Jogo de Cena
Requião finge ser pré-candidato à Presidência para tentar deixar o PMDB livre nas disputas estaduais
Sérgio Pardellas
A história costuma se repetir no PMDB. É o que sempre acontece às vésperas de ano eleitoral quando uma das alas do partido tira da cartola a tese da candidatura própria à Presidência da República. Tenta-se, com essa manobra, evitar a coligação formal com algum partido e deixar os peemedebistas livres para se aliarem com quem bem entenderem nos Estados. Este ano não é diferente. Mas a artimanha, dessa vez, surpreende por conta de seus principais artífices: o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), e o professor de Harvard Roberto Mangabeira Unger. Requião, que lançou na terça-feira 1o sua pré-candidatura ao Planalto, era até poucos meses atrás aliado de primeira hora do presidente Lula. Já Mangabeira foi ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo até o fim de junho. “Não compro, não vendo e não negocio a minha posição”, jura Requião. “Não podemos aceitar mais coligações que se façam em torno de acordos que levem em consideração uma diretoria estatal, um ministério, empregos e favores”, acrescentou. O próprio Requião sabe, porém, que a candidatura própria do PMDB à Presidência não tem condições de prosperar. Na reunião de terça-feira o quórum foi de apenas sete deputados e dois senadores. Nem a presidente em exercício do PMDB, Íris de Araújo (GO), estava presente para receber o documento que pedia ao Diretório Nacional para avaliar o nome de Requião como alternativa ao Planalto. O ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, um dos articuladores da candidatura com o intuito de rachar a convenção, prevista para julho de 2010, também não compareceu. Limitou-se a mandar uma carta de apoio. Requião insiste em dizer que tem o aval de representantes de 15 diretórios estaduais do partido. Não é bem assim. Por exemplo, quem assinou o documento favorável à candidatura em nome do Rio de Janeiro foi Mangabeira Unger, que é cristão novo na legenda e não tem nenhuma ascendência sobre o diretório fluminense. Pelo Ceará, o signatário foi Paes de Andrade, mas quem controla a legenda no Estado é o deputado Eunício Oliveira, um dos entusiastas da aliança do PMDB com o PT. “Não acredito nesta candidatura. O Requião tem ideias, é uma pessoa criativa, mas acho que será isolado dentro do partido”, afirma o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes (PMDB-PR). “Não compro, não vendo e não negocio a minha posição nesse tema” Quem comemora são os peemedebistas alinhados com a candidatura de José Serra ao Planalto. “Isso é muito bom para nós”, festejou o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) em conversa com aliados. O cálculo é simples: quanto maior o número de integrantes do PMDB contrários à formalização de uma aliança com o PT na convenção do ano que vem, maior a chance de o partido não apoiar ninguém oficialmente e se dividir. A fragmentação do partido, e a consequente liberação dos diretórios regionais para se aliarem com quem quiserem nos Estados, é exatamente a história que o PMDB protagoniza desde 1989, quando os brasileiros voltaram a eleger diretamente um presidente depois de duas décadas de ditadura.
“Requião é criativo, mas será isolado no partido”
Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura
Roberto Requião, governador do Paraná
Antonio Vieira
EM 10/12/2009 10:22:23
Requião tem uma visão muito curta de administração.Quer estaditizar tudo. para criar mais empregos para os irmão e parentes. Irmão no Porto de Paranaguá, outro secretário e dmais parentes. Tem uma inveja do Lerner sr um cidadão conhecido internacionalmente que vem a ser até ridículo. Ditadorzinho.
Elisabete
EM 07/12/2009 19:40:16
Sou paranaense e particularmente não votaria no Requião para presidente. Já é difícil ter um ditador em seu estado, em seu país então...
Janio
EM 05/12/2009 22:22:58
Requião é nacionalista, fez um grande Governo no Paraná, tenho certeza que se chegar a presidencia o Brasil vai ganhar bastante com ele, aqui no Paraná enfrentou grupos politicos entreguistas do patrimonio público com coragem sem se curvar a interesses mafiosos que queriam fazer leilão do estado.
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