O projeto marajá
Judiciário pressiona por aumento que cria supersalários e faz técnicos ganharem como funcionários de alto escalão
Sérgio Pardellas
Os magistrados reagem com veemência quando são tratados como marajás do serviço público. Mas o brasileiro já está acostumado a ver tentativas de acumular regalias no Poder Judiciário. É o que acontece neste momento: o Congresso sofre pressão para aprovar a toque de caixa um projeto que cria supersalários para os servidores da Justiça. Com o apoio de todos os presidentes de tribunais superiores e de nove ministros do STF, a proposta dá reajuste médio de 56,4% aos 100 mil funcionários do Judiciário. O projeto iguala o salário de simples técnicos ao de funcionários do alto escalão do Executivo. A remuneração inicial do analista judiciário, de nível superior, pula, por exemplo, dos atuais R$ 6.551,52 para R$ 10.283,59. Mas pode chegar a R$ 33.072,55, no topo da carreira, se o profissional ocupar cargo em comissão e tiver doutorado. A proposta também premia quem tem apenas o ensino fundamental, como operadores de xerox e copeiros. No ápice da carreira eles podem ganhar até R$ 8.479,71. Se a benesse for aprovada, o impacto no Orçamento da União será de cerca de R$ 6 bilhões. O texto já passou pela Comissão de Trabalho e Administração da Câmara e precisa ser analisado pela Comissão de Finanças e Tributação antes de ir ao plenário da Casa. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, adverte que o governo não poderá aprovar novos aumentos salariais além dos já acordados para este ano. “Não há recursos para esse aumento. É algo que tem de ser mais bem discutido”, diz ele. Mas a pressão do Judiciário é grande. O principal argumento é de que, com a defasagem dos salários em relação a outras carreiras, é impossível manter os bons servidores, o que comprometeria a velocidade de tramitação dos processos. “É preciso buscar a aprovação como forma de atender não só ao anseio do servidor como também para permitir que o Judiciário tenha um corpo funcional equilibrado”, alega o presidente do STF, Cezar Peluso. Na tentativa de forçar o reajuste, servidores do Judiciário em todo o País permaneciam em greve até a última semana. O governo, por ora, tem se mantido pragmático, preocupado com o rombo no Orçamento. Resta saber como se comportará o Congresso.
“A aprovação vai permitir que o Judiciário tenha um corpo funcional equilibrado”
Cezar Peluso, presidente do STF 
“Não há recursos para dar esse aumento. Isto tem que ser mais bem discutido”
Paulo Bernardo, ministro do Planejamento 
Renato
EM 13/03/2012 11:02:36
Se não fosse matéria encomendada eu iria pensar que o responsável pela matéria é lesado. As pessoas não são tão burras como vc pressupõe, sabem somar 6 anos de inflação sem reajuste e mais 2 pra o parcelamento. Na boa, vai suar a camisetinha p ver como é bom. E não me fala em Peluso, já vai tarde!
guilherme
EM 12/02/2012 17:53:42
Chequei o site http://www1.trt18.jus.br/cnj102/anexo8_2010set.pdf e lá tinha somente remuneração de juiz. Basta ver que o artigo se refere a remuneração de servidores. Logo, são cargos e carreira BEM diferentes!
carlos
EM 22/01/2012 10:27:51
Os dados ofíciais http://www1.trt18.jus.br/cnj102/ (Nesse as remunerações estão no final - ANEXO VIII) http://www1.trt18.jus.br/cnj102/anexo8_2010set.pdf (A COLUNA 1 É O SALÁRIO DO CARGO (ANALISTA e TÉCNICO); A COLUNA 2 SÃO AS INCORPORAÇÕES (VANTAGENS PESSOAIS)
Carlos
EM 16/01/2012 03:23:41
Parabéns para quem escreveu esta matéria encomendada. Olhar super "imparcial e comprometido com a verdade".
carlos
EM 13/01/2012 09:55:01
Contas Abertas mostra que, em média, o servidor do Judiciário e o do Legislativo ganham o dobro do lotado no Executivo. A União gasta, em média, R$ 13.290 com a remuneração dos 119 mil servidores federais do Judiciário.
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