Dinheiro saindo pelo cão
O que leva milionários a abandonar suas famílias e
deixar fortunas em imóveis e fundos de investimento
para seus cachorros
Verônica Mambrini
Conchita frequenta spas, tem guarda-roupa completo para as quatro estações, equipe à disposição dia e noite para atendê-la e joias, como um colar cravejado de diamantes da Cartier, avaliado em US$ 15 mil. Não é fácil bancar os mimos e luxos ao qual está acostumada, mas isso não é problema, uma vez que ela acaba de se tornar milionária. Conchita é uma chihuahua, a “cachorra mais mimada do mundo”, como Gail Posner, sua dona, gostava de chamá-la. Gail, uma socialite americana que dividia uma mansão de sete quartos em Miami com Conchita e mais dois cães, faleceu aos 67 anos em março e no testamento veio à tona a divisão de bens. À cadela coube a posse do imóvel, no valor de US$ 8,3 milhões, e um fundo de US$ 3 milhões. Claro que Gail não deixou toda sua herança para o bicho. Para os funcionários (guarda-costas, caseiros e assistentes pessoais) foram destinados US$ 26 milhões. Alguns foram selecionados para viver na mansão e cuidar dos cachorros. O filho de Gail, o roteirista e cineasta Bret Carr, não ficou nada contente com o único milhão a que teria direito e acaba de entrar na Justiça. A alegação é de que os antigos funcionários de Gail – “profundamente perturbada”, segundo o filho – teriam dopado a socialite com analgésicos e induzido-a a modificar seu testamento em 2008, contando inclusive com a ajuda do advogado dela na intriga. A relação entre mãe e filho era conturbada, assim como a história da família, recheada de escândalos. Não é o primeiro caso de herdeiro legítimo preterido na partilha. Em 2007, Leona Hemsley, magnata imobiliária de Nova York, deixou um fundo de investimento no valor de US$ 12 milhões para Trouble, sua maltês e excluiu os netos do testamento. Um juiz diminuiu esse valor para US$ 2 milhões e destinou o restante para caridade. Em casos semelhantes, em que o beneficiário natural é excluído, é comum a Justiça invalidar o testamento, apoiada na ideia de que foram escritos sob influência dos funcionários. Caso Carr não consiga colocar as mãos na fortuna de Conchita, verá a mansão ser vendida e o dinheiro do imóvel e do fundo serem destinados para a caridade quando a cachorra morrer. Para Hannelore Fuchs, psicóloga especializada na relação entre homens e animais, esse tipo de atitude extrema é um recado claro. “É como se a pessoa dissesse: ‘Deixei mais para o cachorro porque ele é melhor que você, porque ganhei muito mais amor do meu bicho’”, afirma. De acordo com Hannelore, esse apego aos bichos vem da sensação de que neles o dono encontrou tudo que precisava – e não em outras pessoas. “Ao deixar uma herança desse porte, o dono sabe que vai morrer ou está morrendo, e tenta suprir sua ausência futura. Mas, para chegar a esse ponto, ele tem que ter um desgosto muito grande com os humanos ao seu redor”, diz a psicóloga. Ou talvez a questão seja mais simples: muito dinheiro disponível. Flossie, a cadela vira-lata da atriz Drew Barrymore, acordou-a durante um incêndio e salvou sua vida. Agradecida, ao rever seu testamento, a atriz decidiu deixar o imóvel, avaliado em US$ 3 milhões, para o animal. A bilionária apresentadora de tevê Oprah Winfrey reservou US$ 30 milhões de sua fortuna para garantir que seus vários cachorros continuem sendo bem tratados depois de sua morte. Outros casos de animais milionários soam até anedóticos, como o de Gunther III, que recebeu um fundo da condessa alemã Karlotta Liebenstein no valor de US$ 194 milhões. Os investimentos somam hoje US$ 372 milhões e o beneficiário é o pastor alemão Gunther IV, que sucedeu o pai na linhagem. Entre os feitos econômicos de Gunther IV estão as compras de um imóvel de Madonna e de uma trufa branca rara em um leilão. Tanta preocupação com o futuro dos cães não espanta o veterinário Mario Marcondes, diretor do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo. “Para muitas pessoas, o animal é uma referência emocional, porque ele não faz julgamentos e tem fidelidade incondicional”, afirma. “Quando o animal adoece, vemos muitas pessoas entrando em depressão.” O hospital instituiu até um serviço de atendimento psicológico para os donos mais abalados. “Muitos deixam um testamento orientando com quem deve ficar o bicho quando falecer”, diz. Vida de cão pode não ser tão ruim assim.
Conchita
Fortuna: US$ 11,3 milhões
A chihuahua era a favorita dos três cachorros da milionária americana Gail Posner, que faleceu em março.
A cadela vai dividir a fortuna com outros dois cachorros de Gail
Gunther IV
Fortuna: US$ 372 milhões
A condessa alemã Karlotta Liebenstein deixou US$ 194 milhões para o pai de Gunther IV, o pastor alemão Gunther III, em 1992.
Gunter III morreu e o fundo em que o dinheiro ficou aplicado tem hoje US$ 372 milhões
Flossie
Herança: US$ 3 milhões
A cadela da atriz Drew Barrimore assegurou sua cota no testamento ao salvá-la de um incêndio.
Deve herdar a casa da atriz, avaliada em US$ 3 milhões
Trouble Helmsley
Herança: US$ 12 milhões
A maltês herdou da magnata Leona Helmsley, morta em 2007, esta quantia, mas a Justiça americana
decidiu repassar US$ 10 milhões para caridade. Trouble ficou com US$ 2 milhões
Douglas
EM 13/12/2011 09:22:01
Se eu tive-se uma fortuna ,faria o seguinte: deixaria 10% para alguns da familia e 90% ficariam para meus animais de estimação que indiretamente investiriam em lares e clinicas para animais abandonados.Seria o minimo que eu poderia fazer para esses anjos. Quem não estiver satisfeito que faça a sua.
RIVANIA
EM 26/11/2010 16:46:37
OS ANIMAIS MERECEM SIM! ELE SÃO IMPORTANTES, ATÉ DEUS SE PREOCUPOU COM ELES, E OS SALVOU DO DILÚVIO!!ANIMAI SÃO ANJOS SEM ASAS, Q VEIO PARA OBSERVAR NOSSO COMPORTAMENTO!...AGORA, O IDEAL É ENCONTRAR ALGUÉM QUE GARANTA ESSE CUIDADO E Ñ OS ROUBE SUA FORTUNA! PORQUE O SER HUMANO Ñ É DÍGNO DE CONFIANÇA!
LIA
EM 29/06/2010 20:55:37
NÃO CONCORDO COM ISTO. AS PESSOAS PODEM DEIXAR UMA QUANTIA RAZOÁVEL PARA ALGUÉM CUIDAR DE SEU CÃOZINHO ( EU FARIA ISTO) E DEIXAR A MAIOR FORTUNA PARA ENTIDADES DE CARIDADE, ASILOS, CRECHES, HOSPITAIS....ENFIM QUE MATASSE A FOME E CURASSE MUITA GENTE.
CLARICE
EM 29/06/2010 20:50:11
COMENTAR UMA MATÉRIA DESSA É PARA MIM MESMA...SOU FASCINADA POR ANIMAL, TIVE UM QUE MORREU HÁ TRÊS ANOS E POSSO DIZER COM TODA CERTEZA QUE ELE LEVOU A MINHA OUTRA METADE, EU O AMAVA MAIS QUE TUDO NA VIDA. SÓ QUE NÃO TENHO GRANA SÓ TENHO DÍVIDAS E NÃO PODERIA FAZER O QUE ESSA GENTE FEZ OU FAZ.
LUCILIA
EM 29/06/2010 20:43:18
EU DEIXARIA TUDO QUE TIVESSE NA VIDA PARA O MEU CÃO, MAS A DIFERENÇA É QUE NÃO TENHO NADA, SOU UMA DURANGA E O MEU AMADO CÃO MORREU PRIMEIRO QUE EU. AGRADEÇO A DEUS POR ELE TER MORRIDO ANTES DE MIM, PORQUE QUEM CUIDARIA DELE COMO EU? MAS DOU A MINHA PRÓPRIA VIDA A QUALQUER ANIMAL, SE HOJE PRECISAR.
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"Não tem essa história de dois lados. Um lado já foi suficientemente condenado, assassinado, desaparecido"
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