Conservação
|  N° Edição:  2102 |  19.Fev.10 - 21:00 |  Atualizado em 10.Fev.12 - 20:52

O caçador virou caça

Pesquisadores comprovam que barbatanas de tubarões abatidos no Brasil são vendidas em Hong Kong

André Julião

chamada.jpg

O maior predador dos oceanos corre o risco de desaparecer. O aumento da pesca – principalmente para a retirada das barbatanas – vem causando a diminuição da população de tubarões no mundo todo. Considerada uma iguaria na Ásia, onde é consumida em sopas, essa parte do animal pode custar até US$ 700 o quilo. Por outro lado, sua carne alcança o preço médio de US$ 10 por quilo. Tamanha discrepância torna a situação ainda mais cruel, já que alguns pescadores praticam o “finning”, técnica que consiste em cortar apenas as nadadeiras e jogar a carcaça de volta ao mar. Muitas vezes, o tubarão é descartado ainda vivo e agoniza até a morte. Estima-se que algo entre 26 e 73 milhões de tubarões sejam mortos anualmente para suprir o mercado consumidor de barbatanas. Dentre as 490 espécies do mundo, o tubarãomartelo (Sphyrna lewini) é um dos mais ameaçados, com até três milhões de exemplares abatidos todos os anos. A ameaça ao animal é tema de uma pesquisa publicada na revista alemã “Endangered Species Research”, que tem como um dos autores o brasileiro Danillo Pinhal, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

img.jpg
CRUELDADE
As barbatanas do tubarão-martelo são consideradas uma iguaria em países da Ásia

O estudo foi realizado na Universidade New Southeastern, em Fort Lauderdale, na Flórida (EUA), e é parte do trabalho de doutorado de Pinhal. Os dados publicados, juntamente com propostas para a proteção da espécie, serão apresentados em março na Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, no Catar. Pinhal e outros pesquisadores coletaram material genético de 177 tubarões- martelo da costa brasileira, do Caribe, do Golfo do México e dos oceanos Pacífico e Índico.Eles confrontaram os dados com o DNA de 62 barbatanas de tubarões da mesma espécie à venda em Hong Kong – um dos maiores mercados no mundo. Os biólogos concluíram que 21% das nadadeiras vinham do Oceano Atlântico Ocidental – área que inclui o Brasil –, onde desde 2006 o tubarão-martelo é considerado “em perigo” pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). “Eles são animais altamente vulneráveis. Têm crescimento lento, maturação sexual tardia e geram apenas um filho por ano”, diz Pinhal. É a primeira vez que testes de DNA são usados para determinar a origem de nadadeiras de tubarões.

img1.jpg

Os pesquisadores analisaram regiões do código genético conhecidas como microssatélites – as mesmas mapeadas para a determinação de paternidade em humanos e identificação de criminosos. Eles pretendem estabelecer um padrão genético de cada população. “A partir desses padrões, é possível comparar grupos e analisar os níveis de diferenciação genética”, explica o biólogo. Com todos os dados em mãos, os pesquisadores pretendem propor medidas que ajudem na elaboração de estratégias de manejo e conservação do tubarãomartelo. Os cientistas estão usando o mesmo método para determinar os padrões genéticos de outras espécies do animal e também de raias. Os oceanos agradecem.

luciana

EM 14/04/2011 19:52:44

A matéria tem erros muito graves!!! Esse pesquisador pelo que eu já ouvi por ai não tem credibilidade alguma com biologia de tubarões, aliás andei pesquisando e vi que o curriculo dele é bem perdido.


Nelson Carvalhaes

EM 25/02/2010 20:23:05

Acredito que falhas de informações podem comprometer ainda mais a credibilidade de pesquisadores sérios. Mais cuidado Professor Danilo.


Pedro Bial

EM 25/02/2010 20:10:48

Hahaha... cheio de infomação errada.


Vilomar Nóvis Perêa Bélas

EM 22/02/2010 03:00:41

Ótima matéria...É ótimo saber que ainda existem pessoas preocupadas com a natureza e o ecossistema de nosso tão judiado planeta e fico mais contente ainda de ser um grande amigo do pesquisador!...Parabéns Pinhal pelo nobre tema de seu trabalho de doutorado e lógico pela matéria também, abraço!


Danillo Pinhal

EM 21/02/2010 23:44:15

ERRATA: De fato houve um erro na ediçao do texto e onde está escrito "um filho por ano", leia-se " a espécie gera de 5 a 40 filhotes uma vez por ano".





publicidade
índice de matérias edições anteriores edições especiais assine a revista

© Copyright 1996-2011 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.