Comportamento
|  N° Edição:  2222 |  07.Jun.12 - 19:00 |  Atualizado em 30.Set.14 - 23:59

O declínio da indústria pornô

O mercado de filmes eróticos tenta se reinventar em um mundo no qual a pornografia gratuita está cada vez mais disponível na internet e os vídeos amadores fazem sucesso

Natália Martino

 

Confira, em vídeo, depoimentos de duas estrelas desse tipo de cinema, Rogê Ferro e Bruna Ferraz :

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GUINADA
Bruna Ferraz atuou em cerca de 30 filmes eróticos, mas, com
a crise do mercado, voltou a focar sua carreira no striptease

Quando Bruna Ferraz, 30 anos, se mudou de Porto Alegre (RS) para a capital paulista, em 2005, seu objetivo era fazer carreira como stripper. Não passou muito tempo e vieram os convites para participar de filmes eróticos. “O dinheiro era bom, mais de R$ 10 mil por cena”, diz a morena, que estreou nas telas com “Garotas da Web”. Três dezenas de filmes depois, Bruna voltou a focar sua atuação no striptease, já que a oferta de trabalho em filmes eróticos é cada vez mais escassa e poucas cenas são filmadas anualmente. Não que isso represente uma fuga de consumidores. Pesquisa realizada a partir de dados fornecidos pelo Google por uma empresa americana de tecnologia da informação diz que 30% de todo o tráfego na internet é baseado na visualização de conteúdos pornográficos. O problema é que a maior parte desse conteúdo vem de vídeos amadores disponibilizados de forma gratuita em sites como o YouPorn, equivalente erótico do YouTube, que conta com mais de quatro bilhões de visualizações mensais. Esse cenário, em que a pornografia é oferecida de graça, levou à falência inúmeras produtoras do País, incluindo a Buttman que durante anos disputou a liderança do mercado com a Brasileirinhas, uma das poucas que continuam atuantes, apesar de ter desacelerado a produção.

Os vídeos caseiros tiveram tanta aceitação no mercado que o Sextreme, canal adulto de tevê a cabo, detectou um aumento de quase 80% dos seus assinantes depois que passou a focar a programação em pornô amador. Diante desse novo quadro, a Brasileirinhas conseguiu se manter no mercado a partir da oferta, na internet, de vídeos que imitam a estética amadora. “Algumas pessoas preferem pagar uma pequena quantia para ter acesso à pornografia do que se arriscar a assistir vídeos gratuitos e ter seu computador invadido por vírus. Afinal, nada é efetivamente de graça”, explica Clayton Nunes, diretor da Brasileirinhas. Apesar do sucesso na internet, a produtora fatura hoje apenas metade do que lucrava há cinco anos (leia quadro) e isso se reflete também em seus filmes. “O que eu fazia era cinema de qualidade. Tinha cenografia, estudo de figurino, preparação de atores, tudo. Hoje, não tem mais dinheiro para nada disso”, afirma Kim Melo, que foi produtor de dezenas de filmes na Brasileirinhas, cargo que abandonou há quatro anos. Para reverter o quadro, a empresa se prepara para investir em um novo nicho de mercado, os reality shows. Ela está gravando os pilotos de um programa que deve ir ao ar ainda neste ano em um canal por assinatura. O roteiro vai consistir em duas mulheres disputando votos dos telespectadores para ganhar o prêmio final, a participação em um filme pornográfico, que também terá seus bastidores devidamente televisionados ao vivo.

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"Nos áureos tempos, ganhava R$ 5 mil por cena. Hoje,
o valor dos cachês não chega nem perto disso"

Rogê Ferro, 40 anos, ex-ator pornô

Enquanto a indústria procura uma fórmula para sobreviver, alguns dos seus antigos personagens buscam novos caminhos. É o caso de Rogê Ferro, 40 anos, que atuou em mais de duas mil cenas de sexo explícito durante 14 anos e há cinco meses anunciou sua saída oficial do mercado. “Quando fui convidado para filmar a primeira cena me ofereceram R$ 1 mil, o que na época era o equivalente a todo o salário que eu ganhava em um mês como vendedor. Dei a cara a tapa porque valia a pena”, diz Ferro, que garante ter ganhado, nos áureos tempos, R$ 5 mil por cena. “Hoje, o valor dos cachês não chega nem perto disso.” Atualmente ele trabalha como modelo e está preparando sua cinebiografia, que já tem roteiro pronto, ator sendo sondado para interpretá-lo e até nome – “Hardcore: Passando por Cima”.

Muitos popstars da indústria pornográfica nacional têm seguido o mesmo caminho de Ferro e enveredado por outros mercados. “Dificilmente os profissionais atuavam exclusivamente em filmes pornográficos, então o que tem acontecido é que eles estão reforçando sua atuação em outros ramos, como modelos, cinegrafistas de casamentos ou strippers”, afirma a antropóloga Maria Elvira Díaz Benítez, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, da Unicamp, e autora de “Nas Redes do Sexo – os Bastidores do Pornô Brasileiro”. Apesar da inegável crise, a pesquisadora diz que o Brasil deve se manter como um polo mundial de filmes eróticos. “A indústria vai se reinventar”, diz. Nuno César Abreu, professor do programa de pós-graduação em multimeios do Instituto de Artes da Unicamp e autor do livro “O Olhar Pornô”, diz que o cyberporn só demonstra a imensa capacidade da indústria pornográfica de tomar a forma que as inovações tecnológicas proporcionarem. “Já imaginou pornografia em 3D?”

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