Pintura Eletrodigital
Luiz Zerbini reinventa e reafirma sua pintura sem usar tela, pincel e tinta, mas à luz das vibrações cromáticas da imagem digital
Paula Alzugaray
Luiz Zerbini é dono de um repertório eclético. Nos anos 80, foi uma das pontas de lança da geração que reintroduziu a pintura figurativa no cenário da arte contemporânea. Mais recentemente, desde que integra o coletivo eletrônico Chelpa Ferro, interessa-se pelo reprocessamento de sinais e informações digitais em instalações sonoras. Com isso, não soa nem um pouco estranho dizer que a mostra “Ruído” seja um cruzamento entre todas as tradições frequentadas por ele: da pintura e das sonoridades à imagem eletrônica. “Zerbini perpassa várias mídias, mas com acento nas questões da pintura, ainda que por estratégias oblíquas”, afirma a curadora Ligia Canongia. Em “Ruído”, Zerbini volta a reinventar a pintura. Artista essencialmente figurativo, elege dessa vez como figura o quadrado: aquele que modela mosaicos de ladrilho na arquitetura carioca dos anos 50; aquele pequenininho e colorido, que aparece quando a imagem de vídeo apresenta defeito; aquele que emoldura cromos fotográficos. Ou seja, agora Zerbini some com a figura inteligível, exuberante, que tantas vezes elaborou na forma de retratos e paisagens. Cria, em seu lugar, uma informação visual dita “aleatória, sem um sentido definido”: são os ruídos de comunicação, os sinais distorcidos, os bugs de sistema, as falhas de memória. Mergulhado de cabeça no mundo contemporâneo, Zerbini lança mão da situação que intriga e atormenta a todos, aprendizes que somos das novas tecnologias digitais. Ao trabalhar com molduras de slides vazias – estranhamente, sem imagens fotográficas, mas apenas com gelatinas de cores puras –, impõe a obsolescência das técnicas como questão a ser ponderada. Na medida em que não há mais imagem dentro dos frames de slides ou das pinturas, uma revisão dos modos de olhar também se faz urgente. 
DO ANALÓGICO AO DIGITAL
No vídeo “Sertão”, paisagem é interrompida por ruídos
MEMÓRIA
Colagem com slides lembram a passagem do pictórico para o fotográfico
LINHA DO HORIZONTE
Em “Drops”, pintura com quadrados de cerâmica
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