Espetáculo de uma tragédia
A condenação de Lindemberg Alves Fernandes põe fim ao show que foi o caso Eloá, do começo até o final
Flávio Costa
"Cem anos de prisão para esse assassino!”, “Bruxa, você tem ir para cadeia com ele!", “Justiça, Justiça!”, “Mãe, você vai vencer!”. O caso Eloá terminou como começou, como um espetáculo sob os holofotes. O julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, condenado a 98 anos e 10 meses de prisão por matar a ex-namorada de 15 anos depois de mantê-la em cárcere privado por cinco dias em outubro de 2008 (o mais longo de São Paulo), provocou comoção pública e mobilizou um batalhão superior a cem jornalistas e câmeras que se espremeram em frente ao Fórum de Santo André. Durante quatro dias, o julgamento alimentou o noticiário constante na tevê e na internet. Em torno deste cinturão midiático, dezenas de pessoas empunhavam cartazes com dizeres a favor da condenação, disputavam avidamente uma senha – não mais que 50 – para acompanhar o júri, xingavam, aplaudiam, urravam, ou esperavam impacientemente por alguma informação nova a respeito do destino do acusado. A tese da defesa não obteve êxito junto aos jurados – seis homens e uma mulher. Ela pediu condenação de Lindemberg por homicídio culposo (sem intenção de matar) com a colaboração da imprensa e da policia militar. Na época, a mídia montou acampamento diante do prédio onde ocorreu o cárcere e acompanhou por cinco dias, como em uma novela, o desenrolar do caso e as negociações entre polícia e seqüestrador. Tanto que apresentadores de televisão e jornalistas o entrevistaram, por telefone, enquanto ele mantinha Eloá e a amiga, Nayara Rodrigues, como reféns. Isso teria atrapalhado as negociações da PM, que “cometeu uma ação desastrada ao invadir o apartamento”, segundo a defesa. Em seu depoimento, o primeiro sobre o caso, Lindemberg disse que não premeditou o crime e que atirou somente após a equipe do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da PM paulista invadir o apartamento. “Infelizmente... ela fez um movimento de se levantar no sofá e eu atirei nela. Foi um ato impulsionado (sic)”. Venceram os argumentos da acusação: de que crime foi premeditado, praticado com requintes de crueldade, e de que réu sempre teve intenção de matar a ex-namorada. “Ela era apenas um objeto nas mãos de Lindemberg. Ele tinha ódio dela”, afirmou a promotora. Ao fim, o réu foi condenado por 12 crimes, incluindo o homicídio duplamente qualificado por motivo torpe (contra Eloá), duas tentativas de homicídio (contra Nayara e o sargento Atos Antonio Valeriano, o primeiro negociador), cárcere privado e disparos de arma de fogo. É difícil saber o quanto o clamor popular influenciou os jurados. “A pressão pode induzir ao pré-julgamento, é algo inevitável”, diz Paulo Freitas Ribeiro, advogado criminalista e professor de processo penal da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, lembrando que os julgamentos tentam neutralizar esse tipo de situação para que prevaleça a opinião formada a partir dos dados apresentados durante o processo.” Antes de receber a sentença, Lindemberg pediu perdão à família de Eloá. “Sei que estou em dívida com ela”, disse. Detido desde o início no presídio de Tremembé (SP), é lá que ele irá pagá-la. 
PRESA
Eloá foi mantida em cárcere privado por cinco dias
O show prosseguiu dentro do tribunal, com atuações dramáticas da acusação e da defesa. E ninguém desempenhou melhor seu papel no espetáculo do júri do que a advogada Ana Lúcia Assad, defensora de Lindemberg desde do início do caso. Por vezes estridente, outras agressiva, ela protagonizou diálogos ásperos com as testemunhas, com a promotora Daniela Hashimoto, e até com a juíza Milena Dias, além de ameaçar abandonar o plenário algumas vezes. No segundo dia de julgamento, durante o depoimento da perita Dairse Aparecida Lopes, ela chegou a dizer que magistrada “deveria voltar a estudar”. Eleita vilã do momento pelo público, a advogada chegou a pedir um colete à prova de balas e apoio à diretoria da OAB de Santo André por temer por sua segurança e da equipe formada por duas assistentes. “Não sou ré, estou apenas garantindo o direito constitucional de defesa do meu cliente”, disse ela. O clima pesou a ponto de a promotora pedir que a imprensa e o público respeitassem o trabalho da advogada.
NO TRIBUNAL
Lindemberg durante o julgamento: comoção do
público e cobertura intensa da imprensa
"Não sou ré, estou apenas garantindo o direito
constitucional de defesa do meu cliente"
Ana Lúcia Assad, advogada de Lindemberg,
que foi hostilizada pelo público
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EM 17/03/2012 03:24:10
There is a critical shotgrae of informative articles like this.
Gedeão
EM 29/02/2012 10:21:16
Tudo depende também do valor do cidadão. Quem mata americano, elimina um trabalhador qualificado, escolarizado, dá prejuízo aos EUA. Brasileiro morto é uma boca a menos, menos SUS, bolsa-família etc. Brasileiro vivo é prejuízo incalculável!
ROBSON
EM 28/02/2012 21:34:07
Infelizmente em nossos pais a uma questão muito complicada que favorecem os criminosos os benefícios. Por mais que o criminoso pegue pena máxima nos nossos pais a diminuição da pena também quer o que os piores bandidos criam as leis o político corrupto.
Robson
EM 28/02/2012 21:23:20
Tanbém não sou a favor da pena de morte por motivos que ainda não temos bancos de dados que contem o DNA de toda a população seja sangue ,cabelo etc. Mas sou a favor da prisão perpetua sem direitos a janela e a tomar banho de sol. Uma observação Criminosos não se tem que passar a mão na cabeça.
ROBSON
EM 28/02/2012 21:22:16
Para mim esta bem claro que a justiça neste pais esta começando a mudar . Mesmo assim ainda é pouco para mim nemnhum criminoso deveria ter beneficios como visitas familiares , visitas intimas e diminuição da pena por comportamento ou por esta trabalhando.
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Marcelo de Lima Henrique, Marcelo de Lima Henrique, juiz de futebol, ao encerrar disputa sobre quem ficaria com a bola da partida"Não tem essa história de dois lados. Um lado já foi suficientemente condenado, assassinado, desaparecido"
Paulo Sérgio Pinheiro, integrante da Comissão da Verdade
