Comportamento
|  N° Edição:  2238 |  28.Set.12 - 21:00 |  Atualizado em 16.Abr.14 - 13:13

Câmera na sala de aula; isso é bom?

Iniciativa de escola paulistana causa polêmica e abre debate sobre as necessidades e as consequências da vigilância eletrônica

Natália Martino e Tamara Menezes

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O ambiente está sendo filmado. As imagens são confidenciais e protegidas nos termos da lei.? Foi com essa informação impressa em pequenas placas que os alunos do terceiro ano do ensino médio do Colégio Rio Branco ? um dos mais conceituados e tradicionais de São Paulo ? foram surpreendidos quando entraram na sala de aula na manhã da segunda-feira 24. Inconformados com a instalação de câmeras para vigiar as classes sem que para isso houvesse qualquer discussão anterior, e sob o discurso de que estariam com a privacidade tolhida, os estudantes, em protesto, ocuparam um dos principais pátios do colégio, dificultando a entrada dos demais alunos ? 107 deles foram suspensos por um dia. Na quarta-feira 26, a diretora do colégio, Esther Carvalho, admitiu que falhou ao não fazer um comunicado prévio sobre a instalação das câmeras e os motivos que levaram à sua decisão. Ela também explicou que a punição dada aos alunos não se deveu apenas ao protesto da segunda-feira, mas foi uma resposta da escola a recorrentes atos de indisciplina que o grupo vinha protagonizando nos últimos meses, desafiando a direção, questionando notas e métodos de avaliação sem usar os canais adequados para isso. Justa ou não a punição, o certo é que, durante a semana passada, as câmeras instaladas dentro das salas de aula do Colégio Rio Branco viraram tema de uma oportuna discussão sobre a necessidade e as consequências pedagógicas da vigilância eletrônica em salas de aula.

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SURPRESA
Instalação de câmeras sem aviso-prévio
gerou protesto no Colégio Rio Branco (SP)

Câmeras na entrada, nas quadras e nos corredores de escolas particulares e públicas são comuns. A novidade, que não é uma exclusividade do Colégio Rio Branco, foi a instalação das câmeras na sala de aula, o que divide a opinião dos especialistas. Os que se manifestam favoráveis à vigilância alegam que a indisciplina dos jovens de hoje está tão fora do controle que qualquer ferramenta que ajude a policiá-los é válida. ?Estamos vivendo em uma selva?, diz Victor Notrica, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro. ?É muito triste a pessoa ter que se sentir vigiada, mas com os problemas de segurança e de disciplina acaba sendo aceitável.? A presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonatto, concorda com a necessidade de impor mais limites aos jovens e acredita que a estratégia das câmeras não prejudica o aprendizado. ?Não podemos condenar uma medida que, em última instância, vai acabar inibindo práticas inadequadas, como o bullying?, avalia. ?Quanto ao professor, se o seu trabalho é adequado às propostas pedagógicas da escola, não há com que se preocupar. Pode ser até bom para evitar agressões contra o profissional, que são cada vez mais comuns?, afirma.

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No colégio Alfa CEM, no Rio de Janeiro, por exemplo, as câmeras estão presentes na sala de aula e são usadas para vigiar o comportamento dos alunos. Segundo a diretora, Maria Carolina Alves, as imagens gravadas já foram usadas para provar a alguns pais a participação de seus filhos em episódios de indisciplina. Em outro colégio carioca, o Pensi Ipanema, a diretora, Débora Goulart, atesta os bons resultados da medida adotada no ano passado. ?Inibe um pouco os alunos em relação à bagunça?, diz ela. ?As carteiras e as paredes das salas estão mais limpas e os adolescentes muito mais comportados?, relata a diretora.

Embora os resultados práticos da medida sejam positivos, a estratégia é questionável do ponto de vista da formação dos adolescentes. ?As normas precisam ser interiorizadas para que a pessoa ganhe autonomia e não há como isso acontecer em um ambiente que condiciona o bom comportamento à vigilância?, diz Silvia Colello, professora de psicologia da educação na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). ?Os jovens precisam ser conscientizados sobre as regras de convivência, não coagidos a segui-las. Vamos ensiná-los a se comportar só quando alguém estiver olhando??, pergunta.

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De acordo com os especialistas ouvidos por ISTOÉ, as câmeras podem ser uma solução urgente e concreta para os graves problemas de indisciplina enfrentados pelas escolas atualmente, mas é necessário analisar a questão de forma mais ampla. ?Não adianta só identificar o aluno que agrediu o colega. É preciso saber o que fazer com ele, como garantir que ele não repita o ato. A escola não é um presídio onde a regra é vigiar, ali a regra deve ser formar, ensinar?, diz Silvia, da USP. Para a educadora, a escola é um microcosmo da sociedade e os conflitos são inevitáveis. Por isso, as instâncias de mediação do colégio, que incluem professores, coordenadores e inspetores, têm de saber como lidar com isso. ?Vigiar as salas só vai fazer com que os alunos transfiram as práticas indesejadas para outros lugares, sejam os banheiros, seja a calçada em frente à escola?, diz. Segundo ela, a imposição de limites e o aprendizado das regras de convivência começam em casa. Mas, em alguns casos, o que se vê são pais que reconhecem sua incapacidade de exercer a autoridade e tentam transferir para a escola a função de controlar o filho.

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BIG BROTHER
Colégio Alfa CEM, no Rio: a direção diz
que a disciplina melhorou com a vigilância

A questão também é polêmica do ponto de vista do professor. As câmeras são aliadas na hora de garantir a disciplina e podem até funcionar como ferramenta de aprimoramento profissional. Com elas, o docente passa a ter a possibilidade de rever suas aulas e descobrir como melhorar. O equipamento de vigilância, porém, pode prejudicar a espontaneidade na relação com o aluno ou na utilização de métodos alternativos de ensino, como brincadeiras, por exemplo. ?Esse terceiro elemento no ambiente sempre vai causar apreensão e inibir discussões sobre assuntos polêmicos e necessários, como drogas e discriminação?, exemplifica Silvia Bárbara, diretora da Federação dos Professores do Estado de São Paulo, há mais de três décadas no magistério. A autoridade do docente para administrar os conflitos dos seus alunos também fica em xeque, pois esse papel é transferido para um árbitro que vai decidir com base nas filmagens.

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No Colégio Rio Branco, onde a polêmica se instalou, a direção da escola informa que o equipamento de vigilância em sala de aula é parte de um projeto iniciado há quatro anos. No total, a instituição conta agora com 112 câmeras. Elas foram instaladas primeiramente nas áreas comuns e depois nos laboratórios. Apesar de admitir que as imagens podem ocasionalmente ser usadas para a resolução de conflitos entre os alunos e entre eles com os professores, a diretora garante que esse uso será secundário. ?É para segurança patrimonial?, afirma a diretora Esther. Depois de o episódio ganhar notoriedade, a direção da escola se reuniu com pais e explicou os motivos que levaram o colégio a adotar a medida. Até o fim da semana, porém, os alunos seguiam insatisfeitos. ?Quando um adolescente diz que não é ouvido, é bom questionarmos se ele realmente não está sendo ouvido ou se apenas suas demandas não foram integralmente atendidas, apesar de terem sido avaliadas?, diz a diretora.  

Fotos: Marcelo Justo/folhapress; reprodução 

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EM 01/04/2014 11:52:57

qCsxfl Really enjoyed this post.Much thanks again. Keep writing.


awesome things!

EM 22/01/2014 05:54:52

9oAxBc Major thanks for the blog article.Thanks Again. Awesome.


Gabriela S.

EM 22/05/2013 22:15:04

Prezeda ISTOÉ. Venho aqui deixar minha opinião sobre, as câmeras instaladas nas escolas. Acredito que, seria algo de bastante importância. Pois, ao saberem que estão sendo vigiados, os alunos não teriam comportamentos inadequados.


Guilherme

EM 22/05/2013 22:12:28

Na minha opinião, as câmeras seriam muito bem utilisadas para controle e disciplina dos alunos, o que poderia evitar muitas tristes situações que ja presenciamos, obrigado pela atenção.


Claudia

EM 22/05/2013 21:14:57

Acredito que essa medida será muito bem aproveitada, é necessário sim câmeras nas salas de aulas, hoje em dia o jovem acha que pode de tudo mas na verdade não é bem assim que funciona. É uma forma de segurança tanto para o aluno quanto para o professor.





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