Brasil
|  N° Edição:  2119 |  18.Jun.10 - 21:00 |  Atualizado em 25.Mai.12 - 08:23

Deputados querem "proteção" contra a democracia

Parlamentares assinam "leis" sem saber do que se trata,
são desmascarados por programa humorístico e querem
impor censura na Câmara

Sérgio Pardellas

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Imaginar qualquer tipo de censura a quem se manifeste no Parlamento é um atentado contra a democracia. Na última semana, porém, numa reação às equipes de programas humorísticos que circulam pelo Congresso, os deputados mostraram que estão dispostos a cercear o direito de a sociedade se manifestar na “casa do povo”. Por determinação do primeiro vice-presidente, deputado Marco Maia (PT-RS), a assessoria jurídica da Câmara estuda medidas que permitam aos deputados não autorizar o uso de suas imagens ou entrevistas. “Ao não querer falar com esses jornalistas, somos constrangidos pelos veículos de comunicação. Temos de tomar algumas medidas institucionais”, afirma Maia.

A iniciativa antidemocrática foi tomada na esteira da exibição do programa “CQC”, da Rede Bandeirantes, que foi ao ar na segunda-feira 14. Na reportagem, uma mulher foi contratada para coletar assinaturas de apoio a uma proposta fictícia de emenda à Constituição (PEC) que previa a inclusão de um litro de cachaça na cesta básica. O objetivo era provar que os deputados assinam projetos sem saber do que se trata. E foi atingido. À medida que os parlamentares assinavam a proposição às cegas, a repórter Mônica Iozzi questionava sobre o conteúdo da suposta PEC. Entre os que assinaram sem ler estão os parlamentares Eduardo Valverde (PT-RO), Felix Mendonça (DEM-BA), Lupércio Ramos (PMDB-AM) e Nelson Trad (PMDB-MS). Irritado ao perceber que fora flagrado, Trad se exaltou. Empurrou o microfone da repórter, a ofendeu, agrediu o cinegrafista e chegou a danificar o equipamento da tevê. Apenas um parlamentar, João Dado (PDT-SP), leu o teor do projeto e recusou-se a subscrevê-lo. “O correto é ler antes de assinar. Mais do que isso, concordar com o que está assinando”, disse Dado.

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A direção da Casa, representada pelo vice-presidente Maia, em vez de defender a democracia e punir o deputado agressor, preferiu atentar contra a liberdade de expressão. E conta até com o apoio de parlamentares que se forjaram na luta democrática, como José Genoino (PT). “Conto até dez para não falar com esses programas. E passo reto. Estamos chegando a ataques individuais”, disse Genoino, concordando com a possibilidade da censura na Casa. Trad alega que reagiu com agressividade porque teve sua mão machucada pela equipe do “CQC”. “Ele está tentando inverter a situação. Ele machucou a mão depois que agrediu nosso cinegrafista. Vamos mostrar a cena novamente, sem cortes”, disse à ISTOÉ o coordenador de conteúdo do “CQC”, Marcelo Zaccariotto.

Hélder Santana

EM 24/06/2010 14:11:45

Sou a favor da democracia e da liberdade de imprensa, penso antes de votar e me revolto com com o que vejo acontecer no cenário político. Porém, com toda sinceridade, alguns jornalistas confundem liberdade de expressão com liberdade de fazer chacota! O cara errou, denuncia, chacota não ajuda em nada


Renan

EM 23/06/2010 08:11:35

A maioria dessas leis que são aprovadas pelos Congresso Nacional que só beneficiam eles, os parlamentares. Exemplos mensãlão de vários partidos, passagem, o aumento de 100% nos salários deles. Até quandi isso vai durar?


Sandro

EM 22/06/2010 12:59:25

Tinha que ter petista no meio. Censurar a imprensa é o que o pt mais quer.


washington

EM 22/06/2010 10:48:49

Novamente somo achincalhados por aqueles que outorgámos como representantes nesta casa de leis, onde deveria imperar a democracia, ou seja, "o poder do povo". O que mais me choqca é que alguns que sempre lutaram por isso, nos dias atuais são favoráveis a medidas coibitivas e punitivas a liberdade.


GILSON DE SOUZA

EM 21/06/2010 12:35:56

Esses Deputados não leram porque acredita que e uma necessidade do povo, cesta basica com pinga, só assim eles fazem o que bem entende, com o povo bebado, sem reagir alegre/feliz, mas seus deputados o BBBBrasil esta mudando, vamos de ficha limpa depois cobrar, na justiça as promessas de campanha.





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