Comportamento
|  N° Edição:  2118 |  11.Jun.10 - 21:00 |  Atualizado em 25.Mai.12 - 11:28

Faça o que eu digo...

... e não o que eu faço. Pesquisa revela como os pais caem em contradição na hora de educar seus filhos de 12 a 20 anos

Verônica Mambrini

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“Não fez lição de casa, respondeu mal ou virou
o olho, vai ter uma sanção logo em seguida”

Liliane Neves Gomes, mãe de Lorenzo (à dir.) e Bruno

"Não mexe aí que a mamãe fica triste”, “Se não fizer a lição, vai ficar sem sobremesa”, “Você não vai poder ir ao futebol enquanto não recuperar suas notas”. Jogue a primeira pedra quem nunca usou uma dessas frases com o filho. Essas sentenças, tão presentes no cotidiano familiar, têm embutidas várias crenças de como educar crianças e adolescentes. Mapeá-las foi a tarefa a que se propôs uma alentada pesquisa realizada no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), que entrevistou 860 pais de garotos de 12 a 20 anos, estudantes de escolas públicas e privadas de todo o Brasil. O objetivo era compreender como esses pais pensam e o que eles colocam em prática na criação dos filhos. A conclusão é de que o discurso é muito bem-acabado, pautado no ensino do respeito mútuo, da importância do diálogo, de se arcar com as consequências dos atos. Mas toda essa teoria bem-intencionada cai em contradição no dia a dia das desobediências, das malcriações e dos gritos.

O levantamento, liderado pela pedagoga Luciana Maria Caetano, que também é professora da Universidade São Francisco (USF), comprovou que o dito popular “faça o que eu digo e não o que eu faço” é utilizado, involuntariamente, pela maioria dos pais. De acordo com a pesquisa, 93,7% deles creem que devam ajudar os filhos a refletir sobre suas ações, em vez de lhes dar ordens. Mas 64,7% também acreditam que uma boa ameaça acaba com uma desobediência (leia outros exemplos no quadro). Para Luciana, contra­dições como essas são fruto do atual momento de transição do modelo educacional. “Não queremos educar nossos filhos como fomos educados pelos nossos pais”, afirma. “Existe uma tendência de fugir do autoritarismo de décadas atrás, mas há também uma dificuldade para encontrar novas referências.” Isso não quer dizer que os pais estejam educando pior seus filhos. “Pais sempre erraram e acertaram”, diz a pesquisadora.

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“Precisei ter três filhos para aprender a ensinar autonomia”
Ana Cláudia Carnesin Dias, mãe de Bruno (à esq.) e Marcelo

Essa questão faz parte da rotina de Liliane Neves Gomes, 41 anos, coordenadora de educação em uma escola em São Paulo e mãe de Lorenzo, 14 anos, Luísa, 13, e Bruno, 6. “Com meus pais, a gente sempre teve diálogo aberto, mas tinha rigidez e respeito”, conta. “Aqui em casa negociamos mais.” Liliane é adepta da conversa, mas faz uso do castigo quando ela falha. “Não fez lição de casa, respondeu mal ou virou o olho, vai ter uma sanção logo em seguida”, afirma. Esse é um ponto fundamental, de acordo com o trabalho da USP. Embora queiram que seus filhos entendam as consequências de suas atitudes, muitas vezes os pais aplicam um castigo imediato para encerrar um problema. “Esse tipo de atitude resolve o conflito momentaneamente, mas não é favorável à formação da criança. Formar alguém não é de um dia para o outro”, diz a pesquisadora.

Outro ponto que a pesquisa analisou é como os pais estimulam o desenvolvimento da autonomia de seus rebentos – 62,3% acreditam que devem tomar decisões pelos filhos e 67,5% acham que nem sempre devem ouvi-los. Foi só com a prática que a administradora Ana Cláudia Carnesin Dias, 47 anos, aprendeu a estimular a independência dos seus. “Eu os prejudiquei um pouco”, confessa. “Mas só tentava ajudá-los, ver o que precisavam.” Mãe de Marcelo, 15 anos, Bruno, 19, e Rafael, 21, ela afirma que tenta usar o diálogo e levar em conta as particularidades de cada um. “Precisei ter três filhos para aprender a ensinar autonomia.” A psicóloga Luciana Blumenthal, da Clínica Multidisciplinar Elipse, recomenda paciência e determinação nessa área. “Muitos pais cedem no primeiro momento em que o filho pede ajuda. Equivale a dizer que ele não está pronto para resolver seus problemas.”

A pedagoga Luciana chama a atenção para o fato de as contradições não estarem desligadas da vontade de acertar. Afinal, é difícil para os pais se desapegar da educação que receberam e, mais complicado ainda, encontrar uma nova forma de educar seus filhos. Mas vale a pena assumir as limitações para tornar a relação mais forte e sincera. Crianças e adolescentes, garantem os especialistas, têm uma facilidade de se adaptar, de melhorar e de se resolver enorme. É só aprender com eles.

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Janeece

EM 21/06/2011 21:05:42

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JUNIOR

EM 18/06/2010 16:19:47

Concordo com vc, Jorge. Tomei minhas surras qdo pequeno e nem por isso cresci revoltado ou c raiva do mundo. Muito pelo contrário, amo meus pais e sou muito grato a eles. Pq n era só a surra, tinham o carinho, o amor e a conscientização do erro cometido. Oxalá consiga criar os meus assim...


Angelo Mota

EM 18/06/2010 14:01:59

Tenho 39 anos e um casal de filhos um menino de 9 e uma menina de 5 como não tenho idéia de como será o futuro deles, resolvi trocar a criação para um mundo desconhecido pela convivência da realidade atual o que tem sido um desafio pelo menos para mim e minha esposa.


Claudio Matias

EM 14/06/2010 09:44:51

Atual dinâmica da sociedade mundial motivada principalmente pela tecnologia da informação não permite aos pais a se preparem a tempo para administrar as repentinas mudanças de valores, crença e comportamento social dos filhos e inclusive a dos próprios pais.


itamar

EM 14/06/2010 01:30:44

É muita tolice pais acharem que há uma cartilha para educar os filhos de hoje, é como se diz o velho ditado se você perdeu o controle, faça como seus pais fizeram com você eduque da maneira deles de antigamente.





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