O cerco se fecha
Ahmadinejad enfrenta o mundo com sua política nuclear e o Brasil fica isolado como o único defensor do iraniano
Claudio Dantas Sequeira
O Irã ainda não tem capacidade técnica para construir a bomba, mas a decisão de elevar o teor do enriquecimento de urânio de 5% para 20%, anunciada pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad na terça-feira 9, deixou a comunidade internacional em estado de alerta. Se fosse um Estado democrático, com amplas liberdades civis e total transparência em seu programa nuclear, provavelmente seria possível evitar sanções “enérgicas” como as que estão sendo defendidas pelos Estados Unidos e pela França. Mas ocorre o contrário. Há pouco mais de quatro meses, descobriu-se que Teerã construiu em segredo uma usina de enriquecimento de urânio. Para piorar, desde que foi reeleito num pleito questionado por setores da população, Ahmadinejad tem endurecido as medidas de controle social e abusado da violência contra manifestantes. A intransigência dificulta a busca por uma saída pacífica e isola o Brasil como único defensor da tese contrária a punições a Teerã. “Não sou ingênuo a respeito das dificuldades de um acordo. Mas o outro caminho, o das sanções, foi perseguido nos casos do Iraque e do Irã sem nenhum efeito prático”, diz o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Para o chanceler, o povo iraniano será o mais prejudicado pelas restrições econômicas. “A intenção brasileira é louvável, mas as janelas de oportunidade estão se fechando por culpa do próprio presidente iraniano”, afirma Valerie Lincy, pesquisadora do Wisconsin Project sobre controle de armas nucleares. Com o gesto desafiador, Ahmadinejad praticamente sepulta o plano que vinha sendo negociado no âmbito da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), ligada à ONU. Pela fórmula, aceita pelas potências negociadoras (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha), o Irã enviaria 85% de seu estoque de urânio para Rússia e França, onde seria enriquecido a um nível adequado para fins medicinais. Inicialmente, Teerã pareceu concordar com a fórmula, mas depois recuou. “Temos que concordar que o acordo está morto”, diz Valerie. Como ISTOÉ revelou em novembro, a possibilidade de que o urânio fosse enriquecido no Brasil, um país neutro, chegou a ser considerada pelos iranianos. Mas o governo brasileiro declinou, basicamente por falta de capacidade técnica. A produção atual é insuficiente para abastecer as usinas de Angra 1 e 2 e o plano de expansão do setor nuclear prevê ainda a criação de mais usinas e a construção de fábricas de radioisótopos, tecnologia que movimenta bilhões num mercado dominado pelas mesmas potências que tentam punir o Irã.
SANÇÕES
Ahmadinejad em usina iraniana: sem chance de acordo com potências mundiais 
Henrique
EM 17/05/2010 06:44:27
Bem, me parece que o "sem chance de acordo com potências mundiais"mudou um pouco ! Vamos ver agora como vcs vao virar este novo acordo contra o Lula !
Vital
EM 17/02/2010 21:06:48
Culpar o Brasil por qualquer coisa é fácil,principalmente se qualquer decisão do Brasil fizer mal aos americanos, ai vem uma chuva de críticas.Esses inocentes Americanos "MATAM" creianças e mulheres inocentes no Iraq e no Afeganistão e ninguém faz criticas a eles.Deixem o sr.Ahmadinejad em paz.
Davi almeida cunha
EM 17/02/2010 10:29:23
o brasil não é maria-vai -c/-as-outras. é signatário da ONU, portanto, tem q se meter sim. é muito cômodo vc ter bombas nucleares e não querer q outros as tenham. mesmo q o iran tivesse armas nucleares e resolvesse atacar israel, o iran seria simplesmente pulverizado. não seriam tão loucos.
Edmundo dos Santos Silva
EM 17/02/2010 02:16:16
Esse homen é daqueles falsos líderes, que o povo Iraniano não precisa, no entanto sou contra qualquer tipo de medida de força, pois ela só beneficia aqueles Paises que precisam de invasões, para treinar e manter economicamente seu potencial militar. Que o povo Iraniano seja estimulado a lutar c ele.
José Lima
EM 16/02/2010 08:01:32
O pior dessa política brasileira com o Irã é ficar exposto e disponível para servir de pombo-correio entre partes litigantes. Principalmente porque, se não estamos nos alinhando automaticamente com bloco nenhum, a aproximação com o Irã tem objetivos comerciais e, portanto, não especula ações bélicas
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