Comportamento
|  N° Edição:  2205 |  10.Fev.12 - 21:00 |  Atualizado em 25.Mai.12 - 05:39

O Carnaval da inclusão

Escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo trarão deficientes físicos e visuais como jurados e integrantes dos desfiles deste ano

Paula Rocha

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JURADA
Giovanna Maira, deficiente visual, faz parte do primeiro grupo
de jurados de bateria cegos do Carnaval de São Paulo

A paulista Giovanna Maira, 25 anos, sempre gostou de Carnaval. A alegria dos sambas-enredo, a vibração da plateia e a importância dessa manifestação cultural tipicamente brasileira fizeram com que a jovem acompanhasse os desfiles desde a infância. Mas, para ela, essa celebração não pode ser traduzida apenas como um espetáculo visual. Cega desde 1 ano e 2 meses, quando teve um câncer, a bela Giovanna, de olhos azuis penetrantes, curte o Carnaval através do som. Musicista formada pela Universidade de São Paulo (USP) e cantora lírica, ela fará parte do primeiro grupo de jurados de bateria cegos do Carnaval paulistano, que vai estrear no sambódromo do Anhembi este ano. “Estou muito ansiosa porque a responsabilidade é grande”, diz Giovanna. A iniciativa, criada pela União das Escolas de Samba Paulistanas (Uesp) em parceria com a SPTuris, é uma das várias ações que visam incluir deficientes físicos e visuais nos desfiles do Rio de Janeiro e de São Paulo neste ano.

Junto de Giovanna, outros quatro deficientes visuais participaram de aulas teóricas, aulas práticas e avaliações para aprender como julgar uma bateria. “Esse quesito deve ser avaliado apenas pelo som, sem a influência de fantasias ou coreografias, por isso decidimos capacitar deficientes visuais para a tarefa”, explica Kaxitu Ricardo Campos, presidente da Uesp. Cada avaliador receberá R$ 400 por dia de trabalho, seja ele deficiente ou não. “A iniciativa foi muito bem recebida pelas escolas e pretendemos continuá-la ou até expandi-la no ano que vem.” Na pista onde acontecem os desfiles, outros deficientes físicos e visuais também prometem brilhar. A escola de samba Camisa Verde e Branco abrirá o Carnaval de São Paulo, na sexta-feira 17, com uma ala composta por 100 deficientes visuais e seus acompanhantes. A ideia partiu do carnavalesco Anselmo Brito, que possui somente 30% de visão e está na fila de espera para um transplante de córnea. “Inspirado pela minha própria dificuldade, resolvi retratar na avenida a importância da doação de órgãos”, diz Brito. Já a escola Unidos de São Lucas, do grupo de acesso, trará no desfile 30 deficientes físicos e mentais em uma ala especial e um cadeirante na comissão de frente, quesito que conta pontos. Deficiente físico desde o parto, o analista de sistemas Fernando Passos, 46 anos, vai entrar pela primeira vez no Anhembi já numa posição de destaque, na comissão de frente. A coreografia, garante, será a mesma para todos os integrantes, deficientes ou não. “Não há diferença. Saio da cadeira, vou para o chão e dou até pirueta”, conta Fernando, com orgulho.

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DESTAQUE
O cadeirante Fernando Passos ensaia para desfilar na
comissão de frente da escola paulistana Unidos de São Lucas

No Rio de Janeiro, a Acadêmicos do Grande Rio deve emocionar os foliões com um enredo que fala sobre superação, após um incêndio ter destruído o barracão da agremiação dias antes do Carnaval de 2011. Uma ala do desfile será totalmente dedicada à superação no esporte e contará com atletas paraolímpicos. A escola também homenageará Clodoaldo Silva, maior medalhista da natação paraolímpica do Brasil, e a treinadora Georgette Vidor, cadeirante e titular da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPD) do Rio. “Estou muito feliz em poder participar desse enredo e os atletas paraolímpicos são o melhor exemplo de superação que a escola poderia mostrar”, disse Georgette. A secretaria também estuda disponibilizar novamente neste ano o serviço de audiodescrição dos desfiles. No ano passado, por dia de apresentação, 60 fones foram distribuídos para deficientes visuais, que puderam ouvir em detalhes a descrição da passagem das escolas. Bom seria se o caráter democrático e inclusivo do Carnaval se espalhasse para todas as esferas da sociedade.

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Roberta

EM 13/02/2012 18:26:46

Também faço parte do solidariedança,essa ala dos cadeirantes ganha em animação de qualquer uma,parabéns a Unidos do São Lucas por tê-los em sua escola e a isto é pela reportagem .


Cintia Paiva Lima Coelho

EM 13/02/2012 16:46:51

Não percam o desfile da Escola de Samba Unidos de São Lucas e a nossa Comissão de Frente. O desfile será transmitido pela TV Cultura e a nossa escola será a 1ª a entrar no Anhembi, às 21:00. Até lá.


Rosi Rodrigues

EM 12/02/2012 23:15:07

Também faço parte da Associação SOlidariedança, sairei na ala dos cadeirantes como acompanhante e parabenizo a Escola Unidos do São Lucas pelo acolhimento tão especial. Parabéns a todas as escolas que respeitam e acolhem pessoas tão ricas de vida! Parabéns a equipe Isto É pela reportagem!


Lucas Santos Sousa

EM 12/02/2012 22:59:42

Muito bom!!!!!!!!!!!! Também faço parte do Solidariedança, e irei desfilar na ala dos cadeirantes... Tenho orgulho de estar nesse momento tão importante para a inclusão no nosso País. Parabéns ISTOÉ pele matéria, Parabéns Solidariedança e Parabéns Unidos de São Lucas e todas as escolas com inclusão!


Fernando Loureiro Lima Coelho

EM 12/02/2012 22:14:13

Tenho orgulho de fazer parte da Comissão de Frente que trará um cadeirante. Faço parte de uma Associação chamada SOLIDARIEDANÇA (www.solidariedanca.org.br). Gostariamos de mostrar os nossos outros trabalhos. Inclusão, reabilitação e arte realizados com muito amor,dedicação e carinho. PARABÉNS ISTO É





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