Roleta russa
Nova sensação da internet, site promove encontros aleatórios via webcam - e isso pode ser um problema
Suzane G. Frutuoso
Um garoto de 17 anos, prestes a ser expulso da escola por faltas, está a um passo de se tornar o novo milionário da internet. O russo Andrey Ternovskiy está na mira de grandes companhias, como a americana Google e a Digital Sky Technologies, empresa de Moscou que em fevereiro anunciou um investimento de US$ 1 bilhão no site de relacionamentos Facebook. Ternovskiy é o criador de Chatroulette, site que conecta aleatoriamente pessoas de qualquer parte do mundo para conversas via webcam. Inventado em novembro para o jovem se comunicar com dez amigos, hoje recebe 1,5 milhão de visitas por dia. Uma ideia brilhante, mas com resultados questionáveis. O site permite ao usuário conhecer diferentes culturas ou treinar outro idioma pelo computador. Para participar do bate-papo, basta entrar na página e clicar com o mouse em “play”. No ícone “next”, o internauta dá início à “roleta”, passando de um interlocutor para outro, às vezes em poucos segundos – nenhum cadastro é preenchido. A questão é que surge diante da tela todo tipo de gente flagrada pela câmera. Há uma série de relatos de usuários que se depararam com pessoas se masturbando, por exemplo. O aviso de proibido para menores de 16 anos chama a atenção. Mas será que adolescentes e crianças vão respeitá-lo? O próprio Ternovskyi, cujo passe tem ofertas de até 30 milhões de euros, se diz preocupado em manter longe do Chatroulette “malucos e tarados”. Se vender parte de sua criação a uma empresa de tecnologia, o sócio deverá investir em comandos de segurança. Enquanto isso, aparece de tudo. “Já encontrei um monte de caras mostrando o pênis”, conta o francês Leo Landi, 25 anos, usuário do serviço há um mês. Para o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor da SaferNet Brasil, os pais precisam estar atentos. Essa geração é online e demonstra novas formas de pensar a amizade e a comunicação. A educação, diz ele, é a saída. “É preciso insistir no perigo de divulgar dados pessoais, sem esquecer que internet é espaço público. Isso as pessoas ainda não entenderam.” No livro “Como Proteger seus Filhos na Internet” o especialista em tecnologia da informação Gregory S. Smith diz que as webcams se tornaram o recente desafio dos pais. Poucos sabem, mas vídeos podem ser manipulados, assim como fotos. Para a psicóloga Neuzi Barbarini, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), os jovens não têm uma percepção do risco bem formada: “E os adultos que deveriam orientá-los ou estão muito ocupados, ou não têm noção do risco por desconhecer o funcionamento da internet, ou estão tão envolvidos pela novidade quanto aqueles a quem deveriam proteger.” Enquanto isso, o atual gênio da internet faz planos de ver sua empresa entre as principais do Vale do Silício, o centro mundial da cultura de TI. 
Colaborou Verônica Mambrini
Sandra de Santa Rosa
EM 14/03/2010 11:40:33
Novo atrativo do mundo virtual que merece ser discutido com nossos adolescentes e divulgado entre adultos menos informados. Concordo com o psicólogo Rodrigo Nejm sobre a educação virtual, não só de adultos mas também dos próprios usuários crianças, adolescentes e jovens.
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