Mundo
|  N° Edição:  2119 |  18.Jun.10 - 21:00 |  Atualizado em 25.Mai.12 - 11:21

O perdão tardio pelo massacre

Depois de 38 anos, em decisão histórica, britânicos admitem responsabilidade pela morte de 14 civis irlandeses no famoso Domingo Sangrento

Claudio Dantas Sequeira

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INOCENTES
Premiê Cameron reconheceu a culpa do Exército.
Manifestantes comemoram

No dia 30 de janeiro de 1972, manifestantes católicos que protestavam contra a violência inglesa nos conflitos pela independência da Irlanda do Norte foram brutalmente reprimidos por militares britânicos. No massacre morreram 14 civis. Por quase quatro décadas, predominou a versão de que os soldados agiram em legítima defesa contra o ataque do grupo separatista Exército Republicano Irlandês (IRA). Mas, na terça-feira 15, a Justiça britânica começou a reescrever a história, com a divulgação do resultado de um novo inquérito. São 60 volumes de provas, 2.500 depoimentos e uma só conclusão: os militares agiram precipitadamente e assassinaram inocentes. Imortalizado na canção “Sunday Bloody Sunday”, da banda U2, o massacre ocorreu na cidade de Londonderry cujas ruas voltaram a lotar de manifestantes na semana passada. “As vítimas foram inocentadas e os soldados caem em desgraça. Suas medalhas de honra deveriam ser retiradas”, disse Tony ­Doherty, filho de um dos assassinados.

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O inquérito é um importante passo do processo de paz. Em solidariedade às vítimas, o premiê britânico David Cameron se desculpou pelos atos dos militares, em discurso no Parlamento. “O governo é responsável pela conduta das Forças Armadas”, declarou. De acordo com o inquérito, os primeiros tiros foram disparados pelos soldados do regimento de paraquedistas, comandado pelo tenente-coronel Derek Wilford – agora responsabilizado pela ação. “O massacre foi resultado de uma ordem que não deveria ter sido dada e que provocou um frenesi entre os militares”, diz o documento. Mais 14 civis ficaram feridos e um deles morreu no hospital. Com base em novas evidências, chegou-se à conclusão de que os membros do IRA presentes à passeata não representavam nenhuma ameaça. Demonstrou-se ainda que a primeira investigação do caso, ainda na década de 70, foi marcada por erros e falsos testemunhos dos soldados. Na ocasião, os militares é que foram inocentados. Passados 38 anos, o processo do Domingo Sangrento tornou-se o mais longo e caro da história da Grã-Bretanha. 

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