A tensão volta às Malvinas
Movimentação de navio de guerra e chegada do príncipe William revoltam argentinos e reacendem ameaça de conflito
Luciani Gomes
Acostumado a ser tratado com reverência, o príncipe William, segundo na linha de sucessão ao trono britânico, se tornou uma espécie de pária na Argentina. Sua chegada às Ilhas Malvinas (Falklands, para os ingleses), como piloto de helicóptero da Força Aérea Real, e o envio à região de um navio de guerra desencadearam uma onda de indignação no país, a começar pela própria presidente Cristina Kirchner, que afirmou se tratar de “atos de provocação”. Em tese, William, filho de Lady Di e neto da rainha Elizabeth II, estaria em inocente missão de treinamento – ideia refutada pelos argentinos. Na semana passada, centenas deles foram protestar diante da Casa Rosada, a sede do governo em Buenos Aires, e alguns mais exaltados queimaram bandeiras da Inglaterra. Em discurso que mereceu aplausos de outros políticos, Cristina disse que vai denunciar o Reino Unido ao Conselho de Segurança e à Assembleia-Geral da ONU, pelo que chamou de “militarização do Atlântico Sul”. O caso preocupa por trazer à memória a guerra vencida pelos ingleses em 1982, que deixou um saldo de quase mil soldados mortos. Por que esse pequeno arquipélago de 12 mil metros quadrados ao sul do território argentino é tão disputado? “Até pouco tempo atrás, os ingleses ficavam pescando e administrando as ilhas”, diz o argentino Héctor Luiz Saint-Pierre, diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Agora, a possibilidade de existência de petróleo está tornando as Malvinas alvo de interesses econômicos.” De 1982 até 1990, Argentina e Reino Unido não mantiveram relações diplomáticas. Os laços só foram restabelecidos durante o governo argentino de Carlos Menem (1989-1999), que propôs um apaziguamento. “Uma vez que os dois países concordassem em não discutir soberania, iriam tentar aproximações em outros assuntos”, diz Maurício Santoro, professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas. Os moradores das Malvinas não querem que a administração seja passada para a Argentina e é isso que dá respaldo ao Reino Unido em refutar negociações. “Os habitantes das Falklands são britânicos por escolha”, diz Santoro. “É mais interessante para eles permanecer como está.”
FOGO
Manifestantes queimam bandeira da Inglaterra: para a presidente
Cristina Kirchner, “ato de provocação” merece repúdio da ONU
Por ora, Cristina conseguiu um importante apoio de seus vizinhos. Durante a 11a Cúpula da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba), realizada há uma semana, vários países da América do Sul declararam apoio à presidente e, em conjunto, adotaram uma medida hostil. Navios militares com bandeiras das Malvinas não serão recebidos em diversos portos do continente, entre os quais os brasileiros. “É o que se pode fazer”, diz Carlos Vidigal, professor de história da Universidade de Brasília. “Mais do que isso, configuraria um posicionamento belicoso em relação ao Reino Unido.” Vale lembrar que a posição oficial do Brasil diante da questão é a mesma desde 1982. O governo brasileiro defende a soberania da Argentina nas Malvinas, mas propõe uma solução pacífica para o problema.
REALEZA
Príncipe William (à esq.) analisa mapas nas Malvinas:
petróleo estaria por trás do renovado interesse inglês na região
Arawn
EM 23/04/2012 12:29:43
Se a guerra chegar o que vão fazer? Vão querer que o Brasil defenda a argentina? A mesma que queria invadir o chile em 79/80 por causa do canal de beagle? O U.K. vence toda a américa latina com suas tropas... o uruguai era um "estado brasileiro", agora o brasil vai querer reintegração de posse?
Araw
EM 23/04/2012 12:26:47
Só posso rir do comentário destas pessoas... já que é inadmissível ter colônias na América do Sul, por que não tentam tirar a Guiana Francesa do domínio Francês? Acha que os britânicos ligam para as espeluncas dos portos sul-americanos? God Save The Queen e as Falklands são britânicas desde 1600.
jean
EM 17/04/2012 22:58:40
acho q a questão naum é a ilha em si pois se trata de uma porção pequena de terra mas sim do ponto estratégico em uma guerra a ilha seria otima para ataques contra qualquer pais da america latina e outra porque os Eua estão com mais uma base na Colombia??? pense bem e reflita.
Augusto
EM 25/02/2012 12:42:22
É fato! a guerra ira chegar a america do sul em breve!!!! não ficaremos nessa paz por muito tempo, é a nossa vez!!!
robson
EM 20/02/2012 10:29:04
Os paises sul americanos tem que se unirem,logo a guerra vai acontecer por aqui, aos poucos eles estão tentando buscar recursos,Petróleo no Irã,depois vai ser na venezuela,Depois o Pré sal no Brasil e a Amazonia,vamos fazer uma só bandeira e ir pra guerra contra a inglaterra e quem mais vier juntos.
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