Atirador de elite
FHC ataca Dilma, obriga PSDB a defender sua gestão e assume o papel de porta-voz da oposição na eleição presidencial
Jorge Felix
A cada campanha presidencial, Fernando Henrique Cardoso tem uma tarefa muito mais árdua do que a batalha eleitoral: convencer o candidato do seu próprio partido, o PSDB, a defender os seus oito anos de governo. Nem José Serra, em 2002, nem Geraldo Alckmin, em 2006, aceitaram a missão. Desta vez, FHC parece ter perdido a esperança. Diante da demora de Serra em confirmar-se na disputa e das críticas do PT, decidiu ele mesmo assumir a defesa de seus feitos. Por um lado, ampliou o risco para os tucanos. Por outro, retesou o debate eleitoral com uma só frase sobre a ministra-candidata: “Dilma não é líder.” A frase de FHC, apesar de ter lustrado um pouco a imagem da oposição – até então inibida pela popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e temerosa em cair na polarização tão almejada pelo PT –, saiu depois de ele mesmo ouvir reclamações por ter defendido seu governo em artigo nos jornais “O Globo” e “O Estado de S. Paulo”. Com o título “Sem medo do passado”, FHC fez o que nunca um candidato tucano quis: listar o que considera os méritos de seu governo, inclusive, segundo ele, as privatizações. E aceitou a comparação: “Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.” Mas Serra não gostou. "Dilma não é líder, é reflexo de um líder" Na opinião do governador, FHC estaria fazendo o que os estrategistas do PT sempre apontaram como o melhor para a candidatura oficial, ou seja, a comparação dos dois governos. O fato é que FHC procura resgatar algo que o PSDB perdeu com suas estratégias malsucedidas em 2002 e 2006. O ex-presidente ainda busca um herdeiro e, agora, corre o risco de ver o candidato Serra elogiar mais os méritos sociais do governo Lula do que defender as privatizações tucanas – tal como ocorreu com Alckmin e como pregam aqueles que apostam na “campanha do pós-Lula”. A amigos, FHC confessa que atribui a esse erro o fato de algo tão forte como o Plano Real, que o elegeu no primeiro turno em 1994 e 1998, hoje nem sequer ser levado em consideração pelo eleitor na hora de apertar o botão na urna eletrônica. O PSDB, ao abrir mão da defesa de FHC, segundo avalia o próprio, deixou escapar o seu maior trunfo administrativo: ter derrubado a crônica e alta inflação. Esse feito, na avaliação do ex-presidente, poderia ter um impacto eleitoral maior e mais duradouro do que qualquer programa Bolsa Família. Mas os candidatos do PSDB, nas últimas campanhas, tinham outras preocupações. Serra, em 2002, apostou demais em seu cacife pessoal e negou o programa econômico comandado pela equipe de seu desafeto monetarista Pedro Malan. Já Alckmin teria partido para a campanha com mágoas depois da tumultuada escolha de seu nome como candidato. "Ela é dogmática" FHC era a favor de Serra e, por isso, o então governador nunca aceitou o papel de defender as realizações do governo do ex-presidente. Agora FHC decidiu provocar o debate e, com isso, criou uma situação sem volta para o candidato tucano. Quando Serra decidir entrar na disputa – o que por FHC já teria ocorrido –, ele dificilmente conseguirá fugir da defesa da gestão do ex-presidente. Pode até ignorar a era FHC no horário eleitoral, mas em entrevistas e debates, certamente, será posto o tema. É por isso que Serra tratou de agir rápido e está trabalhando para o debate voltar ao rumo que ele quer, isto é, a comparação entre o seu governo em São Paulo e o de Lula e ataques somente a Dilma, jamais ao presidente “mito”. Nesta segunda empreitada, foi auxiliado por todo o tucanato. Na terça-feira 9, o senador Tasso Jereissatti (CE) disse que Dilma é “uma liderança de silicone”, tentando esquentar as críticas à ministra com uma imagem distante da acadêmica sociologia de FHC. Na quinta-feira 11, o presidente voltou a mostrar que o atirador de elite do PSDB, por enquanto, é ele mesmo e, em entrevista ao jornal “The Miami Herald”, voltou a acertar a mira: “Ela é mais próxima do PT. Lula tem mais independência do PT. Ele é um negociador. Ele tem a habilidade de mudar de opinião. Eu não acho que Dilma faria isso porque ela é mais – talvez isso seja muito duro – dogmática. Ela tem uma visão ultrapassada a favor de uma maior interferência (do Estado na economia).” E continuou: “Ela é muito dura, uma pessoa autoritária.” "Ela é muito dura, uma pessoa autoritária" No entanto, no que diz respeito à comparação entre os dois governos, Serra pode ser surpreendido. Se o paralelo entre a gestão de FHC e a de Lula, logo feito pela imprensa, deixa o primeiro em desvantagem na área social – embora a metodologia seja contestada pelos tucanos por não ter sido levada em conta a conjuntura econômica do momento de cada governo –, o primeiro exercício de confronto entre os períodos Serra e Lula também derruba teses do PSDB, como a disciplina fiscal. Um estudo do economista-chefe do Banco Santander, Alexandre Schwartsman, divulgado na quarta-feira 10, revelou que o rigor fiscal de Serra e de Lula foi o mesmo. Os gastos de Serra cresceram, desde 2006,1,3 ponto percentual do PIB paulista, enquanto os investimentos subiram 0,8 ponto percentual. Já o governo Lula ampliou os gastos correntes em 0,9 ponto e os investimentos em apenas 0,4. “Os mesmos fatores que seguram os investimentos federais parecem também segurar os estaduais”, diz Schwartsman. Em resumo: defender gestões ou comparar governos é uma tarefa que parece simples. Mas não é. "Ela tem uma visão ultrapassada"
DESAFIO
FHC chama o PT para o debate

Tory
EM 11/09/2011 13:06:55
I can alerady tell that's gonna be super helpful.
Jenibelle
EM 03/09/2011 16:02:25
Now we know who the ssenbile one is here. Great post!
Nivaldo
EM 19/02/2010 20:27:34
FHC VÁ AO SEU ORTOPEDISTA E PROCURE CURAR A SUA DOR DE COTOVELO. SEU GOVERNO FOI SIMPLESMENTE UM DESASTRE PARA O POVO BRASILEIRO. ONDE COLOCOU O DINDIN DAS MARACUTAIAS DAS EMPRESAS DESESTATIZADAS A PREÇO DE BANANA? COMO DIZ O VELHO ROMÁRIO: VOCÊ CALADO É UM GRANDE POETA.
Silas Ferreira
EM 13/02/2010 15:54:37
Manifestão corretíssima, mas momento inadequado. FHC tinha que contestar e chamar para o debate assim que o Lula/PT começaram a mentir/difamar, com o tal do "nunca antes nesse país". Ficaria claro que ele é mero continuador do FHC, num contexto nacional (herdado) e internacional bem mais favorável.
Ultimas Notícias
publicidade
"Agora fica mais fácil entender o que Geraldo Alckmin pretendia quando recomendou uma aula de democracia aos estudantes da USP"
Raimundo Bonfim, ativista, criticando a Secretaria de Segurança de SP, que chamou de "revolução" o golpe militar de 64"Vocês são legais, vão lá fumar um baseadinho... cavalos... cachorros..."
Rita Lee, cantora, reagindo de forma inadequada diante da informação de que PMs teriam agredido pessoas em seu show"Eu não estou preocupado com as pessoas muito pobres. Nem com os muito ricos. Minha campanha é focada nos americanos de renda média"
Mitt Romney, principal pré-candidato republicano à Presidência dos EUA
