A Bahia do futuro
Um ambicioso plano urbanístico pretende transformar Salvador, com a revitalização de áreas degradadas e obras de trânsito. Mas é preciso sair do papel
Carina Rabelo
A Salvador exaltada em verso e prosa por artistas baianos como Dorival Caymmi e Jorge Amado há muito perdeu o vigor da beleza poética que a música e a literatura lhe conferiram. Como outras metrópoles brasileiras, a capital da Bahia cresceu de forma desordenada, sem planejamento e, pior, em certa medida, de costas para as belezas da Baía de Todos os Santos. Para reverter este quadro, um ambicioso projeto foi apresentado pelo prefeito João Henrique Carneiro na quinta-feira 28. O objetivo é bastante ousado: transformar Salvador numa capital moderna, à altura do polo turístico e cultural que é hoje, no prazo de dez anos. Não é difícil entender o nível de saturação atual. A última reforma urbanística da cidade ocorreu há 40 anos. Neste período, o número de habitantes saltou de 700 mil para 3 milhões e a estrutura do município não acompanhou o crescimento populacional. A ideia da prefeitura é corrigir dois grandes problemas: a falta de mobilidade urbana e a degradação da cidade baixa, um negligenciado cartão-postal de cenários memoráveis, como a Ribeira, o Bonfim e a praia de Boa Viagem. O megaplano anunciado pelo prefeito inclui 20 projetos, entre redes integradas de transporte, obras viárias, revitalização da orla e modernização do centro histórico. A prefeitura ainda não tem um orçamento preliminar das obras, mas elas contarão com verba das três esferas de governo, além da iniciativa privada. Salvador será uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 e o evento deverá ser um catalisador da modernização. Da mesma forma, a cidade espera se beneficiar do fluxo turístico proporcionado pela Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016 e precisa estar pronta para isso. O único edital aberto para a construção imediata é o corredor viário que conecta o aeroporto ao acesso norte da cidade, com integração ao metrô, que finalmente deve entrar em funcionamento ainda este ano, após uma década em construção, embora tenha apenas seis quilômetros de extensão. “O metrô serve de exemplo para os gestores públicos do que não se deve fazer”, afirma Antônio Abreu, secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente, em referência ao projeto conhecido pela lentidão e pelos erros estruturais. O grande desafio do plano é a ocupação irregular de Salvador ao longo dos seus 460 anos. Em comum com outras metrópoles, enfrenta o excesso de moradias nos morros onde enchentes são frequentes. Mas, ao contrário de outras cidades litorâneas, ela negligenciou aquilo que tem de mais belo e cresceu de costas para o mar. Na parte alta, nasceram os luxuosos bairros conhecidos pelo turismo e pelo circuito carnavalesco, como Barra, Ondina e Rio Vermelho. Na parte baixa, a cidade está esquecida, confinada no concreto. A área ficou marcada pelas construções industriais, comerciais e de suporte à navegação e hoje não dispõe sequer de uma orla de onde seja possível apreciar a Baía de Todos os Santos. “Salvador precisa se voltar para o mar”, diz o prefeito João Henrique Carneiro. O projeto de abertura da frente marítima é audaz. “Teremos que desocupar as construções que formam o paredão”, afirma o arquiteto Marcelo Ferraz, coordenador do projeto de revitalização da cidade baixa. “Serão instalados calçadões semelhantes aos da praia de Copacabana.” Para ampliar a integração das cidades alta e baixa, foram projetados um teleférico, ciclovias, calçadões e bondes modernos. Outra proposta é criar no porto uma estrutura turística mediante a desobstrução dos armazéns. O conjunto de obras viárias e de transporte é a aposta decisiva para desafogar o trânsito caótico. Atualmente, os veículos dispõem de apenas quatro grandes acessos para cruzar a cidade. Com a maior densidade populacional do País – são mais de 9 mil habitantes por quilômetro quadrado –, Salvador não comporta a frota de 700 mil veículos. Serão criados acessos alternativos que estimam um deslocamento máximo de 20 minutos entre pontos estratégicos. A orla da parte alta, degradada pela falta de manutenção, também está no alvo. O projeto prevê a criação de mirantes e a padronização de todas as barracas de praia. “É uma das prioridades para a Copa”, afirma o arquiteto e autor do projeto Ivan Smarcevski. O plano “Salvador, capital mundial” é bom. O desafio é tirá-lo do papel e fazê-lo sobreviver aos próximos governantes.
FRENTE MARÍTIMA
Área portuária modernizada, calçadão e vista total para o mar
VERSÃO 2014
O estádio da Fonte Nova será demolido e reconstruído para a Copa do Mundo

luiz
EM 29/03/2012 18:56:23
É um absurdo vcs axrem que essa proposta é boa para Salvador! Vcs n tem noção da qtde de gnte que vai ser desapropriada para ampliações de vias que no futuro vão engarrafar de qlqr jeito, ou do monte de edifícios que vão para a orla no lugar dessas casas que ninguem diz pra q são!! É um absurdo!!!
nilton Ribeiro da Cruz
EM 05/03/2010 15:16:11
Sol. dos nossos governantes que deem a mesma att a orla ferroviária que tanto eles discriminam, chegou a vez dessa população sofrida reclamar de seus direitos. Temos uma orla linda da ribeira/ plataforma até Sao Tomé. chega de segregação! Não queremos favelização. Aproveitem a Copa de 2010 .
Rodrigo
EM 18/02/2010 14:38:27
Esse João Henrique é mesmo um fanfarrão. De conversa mole ele muito bom.
Cauan
EM 05/02/2010 16:33:43
Finalmente um projeto com tendência. Mas como já especulado, resta esse projeto sair do papel e tornar-se realidade. Salvador mere isso mesmo, é uma cidade linda, cheia de cultura e de gente maravilhosa. Só está faltando vergonha na cara e educação. Se apoiado, esse projeto irá pra frente. Parabéns.
Zé Silva
EM 31/01/2010 22:07:45
A cidade vai ficar linda, mas e o que fazer com o povinho sem educação que vive emporcalhando a sujando a cidade ? ! ? ! ? ! ? ! ?
publicidade
"Do jeito que está, daqui a pouco vão soltar o Carlinhos Cachoeira e prender o Roberto Gurgel"
Pedro Taques, Pedro Taques, senador, sobre as suspeitas que pairam sobre o procurador-geral da República"Não tem essa história de dois lados. Um lado já foi suficientemente condenado, assassinado, desaparecido"
Paulo Sérgio Pinheiro, integrante da Comissão da Verdade
