De office boy a ministro
Com Paulo Teles Barreto, o Ministério da Justiça volta a ser chefiado por um servidor de carreira após 188 anos
Claudio Dantas Sequeira e Sérgio Pardellas
Começou a dança de cadeiras na Esplanada dos Ministérios. Na quarta-feira 10, tomou posse como novo ministro da Justiça Luiz Paulo Teles Barreto. De perfil técnico e personalidade discreta, ele substituiu o controverso Tarso Genro, primeiro ministro a deixar o governo para disputar as eleições de outubro. Barreto traz no currículo uma experiência de 20 anos como servidor da pasta. Iniciou sua trajetória no ministério com apenas 19 anos, como auxiliar administrativo, o equivalente a um office boy na iniciativa privada. “Fui galgando posições até chegar aqui”, disse à ISTOÉ. O último funcionário de carreira a assumir o Ministério da Justiça havia sido o marquês Caetano Pinto de Miranda Montenegro, em outubro de 1822, um servidor da corte portuguesa, que havia sido capitão-general da província de Pernambuco. O fato de Barreto ser um funcionário antigo teve um peso importante para sua ascensão. Mas sua indicação esteve por um fio, devido às pressões de setores do PT para emplacar o nome do deputado José Eduardo Cardozo (SP). Para a balança pender a favor de Barreto, foi necessária uma articulação de bastidor promovida pelo ex-ministro Márcio Thomaz Bastos. Para não entrar em choque com o PT, Lula e Genro preferiram lavar as mãos na sucessão do Ministério da Justiça. Coube ao vice-presidente José Alencar dar a palavra final. Embora estivesse inclinado a referendar o nome de Cardozo, Alencar acabou mudando de ideia, convencido pelo bispo Edir Macedo. Por ter ascendência sobre o PRB de Alencar, o líder da Igreja Universal entrou no circuito a pedido de Thomaz Bastos. Segundo apurou ISTOÉ, as conversas que selaram a indicação de Barreto ocorreram entre os dias 20 e 21 de janeiro. “Teve uma recomendação dele, é verdade. O ministro Thomaz Bastos é meu amigo”, afirmou Barreto. Em 2003, foi Bastos quem promoveu o agora ministro ao cargo de secretário- executivo. “O Luiz Paulo tem um valor especial. Ele é um excelente servidor público”, disse à ISTOÉ Thomaz Bastos. A escolha de Barreto também atende ao plano do presidente Lula de garantir a execução dos programas do governo até o último dia do mandato. Dessa maneira, não se espera nenhuma grande mudança na pasta. Barreto também descarta qualquer troca no comando da Polícia Federal, apesar das especulações que surgiram nas últimas semanas. “Conheço o Luiz Fernando Corrêa há muito tempo. Somos parceiros em diversos programas. Estou satisfeito com todo o trabalho que ele vem realizando, tanto na gestão da PF como nas investigações”, disse Barreto. O novo ministro também manterá o diretor da Polícia Rodoviária Federal, Hélio Cardoso Derenne. Internamente, o gesto é visto como uma forma de conter eventuais “rebeliões” entre os seus comandados. Dentre as prioridades da nova gestão está a execução do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), cujo orçamento para este ano é de R$ 1,4 bilhão. “Esse dinheiro será investido em segurança preventiva, independentemente da questão partidária e eleitoral”, garante Barreto.
TOPO
Barreto entrou no ministério aos 19 anos
Ana Maria
EM 28/07/2010 23:37:41
A escolha de Luis Paulo Barreto para Ministro foi uma decisão sábia. Ele,além de íntegro, é um funcionário de carreira competente. Não importa quem escolheu, o que importa é que desta vez fizeram uma escolha acertadíssima. Ana Maria Fortaleza (CE)
Ledo Engano
EM 24/02/2010 07:31:09
Será que o dedinho do Márcio Thomas Bastos na indicação do Barreto tem a ver com o fato dele advogar para a Universal e a Camargo Correa, ambas investigadas pela PF? Provalmente, não.
RENILDO NAIFF
EM 19/02/2010 11:29:03
Acho mais do que justo a Administração pública ser comandada por funcionários de carreira. A pior praga na Administração pública é a ingerência política. Eles sucateiam a Administração pública e depois vão embora.
Marcelo B. F.
EM 19/02/2010 09:45:45
Percebi um viés preconceituoso quando foi afirmado que Edir Macedo é o maior trambiqueiro do país. Convenhamos, se não for por puro preconceito é, no mínimo, desconhecimento absoluto de política. Roberto Marinho existiu. Não foi conto da carochinha não, pessoal!
Marcos Gomes
EM 16/02/2010 19:40:53
Pobres gaúchos, bom para os nordestinos. Eu explico: eles ( nordestinos ) devem ao Olívio a Ford, a Grandene, entre outras.
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