Brasil
|  N° Edição:  2091 |  04.Dez.09 - 21:00 |  Atualizado em 24.Mai.12 - 12:14

O estado sobe o morro

Com ocupação permanente, polícia do Rio está tirando os traficantes de vez das favelas

Maíra Magro

Depois de décadas, enfim o Rio de Janeiro tem uma política de segurança pública que enfrenta seu mais grave problema: o chamado poder paralelo constituído por traficantes de drogas com arsenal cada vez mais potente. Os comandos do tráfico sempre se instalaram nas comunidades mais pobres da cidade, nos morros coalhados de barracos e moradores indefesos. A novidade é que agora eles estão sendo retirados das favelas, em especial na zona sul. As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) são as responsáveis pela mudança. Por meio delas, o Estado volta a tomar conta de territórios antes dominados por traficantes, abrindo espaço para a instalação de serviços públicos como escolas, hospitais, gás, luz e internet. O problema é que a cada instalação de uma UPP há reação dos bandidos. A última delas aconteceu na semana passada, nos morros do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, e Cantagalo, em Ipanema, dois bairros da zona sul. Uma tropa de confronto formada por 300 homens deu início à ocupação policial e os traficantes reagiram de forma covarde e violenta, como sempre: incendiaram dois ônibus e lançaram uma granada em frente a um prédio comercial. “Acabou o poder paralelo”, disse o governador Sérgio Cabral (PMDB). “Há um desejo absolutamente justo de que essa nova condição chegue a todos os lugares.”

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PACIFICADO Rotina de confrontos ficou para trás com nova estratégia

Nessas duas comunidades, 12 mil moradores aguardam uma nova rea­lidade com a entrada da polícia pacificadora. Depois que as tropas de confronto saírem, dentro de algumas semanas, entrarão 250 policiais para ficar permanentemente nos locais. “É algo que esperávamos ansiosamente”, comemora Luiz Bezerra do Nascimento, presidente da Associação de Moradores do Cantagalo. Os morros dos Tabajaras e dos Cabritos, em Copacabana, serão os próximos a serem ocupados pela UPP.

Para quem mora numa das favelas ocupadas, o momento é de comemoração, como diz a secretária Tatiana Carvalho, 30 anos. “Até uma semana atrás, eu sempre subia as ladeiras do Cantagalo correndo com meus filhos para desviar dos traficantes armados. Agora posso subir caminhando.” Em Copacabana, moradores também aprovavam a iniciativa. “Todo mundo, de todas as classes sociais, está satisfeitíssimo”, disse Myriam de Pinho Barbosa, presidente da Associação de Moradores e Amigos do bairro. Especialistas em segurança pública também elogiam o modelo das UPPs. “É um grande avanço em relação ao modelo tradicional em que a polícia entra, atira, mata três ou quatro, sai da comunidade e volta depois para repetir o ciclo”, elogia o sociólogo Ignacio Cano. A previsão é de que, até o fim do ano, as UPPs beneficiem 110 mil pessoas, com 950 policiais trabalhando nessas unidades. O projeto do governo estadual é levar, em 2010, a polícia pacificadora até as zonas norte e oeste, beneficiando 210 mil pessoas e deslocando 3,3 mil policiais para a função.

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Orlando

EM 23/12/2009 20:33:28

ja era tempo... até que enfim ...as desculpa era que era dificil o acesso e a policia nao tinha armamento isso era uma piada o governo vir a publico e dizer sempre a mesma historinha só os traficantes que podia ter armamento e subir descer avontade no morro


Orlando

EM 23/12/2009 20:33:28

ja era tempo... até que enfim ...as desculpa era que era dificil o acesso e a policia nao tinha armamento isso era uma piada o governo vir a publico e dizer sempre a mesma historinha só os traficantes que podia ter armamento e subir descer avontade no morro


Jorge Bengochea

EM 05/12/2009 10:37:52

A estratégia segue tendência mundial de aproximar o policiamento do cidadão, mas sua eficácia depende de um sistema de ordem pública envolvendo instrumentos de coação, justiça e cidadania e amparado por leis rigorosas e processos ágeis. Infelizmente, no Brasil não existe este sistema.





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