ABC África
em cartaz em São Paulo, na quinta-feira 30
Cenas tristíssimas pontuam este documentário do iraniano Abbas Kiarostami, feito sob encomenda pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, da ONU, sobre o trabalho de uma associação de mulheres de Uganda, responsável por 1,6 milhão de órfãos de famílias vitimadas pela Aids. Numa sequência marcante, um menino doente chora seu desconforto no leito de um hospital. Noutra, uma criança recém-falecida é embrulhada num papelão e depositada na garupa de uma bicicleta. Mesmo com cenas deste quilate, o olhar de Kiarostami sabiamente evita a exploração da tragédia africana. Suas lentes descobrem no flagelo o impulso vital dos habitantes locais. Kiarostami também não se exime do caráter invasivo de seu trabalho ao manter a tela negra por cinco minutos, acompanhando apenas a conversa da equipe técnica num momento de apagão. Nesta passagem, junto com o cineasta, o espectador se vê obrigado a refletir sobre toda a situação exibida na tela. (Ivan Claudio)
Vale a pena
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"Não tem essa história de dois lados. Um lado já foi suficientemente condenado, assassinado, desaparecido"
Paulo Sérgio Pinheiro, integrante da Comissão da Verdade
