Tudo nas mãos de Lula
Em ano eleitoral, parlamentares abusam da popularidade do presidente e fazem bondades com o dinheiro público
Hugo Marques
Em ano de eleições, é comum os parlamentares aprovarem projetos que possam lhes granjear popularidade. O que importa é garantir benesses, favorecer corporações que rendam voto, privilegiar regiões e currais eleitorais e agradar a grandes financiadores de campanha. Se os projetos não têm racionalidade, se as contas de seus custos não fecham, se vão sangrar os cofres públicos, pouco importa. O velho e bom Tesouro Federal que pague a conta. Este ano, o já batido vício dos políticos brasileiros ganhou, porém, uma força especial. Valendo-se dos altos índices de aprovação do presidente Lula e contando também com os interesses do governo na campanha eleitoral, o Congresso tem se sentido ainda mais à vontade para repassar batatas quentes ao Poder Executivo. Tudo cai no colo de Lula. Os casos são variados – e potencialmente explosivos para o contribuinte. Coube ao Planalto, por exemplo, vetar o fim do fator previdenciário, evitando mais uma vez a sonhada antecipação de aposentadorias de milhões de brasileiros. Lula também terá de arcar com o ônus de podar artigos do marco regulatório do pré-sal que prejudicam os Estados produtores de petróleo. Vai parar em suas mãos ainda o novo Código Florestal, que anistia desmatadores, aumenta drasticamente a poluição atmosférica e transforma em pó compromissos internacionais do Brasil na defesa do meio ambiente. É um verdadeiro festival de bondades no Congresso. “Os parlamentares estão votando de olho nas urnas”, reconhece o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra. “Em época de eleição, o Congresso delibera com um olho no painel de votações e outro nas bases.” Quando é possível, o presidente Lula tem devolvido a bola aos parlamentares. Na terça-feira 15, mesmo contra a orientação da equipe econômica, Lula sancionou o reajuste de 7,7% para as aposentadorias, mas decidiu que a nova despesa será compensada com a revisão das emendas parlamentares. “A equipe econômica me garantiu que é possível fazer um corte no Orçamento equivalente à quantia que vamos dar de reajuste, incluindo as emendas”, explicou o presidente. Os cortes nas propostas de gastos dos parlamentares efetivamente são possíveis. No entanto, na vida real, o Congresso costuma driblar esses impedimentos complicando o governo em votações importantes. Assim, não raro, a conta acaba voltando aos ministérios, com o Tesouro segurando repasses e investimentos para conseguir fechar as contas do ano. Na quarta-feira 16, a Câmara criou um novo abacaxi para o Executivo. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, mais uma vez sem mostrar de onde sairia o dinheiro, o projeto que corrige os benefícios do INSS de oito milhões de aposentados, com um custo anual de R$ 80 bilhões. O veto será inevitável, mesmo com custo político. Dentro do governo já se discute o reflexo da decisão na campanha eleitoral. Publicamente, os governistas ainda fazem questão de demonstrar otimismo: “Os vetos não tiram votos de Dilma. O Lula ganhou essa popularidade porque está fazendo uma administração séria”, diz o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP). Mesmo na oposição, alguns deputados também criticam a farra eleitoreira do Congresso. O tucano Arnaldo Madeira (PSDB-SP) lamentou que a CCJ da Câmara tenha aprovado um projeto que pode estourar as contas da Previdência. “É a festa dos últimos dias da antiga Pompeia”, criticou Madeira. Evidentemente, não é só Lula que sofre. Também é grande o ônus para os parlamentares que se posicionam contra as medidas demagógicas. O vice-líder do PT, deputado José Genoino (SP), foi vaiado por aposentados no plenário da CCJ depois que votou contra a proposta que aumenta o rombo da Previdência. “Podem me vaiar, mas esse projeto não tem viabilidade fiscal”, desafiou Genoino. Segundo um ministro que despacha diariamente com o presidente Lula, o governo vai lutar com mais força para que os parlamentares votem com equilíbrio, ampliando as discussões sobre os custos das medidas sobre o bolso dos contribuintes. “O Congresso precisa ser mais responsável, pois estamos apagando incêndios provocados pelos parlamentares”, afirmou o ministro à ISTOÉ.
FESTANÇA
Sem fazer contas, deputados comemoram aprovação de
aumento para aposentados e o fim do fator previdenciário

CANETA PRESIDENCIAL
Lula com a tarefa de cortar os benefícios
Azarias
EM 12/07/2010 18:25:43
Sou aposentado há mais de 10 anos ganhava na faixa de 07 salários minimo hoje recebo somente na faixa de 04 salario onde está o restante? O Governo gasta milhões com as Centrais CUT etc perdoa dívidas de milhões gasta com os MST enfim há muito desperdicio do dinheiro que pagamos através de imposto
Carlos Freja
EM 21/06/2010 14:05:37
Nem a pau deixar tudo na mão desse analfa, sem sua gangue por tras ele não é nada.
rogerio petenucci
EM 19/06/2010 17:08:45
Passou da hora do Pres Lula com tanta popularidade, fazer o que fez o Fujimore.(fechar o Congresso Nacional, e não venha dizer que lá se defende a Democracia, pra mim sao um bando de picaretas(como já disse o presidente no passado).
Eduardo
EM 19/06/2010 12:43:32
É fácil resolver os problemas. Toda a vez que alguém fizer alguma coisa que vá custar algo, é só dizer de onde o dinheiro vai sair. Eu acho que aí teremos alguns problemas.
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