma “gravata” em seu pescoço até asfixiá-la. Morta no chão, Eliza ainda teria sido chutada por outro comparsa, Luiz Henrique Romão, o Macarrão. Ato contínuo, Santos teria esquartejado o corpo e jogado os pedaços para quatro rottweilers famintos. “Neném retirou a mão de Eliza e arremessou para dentro do canil”, disse à polícia o adolescente J., que também teria presenciado a execução, em Vespasiano, na Grande Belo Horizonte. “Os cachorros, no mesmo momento, começaram a comer a mão.” Segundo ele, o que sobrou da jovem estaria enterrado e cimentado na própria casa, mas a polícia diz ter indícios de que o corpo foi queimado. Os detalhes do que pode ter sido este crime hediondo chocaram o País. Não só pela barbárie, mas também porque por trás da macabra arquitetura do assassinato estaria um ídolo, o goleiro Bruno, ex-amante de Eliza e com quem brigava para não assumir a paternidade de um menino de quatro meses. Bruno jura inocência, mas há fortes evidências contra ele, como o sangue dela no carro dele, os depoimentos de testemunhas e o fato de o bebê ter estado no sítio do goleiro, também na Grande BH, e depois ter sido encaminhado por Dayanne, mulher de Bruno, para a casa de amigos. Se a culpa dele for comprovada, a forma cruel com que se desvencilhou de Eliza e a frieza com que agiu antes, durante e depois de ir para a prisão fazem dele um monstro. “Foi um crime premeditado, planejado e friamente executado”, disse o delegado Edson Moreira, que conduz as investigações em Minas Gerais e ouviu mais de 30 pessoas até agora. Segundo o delegado, Bruno levou Eliza até o local de seu sacrifício e, após o desfecho, teria ido tomar cerveja e bater bola – antes ateou fogo à mala dela. Quando o desaparecimento dela veio a público, o goleiro deixou-se fotografar treinando no Flamengo, no Rio de Janeiro, às gargalhadas. Na semana passada, enquanto os indícios de homicídio se avolumavam, continuou indo ao centro de treinamento e, segundo funcionários, mostrava-se tranquilo e sorridente. Puxava brincadeiras, mas jamais tocava no caso Eliza. Manteve-se inabalável até depois que se entregou à polícia carioca, na quarta-feira 7. Em conversa com Macarrão e seu advogado, gravada pela Rede Globo, Bruno revelou sua preocupação maior: “Se eu tinha esperança de disputar a Copa de 2014, acabou.” De acordo com o livro “Treinamento do Goleiro de Futebol”, do professor universitário Adalberto Viana, “controlar as emoções” é quesito fundamental para um craque dessa posição. Bruno, excelente pegador de pênaltis, parece ter aprendido a lição. Apenas dois lampejos de bondade teriam ocorrido logo após o homicídio de Eliza. Envolvido no crime, Sérgio Rosa Sales (conheça a participação de cada um no quadro na pág 78) declarou à polícia que o bebê também seria morto, mas foi salvo, na última hora, por interferência do suposto pai. Primo de Bruno, Sales também disse que, depois do assassinato, já de volta ao sítio, o goleiro teria chorado e dito: “Tô arrependido.” No dia seguinte, porém, voltou à frieza habitual. Para o psiquiatra forense Talvane de Moraes, o comportamento dele não indica nenhum tipo de patologia. “Fingir normalidade depois de praticar um crime faz parte da dissimulação, não significa doença”, explica Moraes. O professor de psiquiatria forense da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas Eduardo Henrique Teixeira diz que a aparente tranquilidade demonstrada pelo goleiro do Flamengo, é comum nas pessoas que perdem os pais cedo, caso do goleiro, órfão de pai e abandonado pela mãe. “Num processo de psicopatia, eles deixam de aprender a questão do amor, do afeto, do altruísmo. Perdem o parâmetro”, diz. Outros familiares de Bruno também tiveram problemas com a polícia. O irmão foi preso por roubo no Piauí, a mãe foi investigada por tentar matar a tiros uma mulher em 1996 e o pai foi acusado de furto e teve a prisão pedida sete vezes. Seis dos dez envolvidos no caso estão presos e quatro continuavam foragidos até a sexta-feira 9. O advogado de Bruno, Ércio Quaresma Firpe, que também defende outros cinco envolvidos, criticou o trabalho da polícia mineira e o depoimento do adolescente J. apreendido na casa de Bruno, no Rio. “A Santa Inquisição foi reeditada em Minas Gerais e ninguém mais é respeitado pela polícia”, bradou. As informações de J. foram cruciais para os investigadores entenderem a dinâmica do crime, embora haja contradições em relação às declarações de Sales, outra testemunha-chave. J. diz que Sales – e não Bruno – presenciou o assassinato de Eliza, o que ele nega. Em torno da tragédia maior, tragédias paralelas se revelam. Veio à tona o processo contra o pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio, acusado de abusos sexuais contra uma filha de 10 anos que teve com a irmã de uma ex-mulher. Com isso, Sônia, a mãe de Eliza, que abandonou a filha na infância, ganhou a guarda do neto, provável herdeiro do patrimônio de Bruno, na Justiça. Depois de uma rápida passagem pelo presídio Bangu II, no Rio, o goleiro está numa carceragem de Minas e teve seu contrato suspenso com o Flamengo. O clube de maior torcida no Brasil lhe deu cartão vermelho: deixou-o sem o salário de R$ 200 mil e cortou o apoio jurídico. Sua patrocinadora, a Olimpikus, também tirou o time de campo e rescindiu o contrato. Criado em uma família humilde na cidade-dormitório de Ribeirão das Neves, na Grande Belo Horizonte, Bruno conseguiu mudar de vida graças ao futebol. Agora, deixa escapar pelas mãos seu próprio futuro.

ELE VIU
A polícia diz que Bruno testemunhou a morte da ex-amante


VOZ
Acima, o adolescente J. com a cabeça coberta. Ele contou detalhes do crime
Abaixo, polícia apreende cães que teriam comido partes do corpo


ALGOZ
Marcos Aparecido dos Santos, suspeito de ser o assassino, foi preso em Minas
Colaboraram: Solange Azevedo e Eliane Lobato
fatima
EM 15/07/2010 16:44:43
não se deve atirar pedras, se falha a justiça humana, com certeza absoluta a divina entrará em ação. Este caso fica bem claro que devemos ser seletos em nossas companhias, e como o homem acaba com sua vida por causa de mulheres pistoleiras.
diana
EM 11/07/2010 16:06:57
minha avó já dizia quer conhecer um vilão,poe-lhe o chicote na mão,bruno já era mau carater,o talento,a fama,a grana simplismente macaravam a verdadeira face dele,e não tentem nos enganar ddizendo que ele é psicopata,os outros são tambem?maldade pura,pobre moça sem juizo,
Leda
EM 11/07/2010 15:24:22
Uma gangue de vagabundos, inúteis para a sociedade! Pois que apodreçam fora do convívio social; que sejam banidos para sempre! Esse tal Bruno...é mal exemplo para os nossos filhos e jóvens que almejam sucesso nos esportes. É merda!
Leda
EM 11/07/2010 15:17:32
Parafrasenado a mãe da Eliza: Mesmo sendo uma garota sem escrúpulos, não merecia morrer como animal; nenhum humano o merece! estamos no sec. XXI, não há mais espaço para barbáries como essa. Se no Brasil houvesse pena justa (o que nunca ocorre), esses marginais teriam penas perpétuas pela crueldade
santos
EM 11/07/2010 07:59:28
È preciso que alguèm da famìlia da morta contrate algum pistoleiro bom ou algum policial que mata pôr grana e mande fazer a mesma coisa em cada um dos envolvidos nesse caso, Olho por olho dente por dente. Jà que nao existe lei nesse paìs que façamos nòs mesmos.
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"Não tem essa história de dois lados. Um lado já foi suficientemente condenado, assassinado, desaparecido"
Paulo Sérgio Pinheiro, integrante da Comissão da Verdade
