Artes Visuais
|  N° Edição:  2103 |  26.Fev.10 - 14:58 |  Atualizado em 09.Fev.12 - 23:19

Álbum de retratos

Eder Santos trabalha com recursos tecnológicos de ponta e reverencia os recônditos da memória

Paula Alzugaray

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Roteiro amarrado/ Centro Cultural Banco do Brasil, RJ/ até 11/4

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FAMÍLIA
Espectador assiste ao vídeo “Humilhação” ajoelhado em oratório

Quatro ambientes de uma casa antiga estão representados na videoinstalação “Maneiras de se Playtear a Eternidade”, que abre a retrospectiva do artista mineiro Eder Santos, no CCBB Rio. São situações de confinamento e claustrofobia: atmosferas muito próximas à abordada pelo escritor Lúcio Cardoso no romance “Crônica da Casa Assassinada” (1959). Assim como ocorre na literatura de Cardoso, a casa de família – e toda a carga de memória impregnada em seus objetos – é a chave de entrada na obra desse criador, a quem se atribui a gênese da produção videográfica mineira, no final dos anos 1980. O vídeo de Santos compartilha com o cinema ou a literatura o desenvolvimento de narrativas rebuscadas. Se Cardoso encontrava sua motivação escrevendo “contra a concepção de vida mineira”, segundo suas palavras, as instalações de Santos também estão repletas de símbolos regionalistas e chegam a evocar o barroco também de forma crítica.

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INFÂNCIA
Em “Call Waiting” gaiolas com projeções

Nessa seleção de 18 trabalhos, realizada em parceria com a curadora Solange Farkas, tudo é memória e remissão a algum lugar do passado. As salas dessa primeira individual do artista no Rio de Janeiro – e sua primeira retrospectiva em 20 anos de trabalho – podem ser comparadas às páginas de um álbum de retratos. As 50 gaiolas da instalação “Call Waiting” (2005) evocam os pássaros criados pelo pai, em sua infância em Belo Horizonte. Em “Remorso”, um dos seis objetos que constituem a instalação “Enciclopédia da Ignorância”, são projetadas sobre uma pedra de granito imagens de heras que crescem e transformam-se em fotos de família. Aparições e fantasmagorias deambulam em todos os espaços da exposição. A degeneração da imagem é um recurso trabalhado desde os anos 1990, com o vídeo analógico. Ao gerar sucessivas cópias e reprocessar a mesma imagem inúmeras vezes, o artista transformava o defeito em efeito, criando uma estética própria pela qual ficou conhecido no Brasil e no Exterior. “O que faço é cinema em 3D. Como o cinema, meu trabalho é todo construído e roteirizado”, diz o artista, ao explicar o título da exposição, “Roteiro Amarrado”. “Embora não pareça, todos os meus filmes têm roteiro. Aqui, nesta  exposição, estamostentando ‘amarrar’ esses roteiros.”

 

Call Waiting: confira imagens da instalação do artista mineiro Eder Santos

xigrzageb

EM 13/09/2011 09:33:56

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EM 11/09/2011 06:31:28

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Loran

EM 10/09/2011 01:06:01

Son of a gun, this is so helupfl!


Eduardo

EM 31/03/2010 12:02:22

Vi a exposição no CCBB-RJ. Muito esclarecedora essa matéria!





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