Artes Visuais
|  N° Edição:  2096 |  08.Jan.10 - 21:00 |  Atualizado em 24.Mai.12 - 16:39

Placidez E Devastação

Fotografia de Caio Reisewitz mostra um artista preocupado com as interferências do homem sobre a paisagem e o meio ambiente

Paula Alzugaray

caio_site.jpg

Assista à entrevista com o fotógrafo Caio Reisewitz, cuja obra pode ser vista na exposição "Parece Verdade", no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro

chamada.jpg
Caio Reisewitz – Parece verdade/ Centro Cultural Banco do Brasil, RJ/ de 12/1 a 3/3
QUEIMADA
“Itaquaquecetuba” mostra realidade de mais de 200 anos

Uma imagem impressiona e influencia Caio Reisewitz desde que começou a trabalhar como fotógrafo. Trata-se da pintura “Mata Reduzida a Carvão”, do paisagista francês Félix Taunay (1768-1824), que veio ao Rio em 1816 acompanhando seu pai, integrante da Missão Artística Francesa, e tornou-se o diretor da Academia Imperial de Belas Artes. Monumental, esse óleo sobre tela datado de 1830 documenta uma queimada na Mata Atlântica fluminense, mostrando que, no início do século XIX, a devastação – decorrente do projeto industrial de expansão de ferrovias – já era uma realidade aqui. Taunay revela nessa pintura uma consciência precoce com o meio ambiente, o que ecoa nas fotografias que Reisewitz fez de queimadas em Bertioga e em Itaquaquecetuba, em 2003 e 2006. Declaradamente inspirado pelas pinturas de paisagem que representavam o Brasil colonial, Reisewitz apresenta na exposição “Parece Verdade”, no CCBB Rio, um retrato dos extremos que caracterizam a paisagem e a cultura brasileira. Esta é a primeira exposição que reúne um conjunto expressivo da obra do fotógrafo paulistano. Selecionadas pelo curador Fernando Cocchiarale, são 50 imagens produzidas nos últimos oito anos, que, juntas, dão a ver as grandes linhas do pensamento visual do artista.

img1.jpg
PUREZA
“ Mamanguá” ilustra a força e a resistência da natureza

Além da influência da pintura realista e de um olhar preocupado com a preservação ambiental, outra questão que se mostra evidente é o discernimento que Reisewitz faz entre a paisagem natural e a paisagem construída: uma preocupação bastante pertinente na era do Photoshop, quando frequentemente se questiona até que ponto uma imagem é real ou montada. Esse é o caso de “Golf Club”, que apresenta um campo real com aparência artificial. A distância entre a fotografia e o objeto representado está entre os grandes temas de Reisewitz e isso se faz presente também na série recente de fotomontagens, de inspiração dadaísta, feita com recursos manuais e toscos, segundo o artista, “em reação ao Photoshop”. Entre as imagens expostas destaca-se também a série “Utopias Ameçadas”, concebida para a representação brasileira na 51ª Bienal de Veneza, em 2005. São seis fotografias de interiores de edifícios públicos brasileiros – de igrejas barrocas ao gabinete do prefeito de São Paulo, passando pelos edifícios projetados por Niemeyer – que chamam a atenção pela grandiosidade e imponência. É um trabalho sobre a arquitetura do poder, que, visto na perspectiva do conjunto, só evidencia o caráter grandioso que o artista confere às paisagens naturais. “Sim, com a fotografia quero devolver poder à natureza”, diz ele.

Buy oem software

EM 28/09/2011 04:18:29

AyAqR5 Thanks:) Cool topic, write more often! You manage with it perfctly:D


fernanda reisewitz bauermann

EM 20/06/2010 16:57:47

Gostaria de receber o e.mail para contato do fotógrafo Caio Reisewitz se possível.





publicidade
índice de matérias edições anteriores edições especiais assine a revista

© Copyright 1996-2011 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.