Artes
|  N° Edição:  2238 |  28.Set.12 - 21:00 |  Atualizado em 01.Out.14 - 13:10

Monalisa, o eterno retorno

Com série de 100 Monalisas manipuladas artesanalmente, Nelson Leirner revolve a própria memória e volta ao cinema

por Paula Alzugaray

Quadro a Quadro: Cem Monas – Nelson Leirner/ Silvia Cintra + Box 4, RJ/ até 20/10

ARTES-01-IE-2238.jpg
FILME
Duchamp, cinema e história da arte são revisitados nas 100 Monalisas manipuladas por Leirner

O primeiro a corromper o maior ícone de todos os tempos foi Marcel Duchamp. Em 1919, o artista francês riscou bigode e cavanhaque sobre um cartão-postal da “Monalisa” e intitulou a intervenção “L.H.O.O.Q.” (letras que pronunciadas em francês conformam a frase “Elle a chaud au cul” e que, em tradução coloquial, quer dizer algo do gênero “Ela tem fogo no rabo”). Esta foi apenas uma das provocações do artista que mudou para sempre o estatuto da arte moderna. Depois de Duchamp, outros artistas trabalharam com a popularização da pintura de Da Vinci. Warhol nos EUA, nos anos 1970; e Nelson Leirner, em obra que representou o Brasil na Bienal de Veneza de 1999. Hoje, quase um século depois da crítica de Duchamp, a “Monalisa” tem aproximadamente 23 milhões de manipulações digitais na internet. Além de bigode, ela hoje usa óculos, fita no cabelo, gravata-borboleta, colar de pérolas, cabelo crespo, orelhas de coelha e por aí afora. Como observador arguto da cultura de massa, Leirner não poderia passar incólume por esse fenômeno que caiu na rede. Resolveu, então, “banalizar o banalizado”.

ARTES-02-IE-2238.jpg

Fazer uma instalação que remete ao cinema, sem o uso da câmera. Esse foi o desafio autoimposto pelo artista ao realizar a obra “Quadro a Quadro: Cem Monas”, exposta na Silvia Cintra + Box 4, no Rio. Em seu trabalho mais recente, Leirner retorna à figura mais pop e enigmática da história da arte para revolver e reprocessar as diversas fases do próprio trabalho. A começar pelo cinema, que experimentou nos anos 1960 e 70, fazendo uso do super-8. “Pensei muito em super-8 enquanto fazia essas Monas. Eu pegava filminhos que vendiam para festas de aniversário e fazia montagens. Numa cena que a Lady Godiva estava nua no cavalo, eu cortava para o Chaplin, depois passava para o Mickey. Ia grudando com durex. Ficava muito divertido. A “Monalisa” teve para mim o efeito desses filmes, de colagem”, conta Leirner.

ARTES-03-IE-2238.jpg

Assim, quadro a quadro, Leirner passeia pelos mercados populares e camelôs onde foi buscar as matérias de tantos trabalhos memoráveis. 

Alexandre Mury

EM 12/07/2013 07:25:24

O primeiro a corromper o maior ícone de todos os tempos foi Kazimir Malevich, em 1914, com a obra: Solar Eclipse with Mona Lisa. Oil on canvas. 62 x 49.5 cm. (Private Collection)... e não Marcel Duchamp como diz a matéria.


Alexandre Mury

EM 12/07/2013 07:22:45

O primeiro a corromper o maior ícone de todos os tempos foi Malévitch em 1914.





publicidade