O Fotográfo Como Curador
Rochelle Costi fotografa os porões do CCSP e expõe uma seleção de "objetos encontrados"
Paula Alzugaray
Convidada a desenvolver uma obra especialmente para o Centro Cultural São Paulo, referindo-se ao contexto local, a fotógrafa Rochelle Costi elegeu como ambiente de trabalho o subsolo da instituição. Sob os dois pisos que comportam as bibliotecas, as salas de exposição, os teatros, os estúdios, os jardins e as áreas de convivência do Centro Cultural, existe um universo oculto formado por ateliês, oficinas, laboratórios e arquivos. Durante semanas, Rochelle vasculhou os porões – onde são guardadas, por exemplo, as obras do acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo – e fez sua própria seleção de “obras” a serem expostas. Revirando as salas de elétrica, cenotécnica, fotolito, serralheria, gráfica, encadernação e depósito, Rochelle localizou e fotografou 25 composições espontâneas que denominou “objetos encontrados”. “Minha ideia inicial era fazer algo com os ‘achados e perdidos’. Quando cheguei ao subsolo, procurando a zeladoria, encontrei uma outra ocupação do espaço e o universo que eu gosto de trabalhar, que é o popular”, conta a artista, que elegeu um acervo de imagens representativo desse universo e inventou uma museografia própria para exibi-lo. Na marcenaria, ela achou um tabuleiro de jogo com cores fortes; na serralheria, traquitanas e cacarecos sobrepostos que podem até ser associados a montagens dadaístas. Mas foi na gráfica que ela encontrou o objeto de potencial estético imbatível: uma caixa de madeira amarela, de “design” local, engenhosamente inventada para funcionar como apoio de pastas. A partir desse objeto, informalmente associado pela artista a uma “caixinha oiticicana” – em referência aos objetos que espacializaram a pintura de Helio Oiticica nos anos 60 –, Rochelle concebeu as caixas que funcionam como suportes de suas fotografias. Dessa forma, os “objetos encontrados” por ela em sua descida ao subterrâneo podem ser vistos dentro de caixinhas de madeira, especialmente confeccionadas na marcenaria do CCSP. “Essas caixas propiciam ao espectador um exercício particular de visão”, define a artista, que criou, em cada uma delas, uma surpresa. 
CAIXAS DE SURPRESAS
Imagem de um “objeto encontrado” nas oficinas do CCSP
Rochelle Costi/ Centro Cultural São Paulo, SP/ até 14/3 


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