Brasil
|  N° Edição:  2250 |  21.Dez.12 - 21:00 |  Atualizado em 23.Set.14 - 18:21

Os delatores de Dilma

Inquérito militar, obtido por ISTOÉ, revela quem são os cinco informantes de Minas Gerais que, durante a ditadura, denunciaram Dilma Rousseff e integrantes de seu grupo armado aos militares

Josie Jeronimo

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PROCESSO
Denunciada por informantes do regime militar,
Dilma (em destaque) depôs em Juiz de Fora em 1971

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Vítima do aparato repressivo da ditadura, a presidenta Dilma Rousseff foi processada, presa e submetida a torturas por conta de sua militância em grupos de esquerda como o Comando de Libertação Nacional (Colina), que promoveu ações armadas entre 1967 e 1969. A organização de Dilma foi desmantelada por uma operação militar que prendeu seus principais integrantes e só foi possível a partir de informações fornecidas por colaboradores do regime militar. A lista desses informantes consta de denúncia oferecida pela 4ª Circunscrição Judiciária Militar em 1971 e foi obtida com exclusividade por ISTOÉ. No documento, até agora inédito, os militares listam cinco nomes de civis que, após terem testemunhado ações do Colina, passaram a integrar a rede de informações em Minas Gerais. Essas pessoas entregaram detalhes de encontros, endereços e a identidade de militantes. Um dos delatores citados no documento é considerado peça-chave para a inclusão da jovem Dilma Vana Rousseff no processo movido contra integrantes da organização. Trata-se do médico José Márcio Gonçalves de Souza, que hoje atende num hospital ortopédico de Belo Horizonte.

No fim da década de 1960, Gonçalves lecionava na Escola de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A faculdade era considerada a principal célula de operação do grupo armado. Lá atuava Dilma Rousseff e mais cinco integrantes do Colina. Eles costumavam se reunir na cantina, onde o professor também fazia seu lanche nos intervalos das aulas, mas Gonçalves só começou a reparar nos militantes depois de ser vítima de parte do grupo. No início de 1968, quatro militantes, entre eles o sindicalista Irani Campos, abordaram o professor de medicina no estacionamento da faculdade e roubaram seu carro. Ele registrou queixa e, pouco tempo depois, foi chamado pela polícia para identificar Campos. Na acareação, negou a participação do sindicalista no episódio. Posteriormente, mudou sua versão para os militares e incluiu Irani. A partir dali, José Márcio Gonçalves foi recrutado para ajudar a monitorar os movimentos da célula da Faculdade de Medicina. Dilma, embora fosse estudante de economia, e não tivesse participado do roubo do carro, integrava aquele grupo na condição de “coordenadora nas escolas”, conforme descrição que consta do processo: “Integrava uma célula na Faculdade de medicina. Fazia reuniões com os ginasianos em sua residência.”

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INFILTRADO
O médico José Márcio Gonçalves foi recrutado pela repressão para monitorar os militantes
do Colina que integravam a célula da Faculdade de Medicina da UFMG. Entre eles, Dilma

Quando a denúncia da Justiça Militar foi feita em 1971, Dilma já estava presa por conta de outro processo. Fora capturada um ano antes na Operação Bandeirantes em São Paulo. Então, estava operando para a Var-Palmares – organização que surgiu da fusão do Colina com a VPR de Carlos Lamarca. Com o julgamento dos integrantes do grupo de Minas Gerais, os militares resolveram transferir Dilma. A jovem foi parar na Penitenciária de Linhares, em Juiz de Fora, outro calabouço da ditadura. Ali, passou por novas sessões de tortura. Além do médico, os militares citam a colaboração de Sérgio Augusto de Lima Rodrigues, Leonardo Hamacek, Humberto Rolo da Silva e Onésimo Viana. Procurados, todos se disseram vítimas do Colina, na hora de justificar suas atuações como informantes. “Eu costumava rodar as delegacias com os militares para identificar suspeitos e escrevia relatórios periódicos. Os militares pediam que nós fizéssemos o relato. Eu sentei na máquina e escrevi, mas eu nunca militei pela direita. Apenas cumpri o dever que achava que tinha que cumprir”, confirma o bancário aposentado Lima Rodrigues, então caixa de um dos bancos assaltados pelo grupo armado. Para Hamacek, as informações eram “coisa corriqueira e sem grande importância. Não tem nada expressivo nas informações”, disse.

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Já o médico José Márcio Gonçalves, ao ser questionado por ISTOÉ sobre as atividades de informante, tentou se desvincular dos militares. “Depois que eles (militantes do Colina) foram presos, eu fui chamado a fazer uma declaração, mas nunca reconheci nenhum deles”, disse. “Se meu nome está nessa lista, só pode ser um erro dos militares”, despistou Gonçalves. Mas, perguntado especificamente sobre outro integrante do Colina, Irani Campos, o médico reconsiderou. “Agora que você mencionou o Irani, eu lembrei.” Gonçalves e Irani davam plantão juntos no laboratório do pronto-socorro vizinho à Escola de Medicina. E o sindicalista lembra-se bem do convívio com o professor. Na época, porém, nunca desconfiou que Gonçalves pudesse ser um informante. Argumenta, no entanto, que eles eram frequentemente enganados por agentes infiltrados. “Sei que no pronto-socorro havia um outro agente do SNI (Serviço Nacional de Informações), que só descobri quando fui preso. Estava ferido e mandaram esse médico me atender”, lembra Irani.  

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