O momento de Lula
Uma crise de hipertensão obriga o presidente a reduzir o ritmo exatamente quando seu prestígio internacional está nas alturas e, no Brasil, sua candidata mais precisa de seu empenho
Octávio Costa e Mônica Tarantino
Confira abaixo os vídeos da entrevista com o cardiologista Nabil Ghorayeb sobre o caso do presidente Lula, a hipertensão e como evitá-la A atual fase vivida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva é resplandecente e ao mesmo tempo delicada. Isso se refletiu na última semana, quando ele sofreu um baque em sua saúde, certamente o mais grave que o acometeu desde o início do primeiro mandato. Na quarta-feira 27, Lula não amanheceu bem. Embarcou para o Recife e durante o voo precisou se submeter a nebulização nasal. Mesmo assim, ao lado da ministra Dilma Rousseff, inaugurou unidades de atendimento à saúde. À noite, recusou o jantar oferecido pelo governador Eduardo Campos e, dizendo-se indisposto, com dor de garganta e dores no peito, comeu apenas canapés. Por volta das 23 horas, Lula foi ao aeroporto e já decolava rumo à Suíça, onde participaria do Fórum Econômico Mundial, quando avisou a assessores que não estava melhorando. Ao medir a pressão arterial do presidente, o coronel Cleber Ferreira, médico oficial do governo, constatou altíssimos 18 por 12. Diante da crise de hipertensão, Ferreira entrou em contato com o cardiologista Roberto Kalil Filho, do Incor, que proibiu o presidente de seguir viagem e recomendou exames no Hospital Real Português do Recife. O presidente chegou ao hospital com a camisa aberta e transportado em uma cadeira de rodas. Muito abatido, fez exames, foi medicado e ficou em repouso. Às 6 horas, acordou seus assessores: “Vamos embora, tive alta.” Seguiu para São Bernardo do Campo, onde permanecerá descansando até a segunda-feira 1º. O baque na saúde do presidente acontece no momento em que ele desfruta de popularidade recorde e tem conquistado plateias muito distintas. Na terça-feira 27, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, foi aplaudido por grupos de esquerda, mesmo fazendo um mea- culpa. “Sabemos que há diferença fundamental entre o que um governante sonhou a vida inteira e o que conseguiu realizar”, disse Lula. Em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, seria o primeiro governante do mundo a receber o título de Estadista Global. Em grande parte, a saúde de Lula foi abalada exatamente pela notoriedade que ele conquistou. A agenda do presidente fugiu ao controle. Em 2009, Lula passou 91 dias no Exterior, em 31 países, e durante 83 dias viajou pelo Brasil. A crise de hipertensão do presidente veio no momento em que ele tomou para si a candidatura de Dilma Rousseff e intensificou as viagens pelo País. Lula amanheceu na segunda- feira 25 em São Paulo e à tarde foi para o Rio de Janeiro. Participou da festa de 100 anos da mãe do compositor Chico Buarque e, depois, do aniversário do governador Sérgio Cabral. Deixou o Rio às 23 horas. Na terça-feira 26, despachou de manhã em Brasília e foi para Porto Alegre, de onde só voltou às 22 horas, sentindo-se gripado. No dia seguinte, embarcou para Recife. Apesar das férias no início de janeiro, o presidente passou a reclamar de cansaço e disse a assessores que só conseguia dormir quatro horas por dia. “No caso do presidente, o stress e o cansaço são fatores importantes. E o repouso é recomendado para observar se ocorrerão outros picos de pressão”, explicou à ISTOÉ o cardiologista Nabil Ghorayeb. A crise de hipertensão no Recife acendeu um sinal de alerta entre os aliados sobre o ritmo a ser empregado pelo presidente daqui por diante. É certo que ele terá de reduzir suas atividades. “Lula tem uma vida estressante e um ritmo de atividade excessivo. Isso favorece problemas cardíacos”, afirma o cardiologista Adib Jatene. Seu colega Nabil Ghorayeb diz que é importante saber “se há propensão familiar”. Há. Seu irmão mais próximo, Frei Chico, que vive em São Bernardo, é hipertenso e toma remédios há 25 anos. “Lula está bem e acredita que foi só um susto. Me disse que a causa de a pressão ter subido foi o cansaço. Foi a primeira vez que isso aconteceu”, afirmou Frei Chico. O susto passou. Mas o fato é que o presidente voltou a fumar, parou de se exercitar e abandonou sua dieta alimentar. No ano passado, alegando falta de tempo, deixou de fazer o check-up de rotina. Mas houve outro motivo. “Não fiz porque o José Alencar está com problema de saúde e a Dilma teve o problema dela. Eu falei: pô, se eu fizer e der alguma coisa, a República está desgraçada. Faço em janeiro”, confessou Lula, em solenidade na Controladoria-Geral da União, em dezembro. Agora, o check-up será inevitável. “Ele vai fazer um check-up nem que seja amarrado pela orelha”, afirmou Roberto Kalil Filho. Uma bateria de exames estava prevista para o sábado 30, às 8 horas, no Incor, para avaliar possíveis extensões da crise hipertensiva. Segundo uma fonte da família, o exame inclui ressonância magnética do crânio e angiografia cerebral, para prevenir a possibilidade de um acidente vascular cerebral (AVC). Após os exames, o presidente Lula, certamente, terá de rever sua agenda e seus hábitos. “Não sei se Lula é hipertenso, mas ele tem perfil. Está acima do peso e passa por situações de stress”, adverte o presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão, cardiologista Fernando Nobre. A recomendação médica, quase inevitável, pegará o presidente Lula exatamente no momento em que sua presença será mais exigida. Com dois semblantes, o fulgurante e o abatido, Lula se prepara, agora, para enfrentar o desafio das urnas. E sabe que Dilma Rousseff depende umbilicalmente de sua disposição física. O presidente precisa acelerar os eventos oficiais, pois Dilma terá que deixar o governo em abril. E o maior receio que paira sobre a candidatura da ministra, admitido pelos próprios aliados, é sua falta de traquejo nos palanques. O que Lula tem de sobra. Até mesmo se sentindo indisposto. 
SEM DESCANSO
Só em 2009 Lula passou 91 dias viajando por 31 países
RECUPERADO
Após o susto, Lula deixa o Hospital Português do Recife, onde posou para fotos com os funcionários e médicos que o atenderam

Colaboraram: Adriana Nicacio, Alan Rodrigues e Greice Rodrigues
Ricardo Azevedo
EM 01/02/2010 11:09:25
No caso do Lula, tem uma minoria que não aceita a idéia de que um homem de pouca instrução formal se elegeu e esta fazendo um governo excelente, histórico. Tem gente que só sabe criticar e nunca reconhecer o mérito e isto é típico dos medíocres. Valeu Lula, voce é um grande Presidente. Obrigado!
Elvis Lozeiko
EM 01/02/2010 08:59:19
Que "inteligente" o comentário de um certo cidadão aí, dizendo que o Lula faz "turismo em excesso". Por acaso gostaria que o presidente da República ficasse trancado em seu País? Faça-me o favor! Respeito (inclusive internacional) e bom e todos nós gostamos. Não somos mais um País de segunda classe.
ligus
EM 31/01/2010 19:52:21
Se o mundo olha para o Presidente Lula e ele se destaca tanto, é porque trabalha. Hoje temos um presidente que é respeitado e reconhecido pelos Jornais e revistas mais importantes do mundo. Lula trabalha para os mais necessitados. A burguesia não aguenta isso. Basta ver os cometários maldosos...
Marcus A. Oliveira
EM 31/01/2010 16:33:38
Não sabia que a prática do turismo em excesso poderia resultar neste tipo de inconveniente. Com muita preocupação, pensando na saúde de nosso grande líder, "o cara", sugiro que êle coloque o bumbum na cadeira e comece a trabalhar. Provavelmente esta nova atividade na vida dele, trará melhoras.
ricardo
EM 31/01/2010 16:24:52
Este omisso poderia aproveitar q nao pode ficar viajando e sentar a bunda na cadeira e trabalhar um pouco e parar de fazer capanha eleitoral antes do tempo
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