Ipanema repaginada
A praia mais badalada do Brasil ganha novas regras para melhorar a convivência, sem que deixe de ser um espaço democrático do Rio
Wilson Aquino
Depois de ver Ipanema eleita a melhor praia do continente sul-americano pela World Travel Award, um dos mais importantes prêmios do setor no mundo, a Prefeitura do Rio de Janeiro ambiciona transformar a orla em modelo de organização e limpeza. Essa não é a primeira vez que as autoridades tentam colocar ordem na mais democrática área de lazer do carioca, que chega a receber dois milhões de pessoas nos fins de semana. Mas, depois de conquistar o direito de sediar a Olimpíada de 2016, nada mais é considerado impossível na cidade. Para tanto, a partir desta semana, pouco antes do início oficial do verão (dia 21), o Rio começará seu Choque de Ordem na Praia, a princípio somente em Ipanema e Leblon, trecho de maior concentração do litoral carioca que atrai meio milhão de banhistas aos sábados e domingos. Em seguida, as novas regras serão aplicadas, gradativamente, às demais, do Flamengo ao Pontal. O projeto se propõe a acabar com algumas situações que incomodam turistas e cariocas, como a prática de frescobol e altinho (bate-bola de pé em pé, numa rodinha formada por homens e, às vezes, mulheres), que tanto atrapalham os banhistas, vítimas de boladas e raquetadas. Esses esportes, agora, só poderão ser praticados na beira da água após as 17 horas, ou antes das 7h da manhã. Fora desse horário, serão permitidos apenas na faixa de areia junto ao calçadão. “Finalmente uma providência firme. A gente vai à praia para relaxar e acaba se estressando com essa gente que quer bater bola no meio de uma multidão”, comemora a secretária Vânia Alves, frequentadora do Posto 9, em Ipanema. Proibições mesmo, sem alternativas, são as que tratam de animais e comidas não industrializadas. Os primeiros disseminam micoses. Já os alimentos sempre foram condenados com veemência pelos órgãos de vigilância sanitária por oferecerem risco à saúde. As bebidas preparadas na areia também estão banidas. E nada poderá ser servido em garrafa ou copo de vidro. Os cocos verdes chegaram a ser proibidos, mas a polêmica foi tanta que a prefeitura voltou atrás e eles estão, agora, sub judice. Se a população jogá-los nos recipientes exclusivos que serão instalados, tudo bem. Mas, se o coco continuar a representar 60% das cerca de 150 toneladas de lixo espalhadas nas praias cariocas nos fins de semana, o prefeito Eduardo Paes pode voltar atrás e enquadrá-lo. Segundo o gerente do Comitê Gestor da Orla, Jovanildo Savastano, a ideia não é impor regras, mas promover uma mudança de comportamento. “Todo mundo acha que pode fazer o que bem deseja. Isso tem que acabar”, diz. A bagunça do visual também está com os dias contados. As barracas serão padronizadas, todas nas cores azul e branco, e os barraqueiros usarão uniformes – short, boné e camisa sem mangas e crachás. Atualmente, são 400 barraqueiros na orla e eles movimentam R$ 80 milhões por mês. Também caberá aos barraqueiros a responsabilidade de recolher os dejetos no entorno de seus pontos de venda. Para isso, receberão cestas de lixo. Os ambulantes que circulam perto da água com caixas de isopor terão que substituí-las por recipientes isotérmicos, os coolers. Acaba também a poluição visual nas barracas de propaganda as alugadas não poderão mais ter anúncios. Para garantir o cumprimento das novas regras e evitar tumultos, como os arrastões que prejudicaram o verão no Rio, serão destacados 143 guardas municipais e agentes de controle urbano somente nos quatro quilômetros de areia entre Arpoador e Leblon. Quando as medidas forem estendidas às outras praias, serão 400. Isso sem contar com o efetivo encarregado de fiscalizar o asfalto e o calçadão, para reprimir o estacionamento irregular e a carga e descarga de produtos fora do horário estabelecido – antes das 7h ou depois das 20h. Também no calçadão, novidades: os guardas municipais vão se locomover em patinetes movidos a bateria, os segways. O patrulhamento na areia será feito com quadriciclos motorizados e a pé. Para o secretário especial de Ordem Pública, Rodrigo Bethlen, as novas medidas vão fazer da orla carioca um exemplo que deverá ser seguido por outras cidades. “Já temos uma praia-modelo. A natureza fez a parte dela, a gente tem de fazer a nossa”, disse Bethlen. Se antes de ser eleita a melhor praia Ipanema já era considerada o pedaço de areia mais cobiçado do País, agora a previsão é de que o interesse se multiplique durante o verão. As novas regras são bem-vindas e significam mais segurança e conforto. Aos eventuais insatisfeitos, recomenda-se apenas que esperem o fim do dia para ver o sol se pôr perto do Morro Dois Irmãos. Não há mau humor que resista a essa visão.
PADRÃO Barracas iguais e barraqueiros com uniforme
SEGURANÇA Guardas municipais em patinetes motorizados circulam pela orla
Jaqueline Bastos
EM 21/12/2009 12:19:06
Pobre daquele que pensa que o"Choque de ordem"é pra beneficiar a população,essa como tantas outras"ordens"são pra engordar o bolso da prefeitura.Taca impostos no povo pra "regulamentar".Fui à praia de Ipanema domingo e passei fome.Os poucos que estão vendendo na praia estão cobrando os olhos da cara
Bia
EM 07/12/2009 13:16:40
E as rodinhas do pessoal que fuma maconha? Da última vez que estive em Ipanema tinha uma rodinha na areia, o pessoal fumando à vontade, o sol de meio dia à pino... Uma beleza! Velho, criança, e maconheiro, tudo misturado....
Dália Faria
EM 06/12/2009 17:09:04
Como assim, nao vai mais ter milho cozido, pastel, bolinho de bacalhau pra vender na praia? Ridículo.
CLEIDSON RABELO
EM 06/12/2009 14:19:40
Estamos falando de uma cidade Brasileira? ou de uma cidade Alemâ governada por Hitler, o povo precisa realmente se educar mais padronizar tudo é coisa de nazista, que adianta criar regras se a maioria dos Cariocas são malandros e vão encontrar forma de burla aa regras
Cynthia
EM 05/12/2009 23:53:59
TIAO, caso você não saiba, carica mesmo, o da gema, não é e nunca foi farofeiro; ao contrário, sofre as consequências da sujeira e falta de civilidade dos farofeiros de fora, os não cariocas!
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"Essa bola é minha"
Marcelo de Lima Henrique, Marcelo de Lima Henrique, juiz de futebol, ao encerrar disputa sobre quem ficaria com a bola da partida
