Consumo e selvageria
Mostra traz à tona caráter predatório do capitalismo e credita desequilíbrio ambiental ao consumismo
Paula Alzugaray
ECOLÓGICA/ Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP/ até 29/8 Com alta concentração de cores vivas e profusão de quinquilharias por metro quadrado, a exposição “Ecológica” anuncia, já à primeira vista, seu tema de abordagem: o poder de sedução do objeto de consumo. As composições com flores artificiais do japonês Haruka Kojin; os painéis de fotografias de praias paradisíacas da instalação “Cortina de Vento”, de Rodrigo Matheus; ou a prateleira de santos de gesso e de bonequinhos de plástico do “Armazém”, de Nelson Leirner, tomam partido de uma estética da inutilidade e da artificialidade. Mas em nenhuma dessas obras o discurso se esgota na beleza do artifício. O observador atento haverá de notar que a maioria dos santinhos de Leirner lhe dá as costas. E que as flores do “Jardim Fotográfico”, de Jardineiro André Feliciano, assumem a forma de pequenas câmeras que “olham” para os visitantes, invertendo a lógica da fotografia turística. Essas obras, de grande apelo visual, abrem a mostra e preparam terreno para a crítica que o conjunto de trabalhos selecionados pelo curador Felipe Chamovich assume contra a irracionalidade do consumo fácil. A moda, o turismo, a publicidade, a tecnologia e a arte contemporânea não escapam à crítica da exposição. Até mesmo “o frágil mobiliário popular torna-se objeto de desejo, ao ser transformado em obra de arte”, aponta o texto de parede explicativo da obra de Rivane Neuenschwander, composta por reproduções de banquinhos de madeira. Outro grupo de trabalhos incorpora essa crítica de forma ainda mais dramática. É o caso do vídeo “Flooded McDonald’s”, do coletivo dinamarquês Superflex, uma paródia do cinema-catástrofe, em que a réplica em tamanho natural de uma loja da rede de fast-food é inundada até o teto. Em “Arquipélago”, de Marcius Galan, um pequeno canteiro de grama é sitiado por um sistema complexo de equipamentos urbanos aparentemente inúteis. “Ecologia não é a manutenção de um jardim privado”, argumenta o curador. Os efeitos resultantes de uma natureza sitiada pela civilização consumista são visíveis na montanha de entulho com que Marcelo Cidade esculpe uma fonte ornamental ou na forma como o artista amazonense Rodrigo Braga busca desesperadamente reencontrar sua natureza selvagem, se equiparando a um bode, em uma série de fotografias. A obsolescência da tecnologia também é vilã dessa história, no vídeo “Lançamentos”, em que Marcelo Zocchio passa 55 minutos descartando objetos eletrônicos ultrapassados. Mas a curadoria não é tão catastrofista quanto o vídeo do Superflex e propõe novos modelos de sociabilidade como alternativa à sociedade de consumo. Começa por criar ao longo do percurso da exposição vários nichos para descanso, contemplação e convivência. A instalação de madeiras e plantas de Rodrigo Bueno é um desses espaços. Muitos outros são criados pela distribuição dos banquinhos populares de Rivane e dos “sofás de praia” do coletivo carioca Opavivará, que fazem de “Ecológica” uma grande praia para usufruto coletivo.
NATUREZA FURIOSA
Vídeo do coletivo Superflex simula inundação de loja do McDonald’s 
ANTI-INDIVIDUALISMO
Cadeiras de praia de três lugares, do coletivo Opavivará
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EM 07/09/2011 03:39:56
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EM 06/09/2011 12:11:16
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EM 31/08/2011 13:23:22
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