A missão impossível de Tom Cruise
O ator volta aos filmes de ação em "Encontro Explosivo", com o desafio de atingir as grandes bilheterias que conseguia no passado
Ivan Claudio
Numa das temporadas mais fracas do verão americano, o ator Tom Cruise tem pela frente uma missão que beira o impossível: mostrar que, prestes a completar 48 anos (no dia 3 de julho), ainda tem poder de fogo para fazer valer um filme-pipoca orçado em US$ 125 milhões e temperado com muita ação. O novo trabalho que ele acaba de lançar nos EUA e chega ao Brasil no dia 16 de julho é “Encontro Explosivo”, uma mistura de espionagem, comédia e romance nos moldes de “Sr. & Sra. Smith”. Marca a volta do astro aos mirabolantes blockbusters. Trata-se de um retorno muito bem preparado, um momento de reinvenção na carreira do galã de Hollywood. Cruise ficou dois anos sem filmar, estudando novos papéis, e agora investe todas as fichas no personagem do agente secreto Roy Miller, um espião com bastante senso de humor e perseguido por não inspirar mais confiança nos colegas – menos ainda numa companheira de voo, a desconfiada “woman next door” June Havens – vivida por Cameron Diaz. Nos primeiros minutos da história, durante uma viagem de Wichita a Boston, no nordeste dos EUA, ela testemunha o galã (que até alguns minutos antes a cortejava) eliminar toda a tripulação e ainda fazer um pouso forçado do Boeing 727 em uma remota plantação de milho. Enredada pelo charme e pelas relações perigosas do estranho, June acaba formando com ele uma dupla em fugas destrambelhadas pelo mundo, no melhor estilo 007. Uma das cenas mais inacreditáveis mostra o casal em uma moto Ducati vermelha em disparada pelas ruas estreitas de Cadiz, na Espanha, desviando-se de tiros e de touros. Desde o sisudo drama histórico “Operação Valquíria”, no qual interpreta um oficial nazista que tentou matar o ditador alemão Adolf Hitler, Cruise anda atrás de um papel que o reate com os heróis que encarnou no passado e fizeram dele um ícone do estilo americano de ser. Em entrevistas para o lançamento do novo filme, ele tem enfatizado que dispensou dublês nas cenas de moto e lembrou que fez o mesmo em “Top Gun” e “Dias de Trovão”, títulos que o alçaram ao estrelato – isso, no entanto, foi há mais de 20 anos. Ele também decidiu dar prosseguimento à serie “Missão Impossível”, que havia parado no terceiro episódio em 2006, depois de faturar mais de US$ 2 bilhões em bilheteria. Nesse meio tempo, Cruise testou o seu poder em alguns trabalhos diferenciados, como no papel do marido adúltero em “De Olhos Bem Fechados” ou do filho que não se dá bem com o pai moribundo em “Magnólia”. Agora faz essa rápida manobra ao ver o seu cachê despencar – ele estaria recebendo “apenas” US$ 11 milhões para protagonizar “Encontro Explosivo”, menos da metade do que ganhava na época de “Minority Report” (US$ 25 milhões) e menos ainda do que faturava quando abria mão do cachê e negociava porcentagens da bilheteria final de suas superproduções. Especialistas no mercado de filmes apostam que, se esse personagem ganhar a simpatia do público, Cruise certamente começará a fazer mais comédias e menos dramas, que foi o que ele tentou recentemente. Em entrevista à edição de julho da revista inglesa “Esquire”, o ator declarou que sempre teve uma queda pelos tipos engraçados e foi isso que tentou provar ao pular no sofá da apresentadora Oprah Winfrey para expressar o quanto amava sua mulher, Katie Holmes: “Eu queria que o público se divertisse da mesma forma que eu fazia com minhas irmãs e minha mãe quando era menino.” Sua missão agora, além de safar-se dos tiros, é mostrar que realmente sabe fazer rir. E não de forma involuntária.


SALTO QUÁDRUPLO
Cruise filma esse ano “Missão Impossível 4”
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