Cinemas do futuro
André Parente cria o Visorama e Giselle Beiguelman e Rafael Marchetti propõem o celular como nova tecnologia de visualização
Paula Alzugaray
Figuras na Paisagem/ Oi Futuro, RJ/ até 30/5 Tele_bits 2.0/ Exposição Tão Longe, Tão Perto – Museu de Arte Brasilera, Faap, SP/ até 23/5 Uma tela panorâmica de 9x4m descortina um mosaico de imagens tão diversas quanto o E.T. de Steven Spielberg; um tecido de roupa interativo; o Chacrinha; um teclado-vestível; um celular-bolsa; um aparelho de cinema portátil; uma coleira de cachorro com GPS. Quinhentas e cinquenta e cinco imagens compõem a obra “Telebits 2.0”, de Giselle Beiguelman e Rafael Marchetti, que faz um recorrido pela história das relações entre telecomunicação e cultura. Instalada na exposição “Tão Longe, Tão Perto”, realizada pela Fundação Telefonica, “Tele_bits 2.0” não tem a forma do que tradicionalmente conhecemos como uma obra audiovisual. Isto é, não consiste em uma projeção de imagens previamente editadas por um autor. Trata-se de uma projeção de dados, que serão organizados pelos visitantes por meio de telefones celulares com programas de leitura QR-Codes (códigos de barra lidos por celulares). O celular, em “Tele_bits 2.0”, corresponde a um novo instrumento de visualização. Da mesma forma, o Visorama, da instalação “Figuras na Paisagem”, de André Parente, em exposição até o final do mês no Oi Futuro, Rio de Janeiro, é um dispositivo de imersão do espectador na obra audiovisual. Ambos os trabalhos trazem respostas de artistas pesquisadores às indagações sobre o presente e o futuro do cinema, em seu encontro com as novas mídias digitais. Para conceber o Visorama, o artista e pesquisador André Parente esteve nos últimos 12 anos envolvido em uma pesquisa científica similar à que levou os irmãos Lumière a criar, em 1898, uma câmera para fotografar panorâmicas e um sistema de projeções fotográficas em 360º. Esses primeiros sistemas fotográficos imersivos são a base conceitual do dispositivo de Parente, concebido no núcleo de tecnologia da imagem da Escola de Comunicação da UFRJ. O Visorama consiste em um software e em um aparelho de visionamento, que se parece com um binóculo. Nele, o espectador visualiza paisagens em 360º, que podem ser animadas a partir do acionamento de botões com três funções: rotações horizontais e verticais, zoom e saltos de imagem. Com esses recursos, Parente entrega ao usuário do aparelho as ferramentas de edição do filme, para a elaboração das narrativas de uma espécie de cinema ao vivo. “O dispositivo serve não apenas à arte. Pode ser usado em turismo histórico, em educação, em museologia, etc.”, aponta ele. Em “Tele_bits 2.0”, o filme também é feito pelo espectador participante, que aponta o telefone celular para os códigos de barra, acionando imagens, vídeos e verbetes arquivados em um banco de dados no Flickr (site de compartilhamento de imagens). Trata-se, portanto, de um audiovisual “em camadas”, que acontece além da superfície da tela de projeção. Fruto de uma convergência de mídias, a obra poderia ser definida como “datacinema” ou “metacinema”. “Nenhuma das imagens foi captada por nós, todas foram trazidas da internet”, diz Giselle Beiguelman. “Este é o filme do ‘homem sem a câmera’”, diz ela, referindo-se ao clássico “O Homem com a Câmera”, de Dziga Vertov, 1929.
ESTÉTICA DO BANCO DE DADOS
Na instalação “Tele_bits 2.0”, o filme
é acionado por leitura de códigos de barra
CINEMA AO VIVO
O espectador dirige o filme na
instalação “Figuras na Paisagem”
Se Vertov e Eisenstein pressentiram que uma nova sociedade exigia um novo tipo de visão, as recentes pesquisas com imagens, feitas com ou sem câmera, permitem compreensões múltiplas da realidade e são comparáveis ao grande período das experimentações com técnicas e linguagens do cinema.
Mccayde
EM 03/08/2011 17:32:28
I'm not eiasly impressed. . . but that's impressing me! :)
Chuckles
EM 02/08/2011 17:11:16
I waentd to spend a minute to thank you for this.
isabel cunha
EM 20/03/2011 20:53:41
estou sendo enganado pela istoé pos cancelei uma assinatura e continuo pagando sem receber a revista
Ultimas Notícias
publicidade
"Eu não estou preocupado com as pessoas muito pobres. Nem com os muito ricos. Minha campanha é focada nos americanos de renda média"
Mitt Romney, principal pré-candidato republicano à Presidência dos EUA"A sociedade é composta por seres falíveis. É dessa matéria-prima que é formada a magistratura"
Cezar Peluso, presidente do STF"Vocês são legais, vão lá fumar um baseadinho... cavalos... cachorros..."
Rita Lee, cantora, reagindo de forma inadequada diante da informação de que PMs teriam agredido pessoas em seu show
